Entidade levou pautas do setor, que foram tratadas em reunião entre Lula e o primeiro ministro indiano Narendra Modi
O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, participou da Missão Presidencial na Índia, que aconteceu entre os dias 19 e 20 de fevereiro. Na oportunidade, o dirigente participou do Fórum Empresarial Brasil-Índia, que reuniu mais de 900 empresários dos dois países, e da inauguração do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) no país asiático.
Para a Abicalçados, o Fórum foi bastante produtivo, especialmente porque oportunizou uma maior integração entre os dois países e discutiu temas relevantes para as exportações brasileiras, caso da exigência da certificação BIS - certificação compulsória cuja complexidade operacional e custos do processo de certificação têm restringido as exportações brasileiras ao destino. Dados da entidade apontam que, em 2025, os embarques para a Índia totalizaram apenas 160 mil pares, volume mais de 60% inferior ao registrado em 2022, período anterior à vigência da normativa BIS. “O mercado indiano é de grande potencial para o Brasil e essa barreira tem limitado a inserção dos fabricantes e exportadores brasileiros na Índia”, explica. Segundo ele, como consequência da burocracia indiana, a balança comercial de calçados do Brasil com o país é desfavorável. No ano de 2024, as importações brasileiras originárias da Índia foram mais de vinte vezes superiores às exportações ao destino, resultando em um déficit de US$ 13,8 milhões.
No último dia da Missão, o presidente Lula reuniu-se com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, oportunidade em que os dois governantes discutiram, entre outros temas, uma proposta desenvolvida pela Abicalçados, que propôs que o Brasil avance em um Acordo de Reconhecimento Mútuo (MRA) com a Índia, permitindo o reconhecimento de laboratórios brasileiros homologados pelo Inmetro - iniciativa que pode encurtar prazos, reduzir custos e ampliar a previsibilidade para exportadores.