Durante a reunião da Comissão Bilateral de Monitoramento do Comércio Brasil/Argentina, entre dirigentes da Câmara da Indústria de Calçados da Argentina e da Abicalçados - com a assistência dos respectivos governos - realizada dia 7 de maio, em Buenos Aires, a entidade brasileira apontou a preocupação com o desequilíbrio nas importações do país vizinho efetuadas de janeiro a abril de 2010.
Segundo o levantamento elaborado pela Abicalçados, as compras de sapatos procedentes do Brasil naquele período somaram 48,7% do total, enquanto 48,2% foram oriundas do resto do mundo. Estes percentuais ferem a proporcionalidade estabelecida em maio do ano passado, quando foi acordado que o volume de pares comprado do Brasil seria de 70% e os restantes 30% seriam procedentes de outros países. No quadrimestre, a Argentina importou 5,9 milhões de pares, sendo que 2,85 milhões foram embarcados do Brasil e 2,88 milhões tinham outras origens.
Segundo Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados, os representantes argentinos comentaram que esta distorção deverá ser corrigida ao longo do ano, por conta da medida antidumping que o país vizinho aplicou contra os calçados chineses em março deste ano. A medida passou a ser de US$ 13,38 como valor mínimo e tem vigência de cinco anos. A redução das importações de terceiros países também deverá cair devido a outra barreira imposta pela Argentina, chamada valores-critério. A partir desta medida, os argentinos passaram a impor um valor básico de referência para evitar o subfaturamento nos preços dos produtos importados.
“O imposto de importação será calculado sobre este valor mínimo e não sobre o preço final, caso este seja menor que o estipulado por esta medida”, explica Klein. A ação terá maior impacto sobre os produtos procedentes da Ásia, cujos preços muitas vezes são inferiores aos praticados pelo Brasil. Participaram da reunião Milton Cardoso e Heitor Klein, respectivamente presidente e diretor-executivo da Abicalçados.
ASCom Abicalçados