Mesmo com preços pouco atraentes, importadores fecharam negócios e elogiaram calçado brasileiro
O Salão Internacional do Couro e Calçado (SICC), de 2 a 4 de junho, em Gramado/RS, foi palco para mais uma edição do Projeto Comprador Regional (PCR). Nove importadores de diferentes países vieram estreitar laços com empresas brasileiras, e durante os três dias da mostra foram afinando seus contatos. O distribuidor finlandês Petri Virjo gostou muito das marcas femininas e masculinas que conheceu no SICC, mas sugeriu que as solas fossem de borracha ao invés de couro, que é uma exigência dos consumidores na Finlândia. Ele fez pedidos em dez empresas e espera fechar em torno de US$ 500 mil em negócios nos próximos 12 meses.
O espanhol Jorge Vicente não se mostrou tão otimista, porém ainda pretende fechar muitos negócios com as fábricas nacionais. “Estou solicitando amostras, em um primeiro momento, mas os preços estão altos”, destacou. Ele gosta muito do design brasileiro e aprecia a qualidade. Por isso, solicitou amostras de quatro empresas e pretende fazer encomendas de aproximadamente US$ 500 mil dentro de um ano.
O preço foi o entrave mencionado pelo português Rogério Pereira, mas isso não impediu suas negociações . Ele solicitou amostras das marcas Stéphanie Classic, WW Designer e Valcen. Dentro de dois meses, Pereira projeta negociar, somente com a WW Designer, encomendas de 40 mil euros.
A importadora paraguaia Keiko Ono ficou muito satisfeita com a feira, pois encontrou produtos de qualidade superior às marcas brasileiras com as quais já trabalhava. Solicitou ao redor de 4,5 mil pares de amostras de uma empresa, que totaliza US$ 26 mil. Nos próximos 12 meses, ela projeta importar o equivalente a US$ 50 mil de contatos realizados na feira.
Novo nicho – Contrariando o pensamento de muitos expositores e compradores, o croata Vitomir Mustapic elogiou muito o formato do SICC, por sua dimensão reduzida. “Esta feira é ótima principalmente por ser pequena, pois os vendedores podem dispensar maior atenção e temos mais calma para fazer as negociações”, destacou. Para Mustapic, o sapato brasileiro hoje está entre os melhores do mundo no que se refere à qualidade e ao design. Ele solicitou amostras de cinco empresas, inclusive de uma marca de calçado sintético, embora este não seja seu foco. “Apesar de trabalhar somente com couro, gostei muito do acabamento desta marca”, frisou.
Comprador de calçados brasileiros há alguns anos, ele andou pelos pavilhões do Serra Park com seu roteiro traçado: primeiro, visitar as marcas com as quais já possui parcerias, depois conhecer as novidades. “Esse produto tem excelente design, qualidade e preço competitivo”, disse ele, testando um calçado da West Coast, de quem compra há algum tempo. Ainda que a grande maioria dos compradores esteja reclamando de preço, ele está feliz porque na Croácia o único concorrente forte deste estilo é o calçado italiano, cujo preço é muito mais alto. O distribuidor achou no Brasil um excelente parceiro comercial, uma vez que seu país precisa de uma diversidade de modelos para enfrentar o clima, que no inverno é de temperaturas muito baixas o no verão pode chegar a 40 graus.
Brasileira quer desbravar o mercado australiano
Ao criar uma empresa de atacado e uma loja de calçados, a brasileira Adriana Galanis tinha por objetivo prestigiar os produtos nacionais no concorrido mercado da Austrália, onde mora há quatro anos. Passados dois anos da abertura do primeiro negócio - representa a marca Klin (Birigui/RS) - ela mantém o projeto inicial e já aprendeu que o consumidor australiano é exigente, mas paga o preço cobrado por um bom sapato. E foi em busca de mais companhias que aceitassem trabalhar com poucos volumes e coleções diferenciadas que Adriana aceitou ao convite do Projeto Comprador Regional para visitar o SICC. No evento, encontrou coleções arrojadas e criativas e estudará algumas propostas tanto para representar como para vender na loja, localizada em Melbourne, uma das cidades mais populosas daquele País. Ao todo, Adriana atua com três fábricas brasileiras. Além da Klin, a loja oferece as marcas Renata Moraes (Três Coroas/RS) e Kea (São Paulo/SP).
Segundo Adriana, não é fácil trabalhar com o mercado australiano, devido à invasão dos produtos chineses, que são trazidos em larga escala pelo porto de Melbourne. A entrega acontece no máximo 15 dias depois do pedido enquanto os calçados procedentes do Brasil não chegam antes de 45 dias. Contudo, a maior dificuldade é o conflito de temporada, uma vez que as compras para o verão acontecem no primeiro semestre e as de inverno no período seguinte. “Exatamente ao contrário do que o Brasil produz”, comenta. Durante o SICC, ela procurou empresas flexíveis que pudessem alterar o seu ciclo de fabricação, além de aceitar a colocação de forros de couro nos sapatos. “Os australianos não gostam de produtos em sintético e são exigentes quanto ao conforto”, ensina.
Para atuar de modo mais direto na Austrália, a empresária optou por contratar agentes de venda locais, que conhecem melhor o modo de agir e pensar dos lojistas e consumidores. Como o custo de deslocamento destes profissionais é elevado, em virtude das distâncias entre as cidades, a comissão paga também é alta, em torno de dez por cento. “Eu tenho que trabalhar com uma margem pequena de lucros, caso contrário inviabilizo o preço final”. Ela aponta que a concorrência é muito acirrada. A Austrália tem três empresas que dominam a comercialização através das lojas de departamentos. “Elas trabalham com preços muito baixos e margens altas, o que limita o pequeno varejista, explica.
Sobre o Projeto Comprador, Adriana comenta que a iniciativa é excelente, pois possibilita uma aproximação maior entre lojistas e fabricante. A feira, por sua vez, apresentou produtos muito bons.
Austrália:
A economia australiana é uma das maiores e mais avançadas do mundo. Mesmo tendo somente uma população estimada em 21 milhões de habitantes é atualmente a 17ª maior economia do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em 2008, o Brasil exportou para aquele país 1,5 milhão de pares de calçados, 36% a mais em compraração com o ano anterior. O faturamento fechou em US$ 6,5 milhões, representando um acréscimo de 28,8%.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
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08/06/2009