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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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27.10.2008
Indústria deve mudar estratégias comerciais
 

As opiniões são variadas sobre uma crise econômica mundial que ainda não pode ser realmente medida e que parece distante do seu desfecho. O que o setor calçadista mais tem sentido nas suas receitas é justamente as constantes oscilações do dólar, o que provoca incerteza tanto para a exportação, quanto à importação. A Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) alerta que a questão é delicada, mas que o Brasil deve sair fortalecido da crise.
O presidente da entidade, Luis Amaral, ressalta que o Brasil há alguns anos já vem trabalhando com déficit na balança comercial de componentes para calçados. No último ano, conforme dados da Assintecal, a balança comercial do Brasil no setor de componentes para couro, calçados e artefatos apresenta-se deficitária.
O déficit acumulado na balança comercial brasileira de componentes até setembro de 2008 foi de US$ 596.623.696,00. Agora, segundo o presidente, existe a possibilidade de se inverter esse quadro dependendo do posicionamento do dólar, o que pode ser salutar para a indústria de componentes brasileira. “Muitos insumos importados não encontram substitutos no Brasil, mas uma boa parte é fabricada aqui. Com a alta do dólar, a tendência é de que algumas indústrias calçadistas passem a comprar mais no mercado interno”, analisa o dirigente, lembrando que só os associados da entidade fabricam 1,6 mil diferentes insumos para a indústria calçadista. Amaral salienta que, embora o valor do dólar esteja elevado, a situação é muito mais confortável para a indústria exportadora do que com o dólar a R$ 1,60, como chegou a registrar no ano. “Trabalhamos com duas visões macroeconômicas. Ou o dólar dispara e vai a R$ 2,70 ou cai a R$ 2. Dificilmente ele chegará a desvalorizar mais do que isso até porque o governo tem como segurar, embora de forma limitada, essas oscilações”, prevê.
Na primeira situação, o risco ficaria por conta de uma pressão inflacionária por causa das importações e, na segunda, iria piorar a situação para exportação. Quanto aos reajustes de preços por causa do dólar, Amaral explica que eles já estavam em curso por causa da escassez desses insumos no mercado mundial. “A demanda estava maior que a oferta e isso, evidentemente, refletiu num aumento dos preços na própria moeda norte-americana”, afirma. O aumento da demanda, segundo ele, é pela diversificação de mercados. “A borracha que antes era utilizada no calçado, já está sendo utilizada para asfalto. Isso aumenta muito a procura e acaba faltando esse insumo no mercado”, exemplifica.
O dirigente avalia, ainda, que a crise pode ser uma oportunidade de destaque para o Brasil no cenário mundial. “Tenho uma sensação bastante otimista. Esse momento pelo qual passa a indústria já ocorreu em diversas oportunidades e o setor soube lidar com isso em situações mais adversas. O mercado globalizado sempre aparece com uma surpresa por dia e, geralmente, ela é negativa. Não se trata de nenhum mar de rosas, mas creio que a nossa indústria está muito bem preparada e pode sair fortalecida desse processo”, analisa Amaral.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou-se através da sua assessoria de imprensa julgando ser muito cedo para uma análise mais detalhada desse processo de aumento de preços dos insumos importados até porque muitas empresas costumam fazer um processo de travagem de câmbio com antecedência. Para a entidade, os reflexos das oscilações cambiais só poderão ser sentidos no próximo período, quando se fixarem novas taxas de câmbio.
Mercado externo é de risco A avaliação é do diretor de compras da Agabê (Franca/SP) Francisco Carlos Reis. Segundo ele, atualmente a indústria tem diminuído sua importação de insumos para fabricação de calçados por causa da valorização da moeda norte-americana. As oscilações pegaram de surpresa a empresa que deixou de exportar em dezembro do ano passado pelo motivo contrário, a desvalorização da moeda norte-americana. Atualmente comprando mais insumos no mercado interno, a indústria busca no exterior, principalmente na Itália e na Índia, materiais como couro de porco e poliuretano.
Agora com a nova alta do dólar, Reis ressalta que a estratégia de comércio exterior deve mudar novamente. “Estamos refazendo contatos com mercado internacional para voltar a exportar”, afirma o diretor, ressaltando que a empresa já chegou a exportar 80% da sua produção em 2005, quando produzia mais de 10 mil pares diários. Atualmente a indústria, que sofreu um forte abalo em novembro de 2007, quando sua unidade em Fortaleza/CE foi destruída por um incêndio, produz 1,5 mil pares por dia em sua unidade em Franca/SP.
Sérgio Baccaro, gerente de marketing da West Coast (Ivoti/RS), avalia que a alta do dólar deve influenciar os preços na próxima coleção de inverno, que será apresentada na Couromoda 2009, em São Paulo/SP. “Já estamos recebendo pedidos de fornecedores internacionais para reajustar os preços. Isso vai resultar, por mais que se negocie, em um repasse para o mercado de calçados”, revela. De acordo com Baccaro, apesar de buscar fornecedores no mercado interno, o tempo é muito curto para conseguir insumos e tocar a produção. Segundo ele, a empresa ainda não sabe se é uma boa idéia trocar de fornecedores nessa hora, justamente pelas oscilações constantes da moeda norte-americana. “Daqui há pouco o dólar baixa novamente”, comenta o gerente. Ele informa que a West Coast importa uma parte “substancial” de insumos para a fabricação dos seus 2,5 milhões de calçados anuais.
Quanto aos embarques internacionais, que correspondem a 30% da produção, Baccaro afirma que a estratégia é manter os mercados até a economia se estabilizar. “Como toda a crise, é passageira. O difícil é saber quanto tempo leva, se nem mesmo acionistas de grandes bancos estão conseguindo prever isso. Mas de qualquer forma acredito que o empresariado brasileiro já tem mais facilidade para se adequar às dificuldades do que o empresário dos países de primeiro mundo já que praticamente temos uma crise por ano no setor”, conclui o gerente.

Veículo: Exclusivo On Line
Seção: Economia
Data: 24/10/2008
Estado: RS
Diego Rosinha/Jornal Exclusivo



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