Xangai – A Missão Prospectiva Brasil- Ásia, que teve início no dia 2 de agosto, em Hong Kong, chega ao seu destino final, Xangai. Durante o dia de hoje (9), o grupo de empresários, representando as marcas Albanese, Anatomic & Co, Democrata, Dumond, Miezko e Via Uno puderam aprender sobre o comportamento de consumo chinês, tendências do setor calçadista, design brasileiro e sistemas possíveis de logística para o mercado em um sessão de palestras que durou toda a manhã. Amanhã (10) o grupo irá expor os produtos das marcas no salão do Ritz Carlton, onde recebem compradores da região.
Monica Angelini, pesquisadora de mercado, apresentou uma palestra sobre o comportamento do consumidor na China e citou algumas classes que se destacam no mercado. Segundo ela, a mulher na China é uma mulher poderosa. Ela corresponde a 30% das classes rica e super rica. Ainda segundo Mônica, é importante considerar que o chinês costuma fazer negócios à mesa. “Se ele o convida para almoçar, pode ter certeza que tem interesse no seu negócio. O mesmo acontece com os caraoquês. É preciso entender a maneira deles de fazer negócios para que tenhamos sucesso aqui”, declarou.
Hoje existem cerca de 150 milhões de novos ricos na China e a previsão para 2020 é de que esse número cresça para 600 milhões, disse Monica. Segundo pesquisas, essa classe não consome produtos made in China, o que mostra uma grande oportunidade para as exportações de todo o mundo que têm a China como destino final. “O chinês é estimulado a mostrar que é rico, diferente do que acontece no Brasil, onde as pessoas têm vergonha de mostrar que têm dinheiro”, concluiu.
“O chinês vê o Brasil como um país mais pobre do que a China, que não tem nada que possa interessar pois não produz nada de luxo”, apontou Antônio Freire, CEO da Shangai Trends, que também participou do evento. Segundo ele, o trabalho de branding para a marca país é ainda mais urgente do que o investimento nas marcas de calçados. “O chinês precisa entender quem é o Brasil e vê-lo como um produtor de moda de qualidade e design”, declarou.
A segunda palestra do dia foi realizada pelo fashion designer Enesoe Chan. Ele classificou o luxo como “algo que você não precisa, mas paga muito caro para ter”. Chan destacou que é importante definir um luxo e um design brasileiros originais, não baseados nos ícones europeus ou americanos. “É importante que se traduza em moda as qualidades do Brasil, como a alegria e a descontração. É muito difícil uma marca brasileira competir com uma grande marca internacional”, ressaltou.
Para o designer, o Brasil deveria aproveitar as características que podem parecer clichê para outros mercados, como carnaval, futebol e Rio de Janeiro, para formarem uma boa imagem através desses ícones. “O chinês possui uma imagem positiva de Brasil, por isso, deve utilizar o que tem de mais conhecido e formar uma imagem forte, de luxo”, falou. Chan ainda ressaltou que o chinês admira a expressão brasileira, uma vez que eles ainda estão aprendendo a se comunicar.
A última palestra foi realizada por André Suguiura, gerente geral da LifeStyle Logistics. Suguiura falou sobre o incentivo do governo às exportações. “Até pouco tempo, era muito fácil abrir uma empresa para exportar e muito difícil abrir uma empresa voltada para o mercado interno. Hoje isto está mudando”, comentou. Lígia Liu, da Apex-Brasil, complementou que o governo chinês é muito ágil e flexível. É muito rápida a forma com que eles adaptam as tarifas de acordo com a demanda do mercado internacional.
O grupo de brasileiros elogiou qualificação dos palestrantes. “Quando fizemos a primeira missão, em janeiro, percebemos o potencial destes profissionais. Os questionamentos levantados pelo grupo foram muito pertinentes e é bom saber que temos brasileiros morando aqui e que compreendem a China com tanta clareza”, declarou Letícia Sperb, assessora de marketing do Brazilian Footwear.
A missão prospectiva é uma realização do Brazilian Footwear - Programa de Promoção às Exportações de Calçados, desenvolvido pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) em parceria com a Apex-Brasil (Agência de Promoção às Exportações e Investimentos).
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
Colaborou: Roberta Ramos
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