Um ano que contabiliza queda nas exportações de calçados não poderia mudar seu curso no nono mês. Setembro puxou ainda mais para baixo os índices da balança comercial de calçados e suas partes, que agora está negativa em -34,4%, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Ao longo dos nove meses, as exportações amargaram queda de 30% e as importações também ficaram negativas em 7,1%. A corrente de comércio, por sua vez, ficou em 26,9% menor.
No acumulado do ano, o volume de pares exportados foi de 93,8 milhões, uma queda de 26,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram embarcados 127,6 milhões de pares. O faturamento nos nove meses do ano foi de US$ 1 bilhão, que representa 30% menos em relação ao período anterior. De janeiro a setembro de 2009, foram geradas divisas da ordem de US$ 1,4 bilhão. O preço mediu reduziu em 4,7%, passando de US$ 11,38 para US$ 10,84.
Países - Em termos de volume, os Estados Unidos continuam sendo os principais compradores do calçado Made in Brazil, tendo adquirido 20,7 milhões de pares no acumulado do ano, com preço médio de US$ 12,58, o que gerou receita de US$ 260,8 milhões - o que significa uma retração de 30,6% em volume e 31,4% em cifras.
A Argentina é o segundo maior cliente do Brasil, pois adquiriu 8,9 milhões de pares este ano, por uma média de US$ 10,84 o par, o que resultou em US$ 96,2 milhões para o Brasil. Estes dados demonstram uma diminuição de 34% em pares e 36,7% em valores, no comparativo com igual período de 2008.
Em terceiro lugar aparece o Reino Unido, que comprou 5,7 milhões de pares por um preço médio de US4 24,86, resultando em US$ 141,1 milhões. Analisando em relação aos nove meses do ano passado, o volume físico caiu 29,4% , assim como o monetário, que acumula saldo negativo de 28,4%.
São Paulo teve a maior queda nos embarques
Entre os principais Estados exportadores, todos apresentaram queda tanto em volume de embarques quanto em faturamento. Porém, de janeiro a setembro, o Estado de São Paulo teve os índices mais negativos: -37,3% em pares e -38,9% em faturamento. Este ano, as fábricas paulistas embarcaram 5,3 milhões de pares, que resultou em receita de US$ 86 milhões, contra 8,3 milhões de pares e US$ 140,6 milhões no ano passado.
O segundo Estado mais prejudicado foi o Rio Grande do Sul, que embarcou -33,5% e faturou -33% este ano. Foram 26,9 milhões de pares enviados ao exterior, que geraram US$ 581,8 milhões em divisas. De janeiro a setembro do ano passado, foram vendidos 40,4 milhões de pares ao mercado externo, que resultaram em US$ 868,8 milhões.
O terceiro Estado com maiores índices de queda é a Bahia, com 21,5% a menos em volume físico e 22,2% a menos em faturamento. Os produtores baianos de calçados venderam, ao longo de 2009, 5 milhões de pares e faturaram US$ 51,7 milhões. No mesmo período de 2008, os embarques foram de 6,4 milhões de pares, que resultaram em US$ 66,5 milhões.
Embarque de calçados injetados cai bruscamente
De acordo com o capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul, o envio de calçados injetados para o exterior (NCM 6401) - embora seja uma fração pequena em comparação aos outros tipos de calçados exportados – ganha destaque por ter despencado de janeiro a setembro deste ano. A redução foi de 77,3% em volume, passando de 1,87 milhão de pares vendidos de janeiro a setembro de 2008 para 423,3 mil este ano. Em faturamento, a queda foi de 65,6%. Os US$ 9 milhões arrecadados no passado reduziram-se a praticamente um terço, passando para US$ 3,1 milhões.
Os calçados de material têxtil (NCM 6404) também apresentaram queda expressiva. Em volume físico, os embarques caíram pela metade, passando de 6,8 milhões de pares no ano passado para 3,6 milhões de pares este ano (-46,4%) e as cifras também foram expressivas, reduzindo de US$ 80,5 milhões para US$ 50,3 milhões (-37,6%).
Produtos em couro (NCM 6403), segundo principal item exportado, demonstraram redução de 32% em volume e 31% em finanças. Este ano, foram vendidos 29,1 milhões de pares com receita de US$ 695,7 milhões, enquanto no ano passado foram comercializados 42,9 milhões de pares, com resultados financeiros de US$ 1 bilhão.
Nem mesmo o sintético (NCM 6402), líder nas vendas ao exterior, escapou da trajetória descendente das exportações. A venda de 59,9 milhões de pares este ano causou déficit de 20,6% em relação ao ano passado, quando foram embarcados 75,5 milhões de pares. O faturamento de US$ 260,6 milhões deste ano está 24,6% menor do que no ano passado, quando foi de US4 345,8 milhões.
Importações caem 20,6% em setembro
De janeiro a setembro, a quantidade de pares importados foi de 24,5 milhões, o que significa 20,6% menos em relação ao mesmo período de 2009, quando o Brasil adquiriu do exterior a soma de 30,9 milhões de pares. O valor pago apresentou queda de 7,1%, passando de US$ 232 milhões no ano passado para US$ 215,5 milhões este ano. Conforme o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, não houve redução de pedidos, mas maior rigor nas fiscalizações aduaneiras em função da medida antidumping. “As encomendas continuam sendo feitas, mas a liberação para entrada no País está demorando mais, o que reduz o fluxo mensal”, sustentou.
Do total importado, 19,7 milhões de pares são oriundos da China. A maior quantidade de calçados comprada é de sintéticos, que somam 11,4 milhões de pares e pelos quais foram pagos US$ 99 milhões.
Em segundo lugar aparecem os calçados têxteis. De janeiro a setembro, foram 6,1 milhões de pares deste segmento que cruzaram as fronteiras do país, e que custaram US$ 56,3 milhões.
Os calçados de couros estão em terceiro. Este ano, foram adquiridos 2,5 milhões de pares a US$ 46,4 milhões. E os injetados são minoria: foram comprados 159,4 milhões de janeiro a setembro deste ano, a US$ 1 milhão.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
15/10/2009