Riva Del Garda – Em cada estande brasileiro visitado na Expo Riva Schuh – feira calçadista que iniciou dia 12 e vai até amanhã (15) em Riva Del Garda/Itália, estão visíveis as mudanças de comportamento tanto de fabricantes como de compradores. Da parte dos expositores nacionais, há o esforço em mostrar produtos de alto valor agregado, visando à diferenciação diante dos concorrentes orientais e fazer frente ao cada vez maior Custo Brasil, que aliado à defasagem do euro, eleva em demasia o preço das tabelas. Por outro lado, os importadores também passaram a ser mais cautelosos na hora de escolha, uma vez que em países potenciais agora sentem ainda mais a crise econômica global.
Contudo, mercados como a Grécia, que teve suas dificuldades acentuadas nas últimas semanas, é um dos países que vem mantendo os níveis de compra para alguns dos expositores. “Na estação passada, de inverno, nós elevamos o volume exportado para nosso comprador grego. Porém, este novo período ainda é uma incógnita porque é agora que a crise interna terá mais reflexo”, aponta Felippe Fleck (foto), representante da Calçados Piccadilly (Igrejinha/RS). Porém, ele comemora a visita dos distribuidores de Malta e Canadá e a presença inesperada de libaneses. “Nossos lançamentos estão corretos, centrados no conforto com uma nova proposta de design, tornando os modelos mais modernos e arrojados. Sabemos quando eles estão corretos quando o importador fica em dúvida sobre quantos modelos escolher, pois ele tem uma limitação de quantidade, mas quer comprar acima dela”, ensina. Fleck observa que o novo foco da marca é importante, pois traz mudanças que envolveram muito investimento, cujo retorno é necessário para fazer todo o sistema girar.
A mesma atitude foi adotada pela marca Capelli Rossi (Igrejinha/RS), que apostou ainda mais em uma nova técnica de conforto para os calçados femininos, feitos totalmente em couro. Segundo a representante Edela Land, o preço do produto está elevado, mas o cliente não vai deixar de comprar, porque sabe que não vai achar o mesmo produto em outro lugar. “Eles estão diminuindo as margens de lucro ou compram menos, mas não querem perder um bom fornecedor”, destaca. Ela avalia que o mercado está em crise por fatores mundiais e o problema maior está onde há mais consumo. Países não tradicionais, como Malta, Ilhas Reunião, Síria e Cazaquistão estão comprando quase normalmente, porque os reflexos da crise são diferentes. A atitude das organizações, na sua opinião, é aprimorar cada vez mais os serviços que envolvem uma venda. No seu caso, que mantém uma empresa terceirizada que atua com várias marcas, é auxiliar o cliente em todas as frentes, até o produto chegar à loja. “São ações que até pouco tempo poucas empresas faziam, mas esta mudança de comportamento é vital para nos manter no mercado”.
A marca Stéphanie Classic (Três Coroas/RS) também investiu na elevação da qualidade e do design para ficar em igualdade com os produtos oferecidos por concorrentes como a Itália e a Espanha. Porém, a desvalorização do Euro, somada aos custos mais elevados para sofisticar a coleção e a locação de um estande individual, tornou a negociação com os importadores bastante difícil durante a Expo Riva Schuh. “Eu estava com mais expectativa em relação à feira, mas nosso preço realmente ficou muito alto”, diz Fábio Spohr, diretor de exportação. Contudo, fez cinco novos contatos que serão visitados no pós-feira. “O importante é persistir, porque estes problemas já fazem parte do trabalho das empresas que investem na exportação”, comenta.
Outra empresa que modificou radicalmente suas operações foi a ADG Export (Dois Irmãos/RS). Há oito meses, passou a fabricar a totalidade da produção de calçados infantis da marca Peche d´amour no Brasil. Antes, a produção era feita na Índia. E nesta Expo Riva Schuh traz a primeira coleção completa desenvolvida e produzida no país. “O preço no Brasil é mais caro, mas compensa pela alta qualidade e pontualidade de entrega”, explica Alex Giteau, diretor de desenvolvimento. Para produzir a coleção, fechou uma parceria com a Calçados Wirth, também de Dois Irmãos, que é representada na Europa pela própria ADG, que mostra na Expo Riva os tradicionais mocassins Wirth, além das marcas Masiero (Três Coroas/RS) e Franco Giorgio (Franca/SP). “Todas têm produtos de alto padrão de qualidade e fizeram muito sucesso na feira. Clientes da Bélgica e França realizaram diversos pedidos, que somaram mais de sete mil pares”, comemora Giteau. Segundo ele, a crise mundial existe, mas há oportunidade para todos e o consumo não deixou de existir. “Vários clientes da Grécia compraram na feira. Uns compraram menos ou produtos de menor preço, mas houve negócios”, afirma.
Estão expondo na Expo Riva Schuh 18 empresas brasileiras, com o apoio do Brazilian Footwear – Programa de Promoção às Exportações desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a Apex-Brasil. Participam do estande institucional do Brazilian Footwear as marcas Carrano, Bottero/Madeira Brasil, Miucha, Pegada, Piccadilly e Renata Moraes. Em estandes individuais estão as marcas ADG Export, Andacco, Bibi, Capelli Rossi, Cristófoli, Klin, Pampili, Ramarim, Stéphanie Classic, Tradefort, Werner, Wolpco e Mormaii.
Elizabeth Renz
Assessora de Comunicação Abicalçados/Brazilian Footwear
14 de junho de 2010