Indústria calçadistas estão confiantes no desenvolvimento das indústrias e na retomada do ritmo da economia
São João Batista - As empresas do setor calçadista de São João Batista, o principal polo industrial do Vale do rio Tijucas, estão confiantes na conquista de um novo ciclo de desenvolvimento, especialmente a partir da segunda metade do próximo ano. É quando serão sentidos os reflexos das medidas de incentivo à economia anunciadas pelos governos estadual e federal. E quando as indústrias esperam colher os frutos dos investimentos em tecnologia, designe e desenvolvimento comercial, realizados nos últimos meses. A avaliação foi feita pelo presidente do Sincasjb (Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista), Wanderley Zunino, em entrevista ao Notícias do Dia.
Jornal Notícias do Dia – Presidente, como foi 2011 para o setor calçadista de São João Batista?
Wanderley Zunino - As indústrias calçadistas de São João Batista tiveram um ano bem atípico. No primeiro semestre houve aumento de produção, embalada pelas venda de varejo no fim de 2010. Já no segundo semestre, o comportamento de compra do varejo mudou, com o excesso de oferta de produto e uma redução de compra do consumidor final. Os lojistas apostaram menos nas compras e com isso houve uma redução de pedidos e consequentemente de produção.
JND - Em termos econômicos, quais fatores atrapalharam o setor?
WZ - Hoje a concorrência é muito grande. Todos querem e precisam vender, mas os consumidores no geral estão com sua renda comprometida a longo prazo, com produtos duráveis: casa própria, carros, celular, elétricos domésticos. Está sobrando pouco para a aquisição de produtos não duráveis.
JND – Mas podemos dizer que o setor continua crescendo?
WZ - Acredito muito no crescimento do setor para 2012, principalmente para o segundo semestre. O governo Dilma lançou o plano Brasil Maior, que desonerou a folha e aumentou o limite de faturamento das empresas enquadradas no Simples. Isso começará a render resultados esse ano. Já o governo estadual também está com um bom projeto em andamento, denominado Nova Economia, que é bastante interessante. Através da Secretaria do Desenvolvimento Econômica e do Sebrae, estará apoiado as APLS com capacitação e inovação para as empresas, motivando também as participações em feiras e eventos ligados ao setor produtivo. Com essa alavancagem, vamos tornar nossas 120 empresas mais competitivas, gerando mais emprego e renda aos nossos mais de 5000 colaboradores diretos, que representam a maior classe trabalhadora do nosso município.
JND - Até pouco tempo atrás, as indústrias trabalhavam para marcas famosas, como verdadeiras facções, um modelo semelhante à indústria do vestuário de Blumenau. Essa característica persiste ou o calçado bastistense já está buscando espaço com marcas próprias e novas?
WZ: Nosso grande desafio para os próximos anos é criar uma visão futura, para embutir nas marcas conceitos e valores, usando a mídia para se aproximar do consumidor e usando também a internet, através redes sociais, assessorias de imprensa e marketing. Algumas empresas locais já deram esse passo, como por exemplo Rafaela Booz, Di Valentini, Laura Porto e Século XXX.
Nos próximos anos vai haver uma depuração do mercado, tanto na indústria como no varejo. Por isso precisamos renovar e não adianta só melhorar. É necessário inovar e inovar e reaprender. Substituir velhos conceitos com vontade de superar obstáculos e com isso chegar ao sucesso.
JND – Que tipo de calçado o polo mais fabrica hoje?
WZ – A maior parte da nossa produção hoje está destinada à chamada Classe C. Vendemos para varejistas de todo o Brasil, no seguimento de sapataria, esse tipo de produto mais especificamente.
JND – A matéria prima é um problema para o setor?
WZ - Não temos grandes problemas com matéria prima, pois já nos transformamos num cluster, onde podem ser encontradas todas as fases da produção. Isso nos garante uma grande velocidade de entrega e recepção de matérias primas e produção.
JND - E em relação às vendas? Como o setor está vencendo as barreiras e que mercados está atingindo?
WD - Estamos investindo forte na gestão e inovação das pessoas e produtos. Pesquisando tanto o mercado interno quanto externo, buscando novos nichos de mercado, principalmente as lojas especializadas, mercado este que busca produto diferenciado com muito apelo de moda e conforto.
JND - E quanto aos eventos? Esse ano a rodada de negócios em Florianópolis teve bons resultados. O que podemos esperar para o próximo ano. A feira se repete?
WD - Nossas empresas participam de praticamente todas as grandes feiras do setor realizadas aqui no Brasil. Temos realizado uma rodada de negócios em Florianópolis, todos os anos, para o lançamento das coleções com excelentes resultados. Estamos conseguindo gerar muitos negócios e já para o próximo evento estamos fechando uma parceria com uma empresa de marketing publicitário, que deve profissionalizar ainda mais o trabalho e trazer resultados ainda melhores.
Autor/Fonte: R7 Notícias