English  |  SpanishPágina Inicial  |  Mapa do Site  |  Busca    
     Abicalçados      Brazilian Footwear
Consumindo de Salto Alto
 

A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
Aumentar / Diminuir Fonte  Enviar por Email  Imprimir


09.01.2012
Fabricantes criam estratégias para driblar dificuldades do setor
 

Em meio à crise vivida pela indústria calçadista com o avanço da competição asiática, empresas mudam atuação para manter-se no mercado. Enquanto a gaúcha Antonielle fechou sua planta em Novo Hamburgo, terceirizando toda a produção, a paulista Democrata, tradicional marca de sapatos masculinos, vai passar a produzir também modelos femininos. - são Paulo
O aniversário de 30 anos da calçadista gaúcha Antonielle foi marcado por uma decisão complicada. Passando por dificuldades desde 2002 - ano em que reduziu sua produção de 8 mil pares ao dia e feita com 500 funcionários, para cerca de 2 mil pares diários, com 200 trabalhadores, em 2011 -, a empresa finalmente optou no mês de novembro por fechar sua fábrica em Novo Hamburgo, onde estava instalada desde 1981. Agora, a nova geração da família Pessin, sua proprietária, aposta num modelo de negócios inédito no País para manter a companhia no mercado, em meio ao momento difícil para o setor calçadista em geral.
As vendas eram feitas por representantes que chegaram a ser 30 em todo o Brasil. A partir de 2006, a empresa passou a ter problemas com este modelo, gerando desgaste entre a fábrica e os lojistas. No ano passado, a calçadista optou pelas vendas on-line. "Nós vimos que a venda na Internet para o usuário final começou a se popularizar muito e pensamos "Por que não fazer isso para o lojista?", conta o gerente de Marketing Daniel Pessin. Daí surgiu a idéia de um portal de pedidos, implantado em outubro, com investimento de cerca de R$ 50 mil.
"Nós sentimos uma resistência do mercado, porque o lojista gosta de pegar o sapato na mão; além disso, algumas pessoas mais velhas não estavam familiarizadas com a Internet e tiveram um pouco de dificuldade", afirma o gerente, sobre os percalços iniciais. Mas como uma vantagem, ele cita a possibilidade de atingir estados do norte e do nordeste, que não estavam sendo contemplados pelos representantes, restritos aos mercados do Sul e Sudeste. Atualmente, a empresa trabalha com até 350 multimarcas no verão e chega a 450 no inverno.
A mudança de paradigma no modelo comercial é o passo final de uma série de mudanças. Até 2002, cerca de 40% da produção da empresa era exportada para Europa, Estados Unidos e África do Sul. "Com a baixa do dólar isso acabou, e os cinco, seis meses antes dedicados à exportação ficavam praticamente parados", conta Pessin. A empresa então se voltou para o mercado interno. No entanto, veio a crise de 2008, que levou a fabricante a diminuir o número de funcionários e a capacidade, para não ser tão atingida.
Ao mesmo tempo em que as exportações sumiam, a Antonielle passou a competir no mercado interno com os calçados asiáticos. "Tivemos que aumentar o valor agregado do nosso sapato, de uma faixa de R$ 50 a R$ 60 para R$ 75 a R$ 85, para não competir diretamente com a China", conta o gerente comercial Rafael Pessin. Com a redução da produção, a companhia passou a recorrer a empresas terceirizadas nos meses de maior demanda, de onde surgiu a ideia de externalizar 100% da produção, de cerca de 40 mil pares por estação. "A gente está reduzindo os custos fixos o máximo possível, daí também a escolha pelas vendas on-line", diz.

Democrata

Outra empresa que entra 2012 com novidades é a paulista Democrata, de Franca, uma das mais tradicionais marcas de calçados masculinos de couro do País. A companhia estreia este ano uma linha de calçados femininos, que serão fabricados em uma planta própria no Município de Sapiranga, no polo calçadista gaúcho do Vale do Sinos. A planta foi inteiramente reformada ao longo de 2011, após ser comprada da Calçados Klippel, empresa familiar que fechou sua fábrica há alguns anos e vinha alugando o espaço para terceirizadas.
"Eles têm a intenção de fabricar sapatos de valor agregado maior, com produção em torno de 500 pares ao dia, inicialmente, e depois ir aumentando", afirma o secretário do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de Sapiranga, Elói de Paula. Segundo ele, a produção deve ter início ainda em janeiro, pois já está sendo realizado processo de seleção de trabalhadores. Devem ser contratados para a nova fábrica de 80 a 100 funcionários, no momento inicial. "É uma marca conhecida nacional e internacionalmente como masculina, então eles devem começar devagar, para aos poucos ir entrando no mercado com a marca feminina", acredita. Para De Paula, o que atrai as empresas para a região é o fato de o polo ser referência em qualidade, além de dispor de mão de obra especializada. "Eles têm uma marca conhecida pela qualidade, daí a opção por um lugar que dispõe de mão de obra qualificada, porque o sapato é um produto muito artesanal", diz.
O secretário está otimista: "Nós entramos o ano com medidas do governo muito favoráveis ao setor", diz, citando as ações da Receita Federal para inibir a triangulação de produtos chineses, a desoneração de 20% da contribuição patronal e o Reintegra, que prevê devolução de impostos para exportações. "O segundo semestre deste ano deve ser muito bom para calçados", acredita.

THAIS CARRANÇA
Jornal DC - São Paulo



Ver todas as notícias