"A iniciativa é importante e poderá ajudar o setor, mas não será suficiente para, individualmente, salvar a indústria calçadista", diz entidade
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que na terça-feira (21) participou de reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros do MDIC e da Fazenda, avalia positivamente o lançamento da nova fase do Plano Brasil Soberano.
Publicada ontem (22), a medida vem ao encontro de uma das reivindicações da Abicalçados feitas na reunião com os representantes do Governo Federal. “A iniciativa é importante e poderá ajudar o setor, mas não será suficiente para, individualmente, salvar a indústria calçadista do baque representado pelo tarifaço dos Estados Unidos”, avalia o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, ressaltando, ainda, que aguarda as regulamentações adicionais. “O acesso ao crédito por parte das empresas atenua os impactos da perda de mercado internacional apenas havendo perspectivas de resolução do problema na maior brevidade possível”, acrescenta. No dia 21, o executivo havia solicitado, além da linha de crédito emergencial, a ampliação do Reintegra e o maior controle e monitoramento de importações, bem como aplicação mais efetiva de medidas de defesa comercial diante do avanço expressivo e nocivo das importações de calçados - em especial provenientes da China, Vietnã e Indonésia.
Principal destino
Segundo a Abicalçados, atualmente as exportações de calçados para os Estados Unidos geram 20% das receitas totais com os embarques. “Historicamente, é o nosso principal destino internacional, muito à frente do segundo, que é a Argentina e que responde por cerca de 10% da receita gerada pelas exportações”, informa.
Recentemente, em função do tarifaço, a Abicalçados refez suas projeções de queda nas exportações. Antes do anúncio da sobretaxa aos calçados brasileiros a previsão era de uma queda de 3,6%. Com a medida, a queda deve ultrapassar 7% (em volume).
Entenda
O Governo Federal anunciou, nesta quarta-feira (22), uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento destinadas a apoiar empresas brasileiras que atuam em setores estratégicos afetados por tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos (em investigações da Seção 301 e Seção 232). Do total previsto para o Plano Brasil Soberano 3, serão R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos e prospecção e abertura de novos mercados.
As taxas anunciadas, exceto para o setor de Minerais Críticos, são de 6,5% a 9,8% ao ano.