A chegada dos produtos chineses por aqui tem causado desemprego na indústria brasileira. Cálculos da Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp) mostram que, no setor de vestuário - um dos mais intensivos em mão de obra -, o índice de pessoal ocupado era de 97,75 em 2003 (a base 100 é de 2002). Hoje, está em 69,72. Na indústria têxtil, o índice era de 100 em 2002 e caiu para 89,6 este ano.
“São empregos que não se recuperam facilmente”, avalia Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Têxteis (Abit). “E além de perder empregos estamos deixando de abrir novos postos de trabalho.” A Abit calcula que a cada R$ 10 milhões faturados a mais pela indústria têxtil, 1.400 postos de trabalho são criados.
A indústria calçadista brasileira sentiu ainda mais a força da China. O índice de ocupação de pessoal, que era 100 em 2002, foi reduzido a 63,9. “A crise financeira, aliada ao crescimento da participação chinesa no mercado brasileiro e no mercado mundial de calçados, provocou a redução de cerca de 36 mil postos de trabalho nos últimos seis meses”, estima Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Ainda segundo cálculos da Fiesp, no caso das indústrias têxteis e calçadistas, a diminuição do número de vagas veio acompanhada de uma redução na produção. Já no setor de móveis - que sofre concorrência chinesa em especial no mobiliário de escritórios - a produção subiu e mesmo assim o nível de pessoal ocupado regrediu. Foi de 100 em 2002 para 84,7 hoje. “O nosso setor anda muito combalido”, reclama José Luiz Fernandez, presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóveis).
Os industriais têm a mesma reclamação: juros altos e impostos idem. A reivindicação é, portanto, que o governo trabalhe para mudar esse cenário e ajudar na criação de empregos.
“Neste momento de crise, isso se faz ainda mais necessário”, reforça Pimentel, da Abit. “A China tem um excedente de produção e vai lutar para que seus produtos cheguem mais fortemente aos mercados. Com isso, a indústria brasileira, mesmo tendo uma qualidade superior à chinesa, pode perder ainda mais espaço.”
Jornal da Tarde - SP
ECONOMIA - 21/06/2009