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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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07.06.2010
Falta de qualificação mantém vagas abertas
 

Emprego: Formação deficiente dificulta preenchimento de postos de trabalho, principalmente no Nordeste
 

O aquecimento da economia derrubou o desemprego em todo o país nos últimos meses, mas o nível de desocupação ainda mostra grandes disparidades regionais. Em Porto Alegre, a taxa ficou em apenas 5,4% em abril, menos da metade dos 11,2% registrados em Salvador e também muito abaixo dos 9,1% de Recife. Nos três casos, é o menor nível para um mês de abril desde o começo da atual série histórica, iniciada em 2002. Apesar da diferença entre as taxas de desemprego, as três cidades enfrentam hoje o problema da falta de mão de obra qualificada.

Na região metropolitana de Porto Alegre, a construção civil e a indústria calçadista puxam o emprego, levando as empresas a ter que disputar funcionários com os concorrentes e até mesmo com companhias de outros setores. Em Salvador e Recife, a construção civil sofre com a falta de especialização dos empregados, situação que também afeta o setor de teleatendimento. Em comum, segmentos altamente intensivos em mão de obra.

Para o economista Adriano Pitoli, da Tendências Consultoria Integrada, o desemprego estruturalmente mais elevado nas duas regiões metropolitanas do Nordeste se deve à falta de qualificação de uma parte significativa da mão de obra. Não por acaso, em Salvador, uma empresa de call center relata dificuldades para encontrar atendentes qualificados devido à "defasagem escolar".

Segundo Pitoli, uma possível explicação para o desemprego mais baixo em Porto Alegre é que lá a situação é oposta à do Nordeste: a população em média é mais qualificada. "A região Sul tem indicadores educacionais bem melhores", lembra ele. Ainda que hoje empresas gaúchas enfrentem problemas para encontrar profissionais preparados, a falta de mão de obra especializada não seria crônica como no Nordeste.

Em abril, a taxa média de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE atingiu 7,3%, também o nível mais baixo para esse mês desde 2002. Feito o ajuste sazonal, o nível de desocupação em abril ficou em 6,7%, a menor da série histórica. Além das áreas metropolitanas de Porto Alegre, Salvador e Recife, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE também mostra a situação em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
 
No RS, empresas disputam funcionários

Sérgio Bueno, de Porto Alegre

Beneficiada pelo forte ritmo de contratações em segmentos como indústria de calçados e construção civil, a região metropolitana de Porto Alegre registrou o menor índice de desemprego do país, 5,4% em abril, o que está exigindo criatividade dos empresários locais para lidar com a baixa disponibilidade de mão de obra. Entre as estratégias adotadas pelas empresas estão salários maiores, investimentos em treinamento, recrutamento em outras cidades e até abertura de fábricas fora do Estado.

A West Coast, fabricante de calçados com sede em Ivoti, a 54 quilômetros de Porto Alegre, investiu R$ 5 milhões em uma fábrica em Nossa Senhora Aparecida (SE), que começou a operar em maio com 200 funcionários. A empresa recebeu incentivos fiscais do governo sergipano, mas a principal razão para se instalar fora do Rio Grande do Sul foi a dificuldade de encontrar novos funcionários na região metropolitana de Porto Alegre, explica o gestor de mercado Rafael Weber.

De acordo com ele, além do forte crescimento da demanda interna desde o segundo semestre do ano passado, o que exige mais contratações, as indústrias calçadistas enfrentam a concorrência de outros segmentos, como comércio e serviços, na disputa pela mão de obra. Em Ivoti, a West Coast tem 500 empregados e prevê para o acumulado do ano uma produção total de 2,5 milhões de pares de calçados masculinos e femininos, 25% a mais do que em 2009.

"Quando termina o expediente em uma empresa, um carro de som de outra passa em frente oferecendo vagas", ilustra Paulo Grings, diretor-presidente da Piccadilly, que produz calçados femininos em Igrejinha, Teutônia e Rolante. Essas cidades não estão incluídas na região pesquisada pelo IBGE, mas ficam no entorno da capital gaúcha. Este ano, a empresa precisou buscar em um município que faz parte da lista - Santo Antônio da Patrulha, a 83 km de Porto Alegre - mais de cem funcionários para a fábrica localizada em Rolante.

O problema, explica Grings, é encontrar pessoal disponível com qualificação, o que inclui alguma experiência no setor e ensino médio completo. A Piccadilly iniciou 2010 com 2,2 mil funcionários. Desde janeiro já contratou 400 pessoas, mas ainda restam 100 a 150 vagas em aberto e nos próximos meses ela pretende reativar o centro de treinamento próprio, que ficou fechado durante três anos, período em que não houve falta de mão de obra na região. Segundo o executivo, a empresa deve produzir 8,9 milhões de pares neste ano, um milhão a mais que em 2009.

O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, acredita que a forte demanda por empregados terá reflexos nas próximas negociações salariais do setor, que no Rio Grande do Sul se concentram nos meses de julho e agosto. No ano passado, os acordos fecharam, em média, com aumentos de um ponto percentual acima da inflação, mas agora a tendência é que os índices sejam superiores, admite o executivo.

As contratações na indústria calçadista estão ligadas ao crescimento do consumo interno, estimado pela Abicalçados em 10% neste ano, e também às exportações, que nos primeiros quatro meses cresceram 20,8% em relação ao mesmo período de 2009, para 59,8 milhões de pares. Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o nível de emprego no setor cresceu 8,83% de janeiro a abril na região metropolitana de Porto Alegre, com a geração líquida de quase 5,1 mil novos empregos com carteira assinada.

Valor Econômico (Porto Alegre, Recife e São Paulo)



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