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Designers apontam que o Brasil precisa valorizar seus aspectos culturais

“Há muito a descobrir sobre o Brasil”. A frase do estilista Walter Rodrigues resume boa parte das opiniões expressadas no 14º Seminário Nacional da Indústria de Calçados, realizado no dia 29 de abril, em Nova Lima/MG. O evento foi promovido pela Abicalçados e abordou a Cultura Brasileira como Estratégia de Design. Além de Rodrigues, palestraram para uma atenta plateia de 130 pessoas os designers Rose Andrade, Dijon de Moraes e Ronaldo Fraga. A pesquisadora Dorotéia Pires foi a mediadora dos debates. O comentário de Walter Rodrigues veio como resposta à pergunta de Dorotéia sobre qual caminho trilhar para utilizar os elementos culturais na produção industrial. Segundo ele, muitos processos criativos não levam em conta as diferenças culturais do Brasil. “Temos medo da originalidade”, apontou.


Ronaldo Fraga complementa que hoje a criação está muito acadêmica e que a palavra design está desgastada. “Se usa design  para tudo, queimando referências. Nunca se teve tanto acesso à informação e, no entanto, nunca fomos tão sem graça no momento de criar”. Fraga é um dos mais conceituados estilistas do País e nas últimas coleções vem utilizando referências de estrangeiros que adotaram o Brasil de alguma forma, como a dançarina alemã Pina Bauch, que se encantou pelo forró durante uma turnê nos anos 80, criando espetáculos com as referências nacionais. “Muitas vezes, quem vem de fora nos enxerga melhor do que nós mesmos”. Para ele, a cultura popular é muito forte e não deve ser vista como folclore, mas como algo divertido, curioso e sofisticado, exemplificando com a intensa mistura brasileira, que num dia está pulando Carnaval e no outro vai para a procissão da Semana Santa.

Projetos - A busca de uma identidade própria para a elaboração de produtos para a indústria de calçados tem levado o complexo a investir em projetos arrojados. E este processo vem se refletindo na sofisticação de métodos de pesquisa que possibilita vislumbrar, em um período próximo, a configuração desta identidade. Exemplos são as iniciativas da Associação Brasileira das Empresas de Componentes e Couros para Calçados (Assintecal). A entidade, em parceria com designers e estudiosos no assunto, passou a desenvolver ações para promover o processo criativo das empresas. Dijon de Moraes é um destes parceiros. Professor doutor na Escola de Design da Universidade de Minas Gerais, Moraes participou do Compex Project 10x6, que visa decodificar os elementos culturais para trazê-los aos componentes de calçados. “Até os anos 90, o design era apenas uma reprodução europeia e só muito recentemente o Brasil passou a valorizar a si mesmo como produtor cultural. Nesta área, nossa auto estima é muito baixa”.

A consultora de moda Rose Andrade também destacou o projeto Caderno + B Inspiração Brasil, realizado pela Associação Brasileira dos Estilistas (Abest) em parceria com a Apex-Brasil. “Este produto se abastece de referências culturais para expor o conceito brasileiro de criação”, assinala. Cada livro gera quatro cartelas de cores produzidas em parceria com a empresa Pantone.

Walter Rodrigues, que coordena o Núcleo de Design da Assintecal, relembrou o surgimento do Fórum de Tendências, que visava preparar as empresas de componentes para o desenvolvimento de produtos que tivessem no seu histórico atributos como valor estimado, certificado de origem e reconhecimento da comunidade. Iniciado em 2002, este projeto, a partir de 2009,  passou a chamar-se Fórum de Inspirações, com as pesquisas voltando-se  a quatro grandes temas. “Deixamos de dividir os consumidores por idade e sim por áreas de interesse e passamos a tirar o associado do seu dia a dia para conhecer sentimentos intangíveis e os resultados têm sido fantásticos”, comemora. Rodrigues também aplaude a recente integração do setor de calçados no Núcleo de Design, somando os esforços nas pesquisas para o design genuíno. “O sapato brasileiro tem que ser bom em todos os sentidos”.

Design é sobrevivência

Na mesa redonda promovida após as apresentações, lideranças setoriais apresentaram suas opiniões sobre o design e sua importância no segmento industrial. Para Afonso Maria Rocha, diretor superintendente do SEBRAE/MG, o design faz parte da sobrevivência das pequenas empresas. “Neste mundo sem fronteiras, a diferenciação é fundamental”, aponta, acrescentando que é devido a este pensamento que a entidade vem apoiando uma série de ações nesta área.

Maria Luisa Campos Machado Leal, diretora da Agência Brasileira para o Desenvolvimento Industrial (ABDI), lembra que as empresas precisam elevar seus investimentos na área de inovação, atingindo a excelência do design. Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal Feiras, não escondeu a satisfação com o debate, que vem ao encontro da sua oposição de o Brasil buscar tendências de verão na Europa, quando o verão nacional tem nove meses.  Ele anunciou que o Top de Estilismo, premiação a jovens talentos que vem sendo realizada há 15 anos, passará a ter ação nacional com a parceria recentemente estabelecida com a Assintecal e Abicalçados. “Vamos multiplicar talentos”.

O diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, disse que este Seminário consolidou a importância do design para o crescimento das indústrias do setor. “É um caminho a ser percorrido e que a entidade irá apoiar”.

Apoio – O Seminário Nacional da Indústria de Calçados foi patrocinado pelo SEBRAE Nacional e pelas Agências Brasileiras de Promoção Comercial e Investimentos (Apex-Brasil) e de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Francal Feiras. Contou também com o apoio da Assintecal e dos Sindicatos das Indústrias de Calçados de Minas Gerais (Sindicalçados), das Indústrias de Bolsas de Minas Gerais (Sindibolsas), das Indústrias de Calçados de Francal (Sindifranca) e das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova).
Minas Trend – O Seminário Nacional fez parte da agenda de atividades do Minas Trend Preview, salão de moda que ocorre duas vezes ao ano. Este evento vem consolidando-se como lançador de moda no Brasil, com desfiles de tendências tanto de nomes consagrados como de iniciantes. Os expositores atuam no segmento fashion, atraindo compradores de lojas exclusivas tanto do Brasil como do exterior. A mostra é promovida pelos Sindicatos das Indústrias de Calçados e Bolsas de Minas Gerais com o apoio da FIEMG.

ASCom Abicalçados
Elizabeth Renz
imprensa@abicalcados.com.br
Caren Souza
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