Em 2003, a partir de sugestão da Delegacia Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul, a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para Couros e Calçados – Abrameq – e a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados – Abicalçados, formaram um grupo de trabalho com o objetivo de estudar medidas que poderiam ser implementadas em relação à segurança dos trabalhadores da indústria calçadista.
Foram identificadas cinco famílias para 75 tipos principais de máquinas e levantada a realidade destes produtos em relação à segurança. Um dos problemas detectados é que a Norma Regulamentadora n° 12, que trata deste tema, não tem regras específicas para calçados, apresentando somente cuidados genéricos. Isto faz com que existam muitas exigências para a indústria de calçados.
Marcelo Adriano, diretor-executivo da Abrameq, explica que se buscou a elaboração de regras que garantissem a segurança do trabalhador sem que se perdesse a competitividade das indústrias de máquinas e de calçados.
Para contribuir neste processo, a Abrameq e a Abicalçados conseguiram a parceria da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI, que viabilizou a vinda de uma perita européia para conhecer a realidade brasileira e apresentar propostas de harmonização das exigências brasileiras ao que existe na Europa.
A consultora Filipa Lima, do Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica – Catim, com sede na cidade do Porto, iniciou este trabalho dia 9 de junho e retornará nesta sexta-feira (20), levando consigo o que viu em quatro fábricas de calçados e cinco de máquinas, além de muita troca de informações com o perito brasileiro Eduardo Michelon, que está realizando este trabalho para a Abicalçados e Abrameq.
Avaliação - A perita portuguesa relata que a realidade que encontrou aqui é “bastante positiva, com soluções técnicas bem feitas, embora ainda sejam necessários avanços em alguns aspectos, sob a ótica das regras européias”. Acrescenta que as regras gerais existentes no Brasil são equivalentes ao que vigora na Europa, sendo “indicada a criação de normas específicas para o setor calçadista, para que a máquina brasileira não tenha dispositivos de segurança a mais nem a menos do que o necessário”.
Até agosto, Filipa deverá ter concluído um relatório com sugestões para as normas brasileiras de seguranças de máquinas. Suas propostas poderão ser incluídas no texto que o grupo de trabalho formado pela Abrameq e Abicalçados está elaborando para encaminhar ao Ministério do Trabalho. A idéia é de que a NR-12, que está em fase de revisão, contemple regras específicas para este setor, que sejam alinhadas com as exigências européias, referências mundiais em segurança.
Marcelo Adriano explica que estas regras, além de contribuírem para a maior segurança do trabalhador, deverão ajudar no ingresso de máquinas brasileiras em mercados como o da Europa. Acrescenta que “esperamos que as regras também sejam aplicadas nas importações de máquinas, evitando que entre no Brasil produtos que não ofereçam segurança a quem trabalha”.
Rogério Dreyer, diretor executivo da Abicalçados, afirma que este trabalho somente está tendo êxito porque “reuniram-se fabricantes de máquinas e de calçados, viabilizando o encontro de soluções práticas”. Adiciona que se trata de um trabalho contínuo, porque os processos de produção se alteram constantemente, através da implantação de novas tecnologias.
DISSEMINAÇÃO DE CONHECIMENTO - O diretor-executivo da Abrameq lembra que esta atividade faz parte de um processo, que contempla também o projeto Abrameq Tecnologia, uma parceria com o Sebrae, que está viabilizando a presença dos fabricantes de máquinas nos principais pólos produtores do Brasil, levando conhecimentos em segurança de máquinas, além de manutenção preventiva e gestão do processo.
A experiência acumulada neste projeto permitiu a elaboração de uma cartilha, com os conteúdos que estão sendo apresentados. Esta cartilha será lançada na próxima segunda-feira, em almoço, no W House (rua Ipiranga, 327 – bairro Rondônia – Novo Hamburgo).
Comunicação Abrameq - Adroaldo Diesel Filho
Comunicação Abicalçados - Caren Souza