Durante três dias, o diálogo entre técnicos da indústria do calçado e especialistas na área de biomecânica ficou aquecido. De 7 a 9 de maio, pesquisadores, doutores e profissionais do complexo calçadista ampliaram o debate sobre o detalhamento de diversos aspectos da construção do calçado no VII Simpósio Brasileiro de Biomecânica, realizado na sede do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), em Novo Hamburgo/RS. Os palestrantes apresentaram as mais recentes pesquisas sobre conforto do calçado, tendências de mercado, e as relações comportamentais dos consumidores. No debate realizado na abertura do Simpósio, lideranças ressaltaram o quanto os órgãos de fomento têm sido atuantes em questões fundamentais para o desenvolvimento do sistema coureiro-calçadista através da inovação tecnológica.
Inovação tecnológica - O presidente do IBTeC, Rui Guerreiro, lembrou que a alta tecnologia tem forte presença nas indústrias do setor, possibilitando a geração de produtos com valor agregado, em especial o conforto. O problema é que na ponta da cadeia, no canal de distribuição, o consumidor ainda não percebe os benefícios que essa tecnologia oferece. Guerreiro ressaltou que o instituto tem ampliado o seu papel na promoção do sistema calçadista junto ao grande público. Uma das ações de maior impacto tem sido a disseminação de informações na mídia nacional de alto alcance, como jornais de grande circulação e televisão, atingindo diretamente ao consumidor.
A intenção é que as pessoas comecem a refletir sobre os ganhos em qualidade de vida e saúde que um calçado com certificação de conforto pode proporcionar. Rui destacou que no Brasil não há como desenvolver pesquisas sem o aporte de recursos públicos, principalmente quando se pensa na inserção das micro e pequenas empresas nesse processo de inovação tecnológica. O instituto participa de todos os editais que contemplam o setor, tendo obtido aprovação em vários projetos de pesquisa e reaparelhamento dos laboratórios.
Ações - Ronaldo Mota, secretário nacional de Desenvolvimento e Inovação, informou que há várias ações federais para incentivar o setor produtivo. Uma delas é o Sibratec (Sistema Brasileiro de Tecnologia), recurso para estabelecer uma corrente entre a indústria e a inteligência acadêmica, envolvendo assessoria e aporte financeiro. Citou ainda a Rede Nacional Rets, do qual o IBTeC faz parte, que une setores como o couro, calçado e têxtil, na busca de melhorar a estrutura dos laboratórios certificadores brasileiros. Mota destacou que um calçado pode ser confortável, mas se não tiver selo de certificação em breve poderá ter a sua entrada impedida em algum país, através de barreiras técnicas.
Dessa forma, os empresários precisam atestar a qualidade dos seus produtos através da certificação com reconhecimento no Brasil e exterior. Mota falou também da transferência tecnológica. Segundo ele, em 1980, o Brasil era responsável por 0,5% da produção científica mundial. No ano passado, chegamos a 2,4%. “Hoje o Brasil corresponde a 2% do PIB mundial, mas em contrapartida os registros de patentes são insignificantes. Ou seja, produzimos tecnologia, mas dissociamos essa produção com a transferência tecnológica”, lamenta.
Inovar para sobreviver - A palestrante Susana Kakuta, que apresentou o painel “Dinâmica Tecnológica e Inserção de Consumo: Oportunidade ou Ameaça?”, destacou a necessidade das empresas investirem parte dos recursos em novos produtos que criem valor junto ao cliente e gerem resultados para o fabricante. “A inovação incremental, de risco menor, é importante para as empresas e deve ser mantida. Mas uma faixa de inovação radical, com o lançamento de produtos totalmente novos, tem um potencial de retorno muito maior”, enfatizou a palestrante, mostrado um gráfico comparativo entre os dois tipos de inovação.
Susana citou situações em comum vividas pelas empresas, como o fato de demandas urgentes por parte de clientes e vendedores absorverem os escassos recursos de desenvolvimento, assim como outros fatores que dificultam os investimentos em inovação: priorização de objetivos de curto prazo, redução de riscos e falta de apoio interno na alocação de recursos para objetivos ambiciosos de crescimento.
Saiba mais em www.ibtec.org.br.