A União Europeia prorrogou, dia 22 de dezembro, a aplicação de tarifas antidumping contra calçados chineses e vietnamitas por mais 15 meses. Os países da UE apoiaram a medida por uma estreita maioria.
As tarifas foram aprovadas apesar da advertência de que podem prejudicar as relações comerciais da UE com China e Vietnã, apesar de os países-membros as terem rejeitado numa votação não-vinculante em novembro. A iniciativa provavelmente irritará a China.
O caso dos calçados foi visto como um importante compromisso da UE com o livre comércio, em meio a uma recessão. Ele opôs os pequenos fabricantes de calçados da Itália e da Espanha contra grandes varejistas do Reino Unido e de outros países, que têm terceirizado sua produção para países da Ásia.
Em comunicado ontem, a Aliança Calçadista Europeia, um grupo que iclui Adidas e Clarks, criticou a decisão e alertou que ela poderá levar a preços mais altos para os consumidores europeus.
"Ela (a decisão) demonstra que, apesar de toda a retórica pública, a UE prefere seguir a sua rota protecionista à custa das bem-sucedidas empresas calçadistas e dos consumidores europeus", diz o texto. "A lógica econômica e o devido processo jurídico têm sido completamnte desconsiderados no decorrer de todo esse caso."
Peter Mandelson, secretário britânico de Comércio, que instituiu as tarifas por um período de dois anos em 2006, quando atuava como comissário de Comércio Exterior da UE, também condenou a prorrogação da sobretaxa.
"A Comissão Europeia não deveria ter provocado essa extensão das tarifas antidumping. Ela não é benéfica para o crescimento de longo prazo no comércio exterior europeu e nem para as relações de investimento com China e o Vietnã", disse ele.
As tarifas chegam a 16,5% para calçados chineses e 10% para os vietnamitas. Eles entram em vigor em 3 de janeiro.
Num encontro em novembro, os países da UE haviam rejeitado a proposta de prorrogar as tarifas. Mas três deles (Áustria, Alemanha e Malta) mudaram as suas posições. A Alemanha pediu garantias à CE de que esta não pressionaria pela prorrogação das feiras novamente, segundo diplomatas envolvidos no caso.
Fonte: Valor Econômico, com informações do Financial Times
04/01/2010