Os calçadistas brasileiros estão apostando no Oriente Médio. Depois de participar da Expo Riva Middle East, realizada em Sharjah em fevereiro deste ano, agora partem rumo à Footwear Expo, feira de negócios que ocorrerá em Dubai, de 3 a 5 de novembro, no Crowne Plaza Dubai. Calçados Malu, Luiza Barcelos, J. Jacometi e Francajel são as empresas que irão divulgar o calçado verde-amarelo nos Emirados Árabes Unidos através do Brazilian Footwear – Programa de Apoio às Exportações de Calçados, desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a Apex-Brasil.
“Não fizemos projeções de grandes vendas, por ser uma feira pequena, mas estamos intensificando as ações neste mercado”, ressalta Juliana Kauer, assessora de marketing do Brazilian Footwear. “É uma região de altíssimo poder aquisitivo e cuja produção de calçados é pouco expressiva, não cobrindo a demanda”, aponta. Além disso, ela explica que através da participação sistemática em eventos regionais é que o calçado brasileiro poderá se firmar em termos de relações comerciais. “Ainda estamos no início do processo, pois é a segunda mostra calçadista onde nos estaremos presentes na região, mas a tendência é que este mercado possa ampliar os negócios com o Brasil”, sublinha. Em 2009 as marcas brasileiras retornam à região, onde participarão da Expo Riva Middle East, que ocorre de 9 a 11 de fevereiro, na cidade de Sharjah.
EXPECTATIVA – Os expositores estão animados em relação ao mercado árabe. Conforme Túlio Hajel, da Francajel, a expectativa é excelente, uma vez que sua coleção está alinhada de acordo com o gosto do consumidor local. A Francajel esteve em Sharjah em fevereiro, quando realizou bons negócios com importadores da região. A empresa, localizada no estado de São Paulo, é especializada em calçados masculinos em couro de alta qualidade.
A Calçados Malu, que também produz a marca feminina Território Nacional, acredita que a participação em eventos locais é a melhor forma de se inserir no Oriente Médio. “Esperamos realizar ótimos negócios, pois estaremos com nossa coleção de verão, para a qual esperamos boa aceitação por parte dos países árabes”, destaca Fernando Schneider, do departamento de exportação. Ele ressalta ainda que a Footwear Expo tem excelente visitação de compradores locais, pois estes países não são prospectados nas outras feiras que a Calçados Malu participa. A fábrica está localizada na região do Vale do Sinos, um dos principais pólos fabricantes de calçados femininos do Brasil.
MERCADO – O Brasil exportou para o Oriente Médio, de janeiro a setembro deste ano, 3,1 milhões de pares (o triplo dos embarques totais de 2007, quando foram enviados um milhão de pares para este mercado) a um preço médio de US$ 10,25, gerando uma receita de US$ 32,5 milhões. Segundo os dados da Abicalçados, aquela região detém 2,49 por cento do total exportado pelo setor. Os Emirados Árabes foram os principais compradores, com um milhão de pares.
A região do Oriente Médio abriga cerca de 270 milhões de habitantes, distribuídos em 15 países: Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia.No entanto, devido a sua influência e características específicas, podem ser incluídos países direta ou indiretamente envolvidos nas questões relacionadas ao Oriente Médio, mesmo que estes extrapolem os limites geográficos dos países acima relacionados. São os casos do Paquistão, do norte e nordeste da África (Egito, Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Etiópia, Somália, Djibuti e Sudão) e das ex-repúblicas soviéticas islamizadas (Turcomenistão, Azerbajão, Tadjiquistão, Usbequistão, Quirguistão e Casaquistão).
Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, possuem apenas oito fábricas, que juntas produzem 250 mil pares por ano. O comércio de calçados está dividido em 30% de calçados femininos, 30% de calçados masculinos e 40% em calçados infantis. De 2000 a 2005 as importações de sapatos naquela região triplicaram, passando de 56 milhões de euros para 158 milhões de euros. Normalmente, os agentes ou importadores também são os distribuidores dos produtos. O consumo fica entre quatro a cinco pares per capita e os sapatos de couro representam quase metade das vendas, sendo que o restante está dividido entre sapatos de plástico, borracha e tecido. O mercado interno nos países da região (Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein e Omã) é estimado em US$ 1 bilhão.
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