Inauguração aconteceu dia 18, no Sindicato Calçadista de Três Coroas
Três Coroas/RS – A sustentabilidade ganhou mais um aliado no pólo calçadista de Três Coroas, no Rio Grande do Sul. Trata-se do Complexo Tecnoambiental Amanhã Mais Feliz, inaugurado oficialmente dia 18, pelo Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas - RS. Composto pela Central de Triagem de Resíduos Sólidos Industriais, Centro de Eventos, Centro de Estudos e Vivência Ambiental, sede administrativa e social da entidade, o local passa a atender as ações de conservação e preservação do meio ambiente realizadas pelo projeto Amanhã Mais Feliz, criado em 1996. O novo prédio, com 3.056 metros quadrados, está localizado no bairro Vila Nova, em uma área de 5.336 metros quadrados que contempla ainda a preservação de um bioma aquático com flora e fauna nativas. O investimento é de R$ 2,3 milhões.
Para o presidente do Sindicato, Orceni Jorge Bernardi, o empreendimento mostra a preocupação das indústrias com o meio ambiente e prova o modo diferente de pensar e agir dos calçadistas do município. “Em um momento em que todos os índices da economia sinalizam crise em todos os setores e, principalmente no calçadista, o Sindicato inaugura uma obra de tamanha grandeza. Isto prova a união dos nossos associados”, salientou Bernardi, parabenizando a todos pelo local.
O investimento atinge todos os requisitos de um empreendimento sustentável: ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. “Acredito que o Complexo passe a ser um polo disseminador de crescimento e conhecimento das questões ambientais. Hoje nossas iniciativas já servem de exemplo para vários setores da economia e agora podem se tornar ainda maiores”, destacou o coordenador do projeto Amanhã Mais Feliz, Fábio Ruppenthal. O custo das obras, iniciadas no final de 2003, será autofinanciado em 12 anos, com renda proveniente da comercialização dos resíduos sólidos recicláveis.
Para a aquisição do terreno, a entidade contou com o auxílio da Prefeitura de Três Coroas e, em contrapartida, ministrou aulas de educação ambiental nas escolas públicas. Já a construção do prédio foi custeada pela venda dos resíduos e pelas indústrias associadas. O Complexo vai abrigar ainda laboratório de informática; centro tecnológico, onde futuramente serão feitos testes e ensaios de produtos da indústria calçadista local; e salas de aula para cursos teóricos sobre a produção de calçados, administração e treinamento na área ambiental.
Participaram da solenidade o prefeito de Três Coroas, Rogério Grade, os ex-presidentes do Sindicato, representantes da Câmara de Vereadores, da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam), da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), políticos e empresários.
Selo - Na cerimônia de inauguração também foi certificada a empresa Calçados Dami Ltda com o selo “Produção Consciente = Amanhã Mais Feliz”. No total 21 indústrias já foram reconhecidas por atuarem em conformidade com as leis ambientais e civis vigentes no País e seguirem os rigorosos padrões de produção, armazenamento, transporte e reutilização de seus Resíduos Sólidos Industriais (RSI) impostos pelo Sindicato. Para receber o selo as empresas são auditadas, seus colaboradores passam por treinamentos e fazem visitas técnicas às etapas do Amanhã Mais Feliz.
Projeto - O Projeto Amanhã Mais Feliz - criado em 19 de Agosto de 1996 pelo Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas/RS - engloba várias ações de conservação e preservação do meio ambiente. Uma iniciativa inédita no Brasil, que pode se tornar precursora na fabricação de manufaturados com aproveitamento total de matérias-primas e controle absoluto sobre os resíduos gerados. O projeto é composto pela Central de Triagem de Resíduos Sólidos Industriais e pelo Aterro de Resíduos Industriais Perigosos - ARIP -, com a responsabilidade pela coleta, triagem e destinação final de 250 toneladas de resíduos industriais/mês, gerados no processo produtivo das 90 empresas filiadas à entidade.
Central de Triagem - Todo o processo inicia com a segregação e coleta dos resíduos gerados nas empresas, que são transportados até a Central de Triagem, onde são revisados pesados, cadastrados e prensados. Após este processo, controlado por um moderno software, os resíduos são encaminhados ao seu destino: empresas recicladoras ou o ARIP. Das 250 toneladas/mês de resíduos, 68%, em média, são reaproveitadas.
Os demais resíduos, cerca de 32% do total, são encaminhados para o ARIP. O Aterro de Resíduos Industriais Perigosos foi construído dentro de rigorosas normas técnicas e de segurança, aguardando tecnologia para o reaproveitamento deste material. Os resíduos poderão ser retirados no local quando houver conveniência, pois estão abrigados da intempérie, um grande diferencial sobre outros projetos, além de sua disposição de armazenamento, que foge do padrão tradicional, evitando a geração de percolado (chorume), evitando assim a contaminação da água.
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