Mostra conta com boa visitação em sua primeira edição
Os corredores do Pavilhão do Polo Empresarial Jauense, que abriga a primeira edição da Jaú Trend Show até o próximo dia 29 de maio, transpira entusiasmo. Num momento que não era propício para vendas, em um polo calçadista de enorme potencial produtivo que estava carente de uma feira regional, a mostra veio para batalhar contra a retração das vendas do setor. Com 84 expositores e uma visitação especializada além da esperada, o evento já é um sucesso, um sucesso que será reeditado em novembro próximo, como um pré-lançamento das coleções de outono/inverno 2010.
A gerente comercial da Daleph (Jaú/SP), Magali Boza Soave, avalia que a feira surpreendeu em todos os aspectos, desde a boa estrutura até a visitação especializada. “Tivemos visitantes de todas as partes do Brasil, de Manaus ao sul do País”, comemora. Magali sabe que a mostra ainda pode evoluir mais, devido à estrutura organizacional e a força do cluster calçadista do polo jauense. “Sempre defendemos a volta de uma feira regional e agora temos de volta essa oportunidade”, afirma.
A gerente revela que, na próxima edição, com certeza estará presente. A estimativa de Magali é de que sejam comercializados cerca de um mês de produção. A empresa, que já tem lançamentos de verão há três semanas na rua, espera a oportunidade para “afinar” sua coleção para o lançamento oficial da coleção na Francal, que ocorre entre os dias 14 e 17 de julho, em São Paulo/SP. Ao todo, a Daleph apresenta oito linhas na mostra jauense. Magali se diz empolgada também com a visita de importadores e salienta o fato de eles terem vindo “por conta própria ao evento, o que sinaliza que foi muito bem divulgado”.
Para a Ferrucci (Jaú/SP) o discurso é o mesmo. “A feira pegou”. Foi esse o resumo do gerente de marketing da empresa, Marcelo Fradim. Segundo ele, além de ser uma oportunidade real de negócios, a Jaú Trend Show serve como um pré-lançamento para a Francal, mostra da qual a empresa participa. “Fechamos negócios importantes e deixamos alguns engatilhados para o pós-feira”, revela. Fradim se mostra surpreso com a movimentação e explica que a empresa não havia feito estimativas de vendas justamente por esta ser a primeira experiência em eventos na cidade.
“Viemos de uma forma muito modesta e nos surpreendemos pelo volume de negócios e pela especialização dos visitantes”, avalia o gerente. A indústria, que fabrica 3,5 mil pares diários, foi afetada pela recessão internacional, mas ainda assim continua investindo em qualificação, tanto de equipamentos quanto de pessoal. “Quando temos que enfrentar uma onda grande, temos que jogar uma onda ainda maior para vencê-la e é o que estamos fazendo”, analisa o empresário, ressaltando que há quatro meses mantém uma parceria com a Cheverly Assessoria Industrial (Campo Bom/RS) para enxugar custos desnecessários e otimizar os processos de fabricação e entrega da empresa.
A Ferrucci também inovou na criação de opções de vitrines para o lojista. “Hoje o varejista pode fazer toda a sua vitrine com nossos produtos”. Para a feira a empresa trouxe nove coleções que perfazem 115 modelos diferentes e que podem, dependendo da demanda do cliente, serem multiplicados para composição de vitrines. Atualmente a empresa exporta cerca de 5% de sua produção para países da Europa, Ásia, América Latina e África.
Lojistas destacam potencial de Jaú
O entusiasmo também é dos varejistas que visitam a feira jauense. Os diretores do Shopping Empório do Calçado (primeiro centro de compras de lojas de fábricas calçadistas de Jaú na cidade de São Paulo/SP), Luiz Gonzaga Netto e César Lopes, ressaltam a qualidade e organização do evento. “Viemos sentir a feira e estamos muito satisfeitos. A mostra tem tudo para crescer, pois conta com uma estrutura muito boa e um empresariado que comprou a ideia”, prevê Netto. O empreendimento possui 30 lojas, todas de indústrias calçadistas jauenses, grande parte presentes no evento.
O lojista Juan Silveira Andrade, da Estação Dez (Sorocaba/SP), além de fazer coro aos demais expositores ouvidos pela reportagem, salienta a importância de se comprar antes do lançamento “oficial” na Francal. “Viemos efetivamente para fechar negócios. Se comprarmos na Francal receberemos só no final de agosto, e aqui vamos receber logo no começo de agosto”, comenta.
Fabrízio Blanco, diretor da D'Aluízio Calçados, veio de Manaus/AM para prestigiar o evento. “A feira está muito boa por ser a primeira. Lógico que tem algo a melhorar em estrutura, mas acredito que isso vá acontecer nas próximas”, opina. Segundo o empresário, o evento somente peca num sentido que é, justamente, na sua proposta original. “Estou vendo muito inverno. Esperava que tivesse mais lançamentos de verão, já que em Manaus é quente o ano todo”. Mesmo assim ele revela que já comprou 100 pares e já tem outros 400 comprados de empresas jauenses para a estação mais quente do ano.
Diego Rosinha, de Jaú