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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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19.03.2010
Projeções positivas para o setor calçadista
 

Abicalçados projeta crescimento de 7% em produção no ano

As estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) são bem diferentes das do início de 2009, quando o Brasil atravessava um período de turbulência global. Para 2010, a entidade prevê um crescimento de 7% na produção, que foi de 800 milhões de pares no ano passado. Para as exportações, as projeções também são positivas, embora mais tímidas. A entidade prevê um aumento na ordem de 3% nos embarques. Levando- se em consideração que, somente em janeiro, o volume de pares embarcados cresceu 28,8% com relação ao mesmo período do ano anterior, pode se apostar que o incremento será ainda maior.

O presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, atribui a previsão otimista à medida antidumping contra o calçado chinês. O par importado da China foi sobretaxado em US$ 13,85 desde março deste ano, e a primeira medida já havia sido em setembro do ano passado, quando o valor era de US$ 12,47. “Desde que a tarifa foi implantada, recuperamos cerca de 30 mil postos de trabalho”, revela. Em 2009, trabalharam na indústria de calçados nacional 327 milhões de pessoas (5% delas contratadas no âmbito da indústria de transformação). “Além de recuperar os 42 mil empregos perdidos em 2009, se poderá conquistar outras 60mil vagas nos próximos dois anos”, acrescenta Cardoso.

Paulo Kieling, diretor de marketing da Bison Calçados (Novo Hamburgo/RS) - que produz as marcas Via Uno e Naturezza - avalia que o contexto atual aponta para um crescimento bem superior ao projetado pela Abicalçados em nível nacional. Com uma estimativa de crescimento de 20% em produção, chegando a 10 milhões de pares anuais entre as duas marcas, a indústria projeta também abrir 78 novas lojas no Brasil e no exterior, principalmente na França e na Argentina. No mercado externo, a previsão é de manter os níveis anteriores, de 50% de remessas dos calçados Via Uno e 40% da Naturezza. “Talvez tenhamos um leve incremento nas exportações da marca Naturezza”, avalia Kieling.

Otimismo cauteloso em ano de eleição

A Calçados Ferracini (Franca/SP) também começa o ano com otimismo. O gerente de marketing da empresa, Marcos Araújo, aponta que as boas perspectivas são provenientes de um desempenho satisfatório no último Natal. “Contudo ainda fica difícil projetar um número, mas estamos trabalhando com uma meta de 15% de aumento nas vendas, entre mercado interno e exportação’’, revela. Já nas exportações, Araújo é mais cético em apontar algum crescimento, pois se depende muito das oscilações cambiais e do desempenho da macroeconomia.

Araújo se mostra cauteloso também por se tratar de um ano eleitoral. “Trabalhamos ainda com mais cautela’’, pondera. Atualmente, a empresa produz um milhão de pares por ano e exporta cerca de 15% desta produção para 54 países somente com a marca Ferracini. De acordo com Araújo, as medidas antidumping adotadas em setembro de 2009 e prorrogadas neste mês não tiveram tanto impacto nos calçados masculinos. “Acredito que a medida tenha tido um impacto mais importante nos calçados femininos. No caso de Franca, onde predominam os masculinos, a medida vem mais como uma forma de prevenção, pois temos acompanhado um crescimento, embora tímido mas real, dos chineses que praticam dumping no nosso mercado”, comenta o gerente.

A Contramão (São João Batista/ SC), marca de calçados infantis, notou um bom crescimento no mercado interno durante 2009 apesar da crise econômica mundial que assolou boa parte do ano. É sob esta perspectiva de bons negócios, principalmente, no mercado doméstico, que o diretor Hermínio Osmar dos Santos prevê um 2010 de manutenção nos índices alcançados no ano de 2009 e incremento nas exportações. “Queremos enviar 10% dos nossos produtos ao exterior”, projeta Santos. Atualmente, a Contramão exporta 6% dos seus 2,5 mil pares diários, principalmente, para América Latina e Europa.

Já na produção, o empresário revela que, se ela aumentar, será somente no segundo semestre, quando poderá ter uma noção mais exata das vendas. Apesar do antidumping não afetar diretamente a empresa, que trabalha com moda infantil, ele ressalta que o mercado calçadista em geral tem se beneficiado com a sobretaxa do calçado chinês, principalmente, o de tênis.

Diego Rosinha/Jornal Exclusivo



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