Os embarques de calçados efetuados pela indústria do setor em 2010 registraram um incremento de 12,9% no volume físico e de 9,3% no faturamento. Este desempenho foi motivado pelo retorno às compras dos países importadores após o período da crise global. Porém, os resultados ainda não supriram a queda acentuada de 2009, quando o Brasil perdeu várias posições, lembra Heitor Klein, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Naquele ano, a queda no volume foi de 23,7% em comparação a 2008, levando o setor a deixar de exportar 40 milhões de pares e de receber mais de US$ 500 milhões. Segundo os dados da entidade, obtidos através do MDIC/SECEX, no ano passado foram exportados 143 milhões de pares de calçados. Em 2009, o volume registrado foi de 126,5 milhões.
O faturamento em 2010 atingiu a cifra de US$ 1,48 bilhão, sendo que o preço médio ficou em US$10,40, 3,2% menos em comparação com 2009. Naquele ano, o faturamento havia sido de US$ 1,3 bilhão. Estes volumes estão longe do padrão, que é o de arrecadar em média US$ 1,8 bilhão, assinala o executivo. Ele ressalta os efeitos negativos da constante perda de mercado, como a desindustrialização do setor e a ida de empresas para outros países que oferecem melhores condições de produção.
Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Itália e França foram os cinco principais países compradores do calçado brasileiro em 2010. Os norte-americanos importaram 29 milhões de pares, enquanto os ingleses adquiriram 7,5 milhões. Os argentinos incrementaram em 9,4% o volume importado em fecharam o ano com 14,1 milhões de pares. Italianos e franceses compraram 4,8 milhões e 2,6 milhões de pares, respectivamente.
Nordeste lidera volume embarcado - Em 2010, o destaque das exportações foi a Região Nordeste. Ceará, Bahia, Paraíba e Sergipe. Juntos, estes Estados enviaram ao exterior 99 milhões de pares, de um total de 143 milhões de pares. Rio Grande do Sul exportou 30 milhões, São Paulo ficou com uma fatia de quase 7 milhões e outros Estados, com 7,2 milhões. Na última década vem ocorrendo uma descentralização mais acentuada da produção brasileira, que passou a atuar mais naquela região devido à proximidade com os mercados compradores e a maior oferta de mão de obra, avalia Heitor Klein. ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
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Janeiro/ 2011