Importações de calçados asiáticos são recorde

Entrada de produtos chineses, vietnamitas e indonésios representam 80% do total

Diferentemente das exportações (veja abaixo), as importações de calçados seguem em elevação e atingiram o recorde da série histórica - iniciada em 1997 - para os primeiros cinco meses do ano. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em maio entraram no Brasil 3,28 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 43,78 milhões, elevações tanto em volume (+14,6%) quanto em receita (+14,7%) em relação ao mesmo mês do ano passado. Destacam-se as principais origens asiáticas do mês: China (991,3 mil pares e US$ 3,62 milhões, incrementos de 22,8% em volume e queda de 0,5% em receita ante maio de 2025); Vietnã (958,97 mil pares e US$ 19,96 milhões, queda de 4% em volume e aumento de 4,9% em receita); e Indonésia (459,3 mil pares e US$ 9,18 milhões, queda de 9,1% em volume e incremento de 20,3% em receita). 

No acumulado dos cinco meses, as importações somaram 22,9 milhões de pares e US$ 258,93 milhões, elevações de 18,2% e 14%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. As principais origens foram: China (9,28 milhões de pares e US$ 22,35 milhões, incrementos de 28,8% e 11,6% ante o mesmo período de 2025); Vietnã (5,6 milhões de pares e US$ 124,55 milhões, crescimentos de 5,4% e 19,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado); e Indonésia (3,27 milhões de pares e US$ 61,96 milhões, queda de 10% em volume e incremento de 5,1% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025).

Exportações em queda
Em maio, a indústria calçadista brasileira embarcou 6,42 milhões de pares por US$ 64,53 milhões - quedas de 5,2% e 17,4%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Já no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações somaram 40,9 milhões de pares e US$ 349 milhões, quedas tanto em volume (-10,7%) quanto em receita (-18,3%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado. 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que os dados seguem refletindo os impactos da política tarifária estadunidense e do contexto macroeconômico e concorrencial na Argentina. “Mesmo os Estados Unidos, principal destino internacional do calçado brasileiro, tendo retirado a tarifa adicional de 40% para importações do Brasil em fevereiro, não tivemos retorno imediato aos patamares pré 2025”, explica o executivo, destacando que existe uma “defasagem” entre pedido, produção, embarque e registro da exportação. “Parte das exportações brasileiras de março a maio de 2026 ainda reflete decisões comerciais tomadas quando o mercado estava sob tarifa de 40%”, acrescenta. 

Além disso, o dirigente ressalta que a queda registrada para os Estados Unidos no último mês, foi influenciada pela elevada base de comparação do mês de maio de 2025 - mês atípico em razão do anúncio, à época, das tarifas recíprocas globais, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia. “Quando maio de 2026 é comparado com o mesmo mês de 2024, cenário em que não haviam tarifas adicionais, as exportações superaram em 7,5% o volume exportado aos Estados Unidos”, frisa, concluindo que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário pré-tarifas.

Ferreira manifesta preocupação, ainda, com a manutenção da incerteza regulatória no mercado norte-americano, inclusive em função das investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio e a orientação de aplicação de tarifas adicionais que podem alcançar 37,5% - 25% com base nas investigações relacionadas ao Brasil e 12,5% com base nas investigações gerais relativas à trabalho forçado - sobre importações brasileiras.

Estados Unidos
Em maio, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foi os Estados Unidos, para onde foram exportados 984,5 mil pares que geraram US$ 13,65 milhões, quedas de 21,8% e 42,3%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, as exportações para os Estados Unidos somaram 4,8 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 25% em divisas em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O segundo destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo a Argentina, que em maio importou 402,73 mil pares verde-amarelos por US$ 6,48 milhões, quedas de 63,2% e 57,7%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos cinco meses, as exportações brasileiras para a Argentina somaram 2,42 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, quedas de 57,8% e 59,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025. 

Fecha o ranking dos três principais destinos de 2026 o Paraguai, que em maio importou 900,87 mil pares verde-amarelos por US$ 4,3 milhões, altas de 59,2% e 19,2%, respectivamente, ante o mês cinco do ano passado. No acumulado dos cinco meses, foram embarcados para lá 3,6 milhões de pares por US$ 20,2 milhões, queda de 8,2% em volume e incremento de 14,3% em receita na relação com intervalo correspondente de 2025. 

RS: maior exportador do Brasil
O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e maio, as fábricas gaúchas embarcaram 12,9 milhões de pares, que geraram US$ 172,1 milhões, quedas de 6,2% e 14,1%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado. Na sequência, aparecem os estados do Ceará - com a exportação de 12,58 milhões de pares por US$ 67,14 milhões, quedas de 18,1% e 25,4%, respectivamente -, e São Paulo - que embarcou 2,5 milhões por US$ 35,68 milhões, quedas de 19,3% e 19,4% ante o ano passado.

Projeções
Diante das incertezas regulatórias e dos impactos decorrentes das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, bem como da possibilidade de novas sobretaxas, somadas às quedas registradas no mercado argentino, as exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 com retração entre 4,1% e 8,9%, conforme a Inteligência de Mercado da Abicalçados. Apesar do crescimento acumulado dos embarques para a América Central e Caribe e para parte relevante dos países da América do Sul, esses mercados têm funcionado apenas como vetor de compensação parcial.