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Brazilian Footwear
 

A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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19.12.2008
Exportações de calçados em ritmo de queda
 

As indústrias calçadistas brasileiras vivem momentos de incerteza no mercado internacional. A poucos meses de iniciar uma nova temporada de vendas (a partir de janeiro, as coleções para o Hemisfério Norte começam a ser negociadas) o comportamento dos embarques vem sinalizando um final de ano com resultados negativos.  De janeiro a novembro deste ano, o volume de pares exportados sofreu um decréscimo de 7,6% em comparação com o mesmo período de 2007. O Brasil enviou para o exterior 150,7 milhões de pares contra os 163,1 milhões remetidos nos onze meses do ano passado.
 
Isoladamente, novembro apresentou um declínio preocupante. As empresas embarcaram 10,8 milhões de pares, 22,9% a menos em relação a novembro de 2007. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) a partir das informações da SECEX/MDIC.

Os resultados negativos foram impulsionados pela queda no volume de compras dos Estados Unidos. No acumulado do ano, os norte-americanos importaram 33,36 milhões de pares, 26,2% a menos em relação ao mesmo período de 2007. O Reino Unido, segundo maior mercado para o calçado brasileiro, também reduziu os pedidos e comprou 13,3% a menos, importando 9,4 milhões de pares.

São para estes dois países que o Brasil exporta o maior volume de calçados com cabedal de couro. Este tipo de produto (NCM 6403) registrou uma redução de 27,2% do total exportado pelas indústrias brasileiras. Foram embarcados 50,2 milhões de pares no acumulado de janeiro a novembro deste ano, contra os 69 milhões do mesmo período de 2007.

Faturamento - Os efeitos da elevação do dólar frente ao real (que começou em setembro deste ano) não foram sentidos nos resultados financeiros das exportações. Como as negociações foram feitas com mais de quatro meses de antecedência, os preços praticados foram os acordados naquela época, quando o dólar ainda estava desvalorizado. O faturamento ficou negativo em 1,1% nestes onze meses de 2008. O setor obteve divisas na ordem de US$ 1,733 bilhão. No mesmo período de 2007, havia recebido US$ 1,753 bilhão. Isoladamente em novembro a queda foi ainda maior. Os embarques somaram US$ 132,9 milhões, 7,3% a menos comparativamente a novembro do ano passado, quando o faturamento chegou a US$ 143,4 milhões.

Convertido em reais, a queda no acumulado foi de 10,07%. O setor exportou o equivalente a R$ 3,09 bilhões, quando de janeiro a novembro do ano passado havia recebido R$ 3,441 bilhões. Na avaliação de Ricardo Wirth, vice-presidente da Abicalçados, há muita expectativa com o início de 2009, quando os exportadores iniciam as negociações para o primeiro semestre do ano. A crise econômica global deverá influenciar no humor dos importadores de calçados, que já vêm tentando reduzir os preços praticados pelos brasileiros, sob o argumento da valorização do dólar. “Estamos em compasso de espera”, diz.


Importações na contramão

Se as exportações estão em queda contínua, as importações por sua vez não param de crescer. O acumulado do ano revelou uma trajetória de crescimento de 40,7% no volume de pares comprados pelos Brasil. De janeiro a novembro, entraram no país 36,9 milhões de pares quando no mesmo período de 2007 foram 26,3 milhões de pares.  Do total importado, os chineses foram responsáveis por 71,6% do volume. Da China, o Brasil comprou 31,6 milhões de pares. Em segundo lugar, o Vietnam enviou 3,07 milhões, ficando com 15,7% das importações.

Nordeste mantém crescimento

Ceará, Bahia, Paraíba e Sergipe são os Estados nordestinos que mais têm se destacado no cenário exportador e registraram crescimento, ao contrário das regiões Sul e Sudeste, que ao longo do ano vêm apresentando desempenho negativo.

O Ceará exportou 6,4% a mais em volume físico e embarcou 51 milhões de pares, liderando o ranking dos principais exportadores em quantidade de pares. O faturamento cresceu 13,9% e encerrou o acumulado dos onze meses do ano com US$ 315,5 milhões. Este desempenho o coloca como o segundo maior em divisas, perdendo para o Rio Grande do Sul. O preço médio do calçado exportado pelos cearenses foi de US$ 6,42.

A Bahia, por sua vez, está na quarta posição entre os principais exportadores que mais obtiveram divisas. Os 7,4 milhões de pares exportados de janeiro a novembro deste ano significaram um aumento de 28,9% sobre o mesmo período do ano passado e recebeu US$ 77,7 milhões. A Paraíba conquistou o quinto lugar pela soma das exportações. Os US$ 69,9 milhões foram obtidos com os embarques de 23,1 milhões de pares. Foi um crescimento de 26% sobre o volume e de 47,6% em relação ao faturamento, comparando com janeiro a novembro de 2007.

O Sergipe, mesmo com um desempenho mais tímido, também fechou no positivo. A remessa para o exterior de um milhão e seiscentos mil pares representou 37,9 % a mais sobre janeiro a novembro de 2007.

O Sul e Sudeste do Brasil continuam liderando a obtenção de divisas com as exportações, mas todos fecharam o período com decréscimo tanto no faturamento como no volume. O Rio Grande do Sul gerou uma receita de US$ 1,028 bilhão, 7,45% a menos em relação a janeiro a novembro de 2007, ao exportar 47,5 milhões de pares. A redução no volume de pares foi de 26,08%. São Paulo é o terceiro maior exportador de calçados, com US$ 174,5 milhões. O volume exportado foi de 10,2 milhões de pares a um preço médio de US$ 17,11, o que explica o alto faturamento.

Minas Gerais embarcou 1,2 milhão de pares, 26,95% a menos se comparado às atividades de janeiro a novembro de 2007. As divisas caíram 6,21% e nestes onze meses atingiram US$ 15,3 milhões.

Calçados de couro têm queda

Os calçados com cabedal (parte superior) em couro são os que mais geram receitas para o Brasil, apesar de seu volume estar em declínio. Este tipo de calçado registrou uma redução de 27,2% nos embarques físicos efetuados de janeiro a novembro deste ano e 6,2% no faturamento. Dos 150,7 milhões de pares que as indústrias remeteram ao exterior, 50,2 milhões eram com este material. As divisas somaram US$ 1,198 bilhão. O total obtido pelo setor foi de US$ 1,733 bilhão.

Os sintéticos lideraram com larga margem o volume de calçados exportados pelo Brasil. Foram embarcados 89,7 milhões de pares produzidos com este material, o que gerou um incremento de 13,3% sobre o mesmo período de 2007. O faturamento cresceu 24,5% e passou dos US$ 336,3 milhões para US$ 418,6 milhões.

Os calçados em tecidos, injetados e exóticos, ficaram respectivamente em terceiro, quarto e quinto lugares no ranking das exportações por tipo de calçado.

Europeus compram mais

Itália, Holanda e Portugal foram os países europeus que registraram crescimento no volume de compras do Brasil. Conhecida mundialmente pelo design e qualidade dos seus sapatos, a Itália também vem abrindo suas fronteiras para o produto made of Brazil. De janeiro a novembro, os italianos importaram 6,6 milhões de pares, um aumento de 33,3% em comparação a 2007. O faturamento teve um acréscimo de 80% e pagaram US$ 133,4 milhões. O preço médio do calçado comprado pela Itália foi de US$ 20,06. Com este desempenho, a Itália passa a ser o quarto maior comprador do Brasil.

Holanda e Portugal que estão, respectivamente, em sétimo e oitavo lugares, elevaram em 3,4% e 4,1% suas importações. De janeiro a novembro, receberam 1,9 milhão de pares e 2,6 milhões de pares brasileiros e pagaram US$ 41,8 milhões e US$ 35,1 milhões. “Estamos tomando posições importantes nestes potenciais compradores, onde há muito tempo estamos realizando ações de promoção comercial”, explica Heitor Klein, diretor executivo da Abicalçados.

Já os líderes do ranking fizeram menos pedidos do Brasil. Os Estados Unidos, que detêm o maior percentual de importação, tiveram uma queda de 26,2% no volume com a compra de  33,6 milhões de pares, pelos quais pagaram US$ 448,3 milhões. Com este desempenho, do total exportado pelo Brasil (US$ 1,733 bilhão), os EUA tiveram uma participação de 25,9% no faturamento e de 22,3% no volume de pares.

Já o Reino Unido mantém a segunda posição no faturamento (13,75% do total) e o terceiro no volume de pares (6,35%). Comprou 9,4 milhões de pares, o que significou uma redução de 13,3% em relação a janeiro a novembro de 2007, quando importou 10,9 milhões de pares. Mas aumentou o preço médio do par (US$25,04) e atingiu um pagamento de US$ 237,5 milhões, elevando as divisas em 15,3%.

As tabelas completas com os números do setor podem ser acessadas no link Estatísticas do site da Abicalçados (www.abicalcados.com.br).

ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
Elizabeth Renz (imprensa@abicalcados.com.br)
Caren Souza (caren@abicalcados.com.br)



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