Os lojistas de calçados de todo o Brasil aguardam com ansiedade a próxima edição da Couromoda (Feira Internacional de Calçados, Artigos esportivos e Artefatos de Couro), que ocorre de 12 a 15 de janeiro, no Anhembi (São Paulo/SP). A feira abre a temporada de negócios no setor de calçados, acessórios e confecções do ano atraindo as atenções de lojistas e distribuidores de todo o Brasil, além de importadores de mais de 70 países.
A mostra calçadista contará com 1,2 mil expositores, representando um universo de 3 mil marcas, em 80 mil m2 de feira, com lançamentos de inverno e também produtos de alto verão. “Vamos com intenção de comprar”, afirma Carlos Ajita, proprietário das casas Ajita (Maringá/PR). Com 21 lojas, o grupo, que têm hoje 55 anos, é considerado um ícone no mercado paranaense. De acordo com Ajita, mesmo com a aparente recessão, a postura do comércio tende a ser otimista. “O que a gente sente é que o mercado está meio recessivo”, diz. Segundo ele, o momento é de atenção, pois, embora o volume das vendas venha apresentando crescimento, o seu ticket médio tem caído.
Sobre o que pretendem comprar durante o evento, o empresário aponta como foco as novas coleções para a temporada outono/inverno. Segundo ele, os fabricantes parecem estar muito atentos em relação aos preços e ao seu repasse para os lojistas. “Eles têm buscado alternativas de materiais que venham a baratear o produto, mantendo a qualidade”, completa, citando como exemplo as botas com cabedal de couro e cano em material sintético.
Para Érika Kurisu, compradora da Azul Calçados (Itu/SP), o fechamento, ou não, de negócios durante a Couromoda dependerá das ofertas das empresas. “Como sempre vamos com a idéia de comprar, mas isso só irá se concretizar caso exista uma boa negociação com as indústrias”, comenta. Um dos grande motivos que leva a rede, que tem um total de nove lojas, a buscar por descontos, é o fato de participarem de uma associação de lojistas, que tem como objetivo conseguir melhor negociação de preços e prazos, podendo repassar esses benefícios para o consumidor final.
PESQUISA - Integrando o time dos otimistas, o gaúcho Claudir José Dullius, proprietário da rede de lojas Dullius (Bom Retiro do Sul/RS),hoje com 13 unidades espalhadas pelo Rio Grande do Sul, destaca, além das compras, outras metas a seremalcançadas durante a feira. Contato com fornecedores, percepção das tendências, comparativo nos preços e nos desenvolvimentos das fábricas também fazem parte da lista de afazeres. “Não tem como não ir”, completa, entusiasmado. Conforme o empresário, com a instabilidade do dólar e a retração do mercado, a questão dos preços é hoje uma incógnita. “Não esperamos grandes aumentos nos preços. Acreditamos sim, que as empresas façam ofertas de reposição das mercadorias de alto verão”, almeja.
Vendo a feira como grande meio de pesquisa, o comprador da rede de lojas Passarela Calçados (Jundiaí/ SP), Flávio Cunha, define a sua participação no evento como forma de conhecer o mercado. “Vamos com a intenção de pesquisar as tendências, mas dependendo da oferta estaremos aptos a fechar negócios”, argumenta. Cunha explica que, nessa época de veraneio, os valores tendem a baixar, o mercado estando ou não em crise. Por isso, defende a perspectiva de que só irá vender quem estiver em promoção. A rede conta com um total de 21 lojas, localizadas em oito cidades do interior do Estado.
Com o marcante número de 132 lojas espalhadas pelo País, a rede de calçados Paquetá (Porto Alegre/RS) é outra que pretende somente fazer pesquisa durante a Couromoda. De acordo com o gerente de compras José Paulo Golob, a feira servirá para conhecer as novas coleções e contatar novos fornecedores. Segundo ele, a instabilidade tende a afetar o comércio, principalmente, no primeiro semestre de 2009.
Roberta Accioly Gerhard/Jornal Exclusivo
Veículo: Exclusivo On Line
Seção: Comércio
Data: 07/01/2009
Estado: RS