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Consumindo de Salto Alto
 

A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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27.06.2011
Francal 2011: Abicalçados reforça pedido de extensão da tarifa antiduping
 

Milton Cardoso tomou posse da presidência do Conselho Diretor da entidade pedindo que o Governo Federal tome atitude em relação à triangulação das importações


A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) reforçou o pedido de extensão da tarifa antidumping para países que estão praticando a triangulação durante a cerimônia de abertura da Francal 2011 - Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios na manhã desta segunda-feira (27). Na ocasião, Milton Cardoso tomou posse como presidente do Conselho Diretor da Abicalçados para o biênio 2011/2013 e reiterou a necessidade de o Governo Federal intervir nesta prática, sob pena de gerar uma drástica redução nos níveis de emprego do setor calçadista e “mandar para outros países a produção nacional”.

“Os problemas estão do portão da fábrica para fora”, comentou o dirigente ao apresentar os níveis de produtividade das empresas calçadistas, responsáveis por 4,5% dos empregos da indústria de transformação do País. Terceiro maior produtor de calçados do mundo, o Brasil possui 9.178 mil fábricas, distribuídas em 24 Estados, que empregam formalmente 350 mil pessoas. “Nos 150 municípios mais importantes para o setor, temos 30% de todos os empregos com carteira assinada, onde vivem 5 milhões de brasileiros”, enfatizou Cardoso.

Chamando novamente a atenção do Governo, o executivo disse acreditar que existe espaço para reverter a situação pela qual passa o setor. Em oito meses consecutivos, a produção apresentou decréscimo, segundo dados do IBGE. No mês de maio, também houve queda no número de contratações, conforme o Caged: menos 3,4 mil vagas, na comparação com abril deste ano. “O comércio tem se mantido com crescimento forte, mas precisamos tomar uma atitude em relação à entrada ilegal de calçados oriundos da China.”

Com a aplicação da tarifa antidumping contra o calçados chineses, as importações da China declinaram, porém houve um aumento significativo da entrada de sapatos procedentes de países que não são tradicionais fabricantes. As importações de calçados do Vietnã, por exemplo, aumentaram 284% de janeiro a maio de 2011 ante o mesmo período de 2008. Já a entrada de calçados vindos da Indonésia cresceu 688% de janeiro a maio de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008. Aparecem ainda nesta lista Malásia, Paraguai, Taiwan, Hong Kong e Estados Unidos.

“Protocolamos um pedido de investigação da triangulação durante a Couromoda, em janeiro, e ainda não aconteceu nada. O maior problema é que a tarifa antidumping é falsificada pela origem”, salientou o dirigente. Cardoso frisou que embora o Brasil tenha duas portarias que exigem o certificado de origem, não há fiscalização na entrada dessas mercadorias. “Falsificar o antidumping é muito fácil. É só criar um documento que ninguém fiscaliza”, alertou.

Discrepâncias que também podem ser vistas nas estatísticas oficiais de 2010. Enquando o governo chinês diz ter exportado para o Brasil 13 mil toneladas, o equivalente a 38 milhões de pares, o Governo Brasileiro tem registrado a importação de apenas 3 mil toneladas de produtos daquele país, isto é, 9 milhões de pares. “O absurdo é que as estatísticas oficiais do Brasil são inequívocas. É inacreditável que estejamos passando por isso no Governo Dilma. É uma surpresa para mim. É o nível aberto, descarado e impune dessa fraude que vai levar nossa produção para fora. Mas eu ainda tenho esperança.”

Expectiva - Confiante, o presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, abriu a mostra com grande expectativa de negócios. Apoiado pelo crescimento de 10% das vendas no varejo neste primeiro semestre de 2011, Abdala ressaltou que espera um aumento igual ou maior nos próximos seis meses. Mas, conforme ele, “nem tudo é ceu azul”. “Temos esse fantasma da importação predatória. O antidumping está sendo burlado e as nossas autoridades estão avisadas”, disse.

O presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Carlos Ajita, aproveitou para detacar o novo posicionameto do consumidor, que hoje procura por produtos diferentes, com design e qualidade. “As exigências estão cada vez maiores e, com isso, a excelência precisa ser uma constante”. A entidade espera um aumento de 10% na comercialização de sapatos este ano. Em 2010 houve um crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

Participaram da cerimônia de abertura da Francal autoridades, políticos e representantes de polos calçadistas brasileiros. A mostra ocorre até o dia 30 de junho, nos pavilhões do Anhembi, em São Paulo/SP, reunindo mais de mil expositores.

ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
27/06/2011



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