O cenário do setor coureiro-calçadista vem melhorando, os negócios estão conquistando novo ritmo, mas ainda falta o grande passo, ou empurrão definitivo para que o receio de uma nova recaída fique para trás. E esse passo pode vir com a 34ª Fimec - Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componentes, Máquinas e Equipamentos para Calçados e Curtumes, que acontece de 13 a 16 de abril, no Parque de Exposições da Fenac, em Novo Hamburgo/RS.
Para fabricantes de calçados e artefatos, a Fimec pode confirmar o sentimento de que a realidade vivida nesse primeiro semestre de 2010 é bem distinta a enfrentada no mesmo período do ano passado. No entanto, mesmo com as estatísticas a favor, o temor de novas intempéries ainda existe. Há o entendimento de que uma boa feira agora pode demover os empresários receosos a seguir investindo e acreditar no potencial de retomada que o mercado tem oferecido.
O gerente de produção da Calçados Masiero (Três Coroas/RS), Omiro Drehmer, acredita que a Fimec será o termômetro do setor. Ele salienta que a empresa tem obtido bons negócios nesse início de ano. Porém, confirma que ainda há o receio de novas oscilações. Uma feira com um bom volume de negócios e contatos profissionais, nesse momento, pode confirmar os indícios de um 2010 favorável ao setor calçadista. Ele destaca que a empresa aposta em pesquisas que apontam a recuperação do mercado. Entretanto, Drehmer destaca que o foco da visita na mostra está na pesquisa de tendências, em especial de novas tecnologias em máquinas. “Mesmo que não compremos uma nova máquina agora por não precisar nesse momento para produzir determinada coleção, quando precisarmos já sabemos quais os fornecedores que podem oferecer determinado maquinário. Isso facilita no planejamento”, afirma.
OPORTUNIDADE - Para o diretor da Bolsas Emme Picada Café/RS), Ingo Gaelzer, a Fimec proporciona aos fabricantes confirmarem, entre tantas tendências, aquelas que de fato a maioria dos fornecedores estão apostando com maior veemência. Com o foco total na pesquisa de oportunidades em couros, Gaelzer afirma que o alvo são as peles com um bons desempenhos e preços. Além disso, diante de uma crescente necessidade de agilidade nos processos de produção e entrega, conhecer fornecedores que garantam entregas em espaços curtos de tempo passa a ser uma busca constante.
Gaelzer destaca que o mercado já poderia estar em novo patamar nesse início de ano, senão fosse o receio que ainda há de investimento. Ele destaca que lojistas que apostaram na compra de artefatos com design arrojado produzidos pela empresa estão contabilizando bons negócios. Já os que se fixaram em produtos mais básicos ainda não conseguiram elevar as receitas de forma considerável.
DATA - A estilista da Kidy (Birigui/SP), Joana Guirado, classifica a Fimec como uma feira maravilhosa, porém com uma data ruim. Segundo ela, para as empresas que seguem a tendência de mercado de antecipar o lançamento de coleções a feira fica um pouco deslocada. O ideal seria que ela fosse puxada para fevereiro, o que daria margem para as empresas buscarem as amostras, testarem na confecção das coleções e iniciar a produção.
Nesse cenário, Joana afirma que as eventuais aquisições da empresa na mostra ficam reservadas aos reforços das coleções de primavera-verão. “Começamos a desenvolver a coleção de verão em novembro. As empresas de componentes já têm as informações de moda em fevereiro, o que não inviabilizaria uma antecipação. Com isso, acredito que a feira pudesse ter mais sucesso”, pondera a estilista.
Joana confirma que o foco da visitação da empresa na Fimec será pela busca de eventuais novos fornecedores. O alvo da visita será pela busca de novidades em aviamentos e acessórios. “A oportunidade de reunir em único local tantos fornecedores para as empresas de polos mais distantes do Sul é muito bom e importante”, frisa Joana.
Cristofer de Mattos/Jornal Exclusivo