A International Footwear and Leather Show (IFLS), que iniciou dia 4 e encerra-se hoje (6), em Bogotá/Colômbia, demonstrou que o calçado brasileiro tem condições de aumentar a sua participação naquele país. As sete empresas nacionais que expõem na mostra realizaram vários contatos e há forte expectativa de incrementar os negócios. Carlos Freitas, gerente de exportação da marca Try On, produzida pelo Grupo Dass Sul (Ivoti/RS), aponta que a feira permite o contato direto com o lojista de pequeno e grande porte. A empresa havia participado na IFLS há alguns anos e agora decidiu retornar porque percebeu que é a única maneira de entrar no mercado colombiano. “Nosso objetivo é contratar um distribuidor local, que possa dar andamento aos contatos realizado, efetivando as vendas”. Segundo Freitas, a coleção da Try On agrada muito aos colombianos e lojistas dos países vizinhos, porque apresenta solas diferenciadas, coloridas, bem ao gosto do consumidor.
As marcas Bottero/Madeira Brasil, Século XXX (calçados femininos), Try On (esportivos), Pimpolho e Pampili (infantil), Mariner (masculino) e Jr Solados (sapatos femininos e componentes) têm sua presença organizada pela Francal Feiras por meio do Brazilian Footwear – Programa de Promoção às Exportações, desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e Agência Brasileira de Promoção às Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Preços - Yasmin Prada Ibanez - distribuidora das marcas brasileiras Mariner e Pampili, que expõem na feira, e também da Ramarim e Dakota - trabalha há seis anos com calçados brasileiros. Ela observa que os preços em anos anteriores já foram melhores e era mais fácil vender. “Ainda assim os produtos brasileiros apresentam todos os requisitos necessários para o mercado colombiano: qualidade, design e conforto”, apontou. Segundo ela, o consumidor colombiano é muito conservador, inclusive as mulheres, preferindo sapatos mais fechados e cores clássicas.
Conforme Yasmim, a participação na feira é importante para fazer contatos com os pequenos lojistas, pois é difícil visitar a todos em seus locais de trabalho. “Os grandes, já conhecidos, vêm à feira, mas sempre existe a possibilidade de contatá-los em seus escritórios.”
Perfil do consumidor colombiano favorece a indústria brasileira
Em linhas gerais, o perfil de consumo de calçados da Colômbia favorece muito a produção brasileira. Além da proximidade geográfica, a modelagem do calçado nacional e a compensação de impostos indicam que é um mercado a ser visto com total atenção. A distribuidora Yasmin Ibañez sustenta que as fábricas colombianas não produzem o suficiente para atender ao mercado interno, importando um contingente de calçados – maior parte, atualmente, oriunda da China. O comércio de calçados é formado em sua maioria por lojas especializadas, que vendem apenas sapatos e acessórios. Existem grandes redes, como Spring Step, que tem 350 lojas, e Calzatodo, com 180 pontos de venda. Mas há outras lojas de menor porte.
Junto às grandes cadeias, Yasmim atua com representação, negociando vendas diretas entre a fábrica e o lojista. “Porém, para as pequenas empresas é fundamental o trabalho de distribuição, ou seja, a compra e revenda interna, em quantidades menores”, justificou. De um modo geral, as lojas vendem os produtos com as marcas brasileiras, que são bem reconhecidas e aceitas no mercado.
O clima da Colômbia é muito favorável aos produtos brasileiros, pois tem estações semelhantes ao do Brasil. O imposto de importação está em oito por cento e tende a baixar em virtude de um acordo entre os países, enquanto que a tarifa para os demais países está em 20%.
O Brasil tem possibilidade de crescimento no segmento médio, na faixa de preço FOB de US$ 20,00 calçados masculinos e US$ 14,00 para os femininos. Porém, no segmento de valor agregado e preço alto, o mercado é muito restrito. “São poucas butiques e a maioria oferece seu próprio design, tanto na roupa quanto no calçado e acessório”, arrematou Yasmin.
Conforto - Embora acabe sempre esbarrando em um preço pouco competitivo, o calçado infantil brasileiro é muito respeitado em solo colombiano. Sua qualidade e conforto são apreciadas pelos consumidores locais, principalmente quando apresentam o selo do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro e Calçados (IBTeC).
Imagem - Alonso Stefani, da Stefani Export, agente da Mariner para alguns mercados da América Latina, inclusive a Colômbia, esteve presente na feira para fortalecer a imagem da marca no país, que já é vendida em muitas lojas, principalmente nas maiores cadeias.
De acordo com o agente, o trabalho tem que ser reforçado no pequeno cliente, pois as vendas não podem ficar na dependência de poucos lojistas, mesmo que sejam grandes. “É deste modo que a marca irá se expandir e estabilizar-se em termos de negócios contínuos e permanentes”, diz Alonso, que conta para isto com a experiência de Yasmin. “A parceria com um bom distribuidor, neste caso, é fundamental,” acrescenta Alonso, pois este profissional conhece os costumes locais, a cultura, o modo de compra, dentre outras informações importantes.
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Agosto/2009