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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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04.01.2011
Exportações de calçados desaceleram em novembro
 

Embora os índices de exportação de calçados tenham se mantido positivos ao longo do ano, os resultados foram reduzindo gradativamente até novembro – o que aponta para um final de ano de pouco crescimento. De janeiro a novembro, o Brasil embarcou 129,5 milhões de pares contra 114,9 milhões vendidos no mesmo período do ano anterior – acréscimo de 12,7%. Já em termos monetários, o resultado foi de US$ 1,4 bilhão em onze meses, o que mostra alta de 9,8% em relação a igual período anterior, quando o faturamento foi de US$ 1,2 bilhão. Os dados são da Abicalçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O resultado não tão animador frente ao que se viu no primeiro mês do ano, quando os números apontavam para alta de 28,8% em volume. Esse índice de crescimento foi baixando gradualmente ao longo do ano. “Embora os dados mostrem alta, é preciso observar que não houve um crescimento real, uma vez que todo e qualquer acréscimo representa apenas um indício de recuperação de alguns anos de perdas. Somente em 2009, perdemos 23,7% nas vendas externas”, assinalou Milton Cardoso, presidente da Abicalçados.

Países – Ao longo de onze meses, os Estados Unidos se mantiveram como os principais compradores do calçado Made in Brazil, tanto em volume quanto em faturamento, uma vez que adquiriram 27,7 milhões de pares no acumulado do ano, gerando faturamento de US$ 318,2 milhões. Este é, sem dúvida, o país que absorve a maior fatia de pares brasileiros. No mesmo período do ano anterior, os americanos compraram 25,1 milhões de pares, que resultaram em US$ 320,8 milhões.

Em termos de faturamento, o segundo comprador mais importante é o Reino Unido, responsável por divisas da ordem de US$ 167 milhões, provenientes da compra de US$ 6,8 milhões de pares. Em igual período de 2009, foram adquiridos 6,5 milhões de pares, que resultaram em faturamento de US$ 163 milhões.

A vizinha Argentina fica em terceiro lugar em divisas. Com a compra de 13,5 mil pares ao longo do ano, fato que proporcionou a entrada de US$ 156,6 milhões, enquanto em período correspondente do ano anterior, os argentinos compraram 12,4 milhões de pares a US$ 134,3 milhões.

A Itália mantém o quarto lugar, uma vez que adquiriu 4,4 milhões de pares no acumulado do ano, gerando US$ 95 milhões, enquanto em 2009 havia comprado 4 milhões de pares, equivalentes a US$ 80,1 milhões.

O quinto lugar do ranking pertence à França, que comprou 2,3 milhões de pares até novembro, gerando US$ 51,2 milhões em divisas. Em período correspondente do ano anterior, os franceses compraram 2 milhões de pares, resultando em US$ 44,5 milhões de receita. Ao longo do ano, o Brasil exportou para mais de 145 países.

Estados do RS e SP puxam resultados para baixo

No decorrer do ano, é possível observar que entre os principais exportadores, os Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul apresentaram dados negativos. Devido à sua expressão, acabam puxando para baixo os índices.

Neste caso, o Rio Grande do Sul é o que apresenta as maiores variações negativas. De janeiro a novembro deste ano, o RS exportou 27,5 milhões de pares, com faturamento de US$ 649,9 milhões. Esses dados resultam em perda de 14,5% em volume e 6% em finanças em relação a igual período do ano passado, quando foram exportados 32,2 milhões, com faturamento de US$ 691,7 milhões.

São Paulo, por sua vez, apresentou redução somente em volume. Foram 6,8% a menos nos embarques, e 11,3% a mais em receita. As fábricas paulistas embarcaram este ano 6,3 milhões de pares, gerando US$ 120 milhões, enquanto em igual período de 2009 foram embarcados 6,7 milhões de pares, equivalentes a US$ 107,8 milhões.

Já os Estados do Nordeste mostram somente números positivos. O Ceará apresenta o maior crescimento, gerado pela venda 57,5 milhões de pares, com resultado financeiro de US$ 359,1 milhões de janeiro a novembro de 2010. Isso significa acréscimo de 29% em volume físico e 35,5% em valores em relação ao mesmo período do ano passado, quando os produtores cearenses embarcaram 44,6 milhões de pares a US$ 265 milhões.

A Bahia apresenta leve alta, de 3,8% em pares, e de expressivos 31,5% em termos monetários. Foram 6,8 milhões de pares comercializados este ano no exterior, gerando US$ 85,2 milhões, contra 6,6 milhões enviados a outros países no ano passado, responsáveis por faturamento de US$ 64,8 milhões.

Outro Estado vem apresentando também índices elevados. Este ano os paraibanos embarcaram 23,1 milhões de pares, com receita de US$ 70,1 milhões contra 18,6 milhões embarcados no ano passado, que geraram US$ 56,7 milhões. Os números apontam elevação de 24% em quantidade e 23,6% em valores.

O Sergipe, que entrou em outubro para a lista dos principais exportadores, é o que apresenta os maiores índices de crescimento, embora seus resultados sejam os menores. Em onze meses deste ano, 1,7 milhão de pares foram exportados através do Sergipe, gerando US$ 16,4 milhões em faturamento.

Houve alta de 107,5% em volume e 132,6% em divisas em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportados 818,4 mil pares, gerando US$ 7 milhões.

Os demais Estados brasileiros são responsáveis por uma fatia de 6,6 milhões de pares exportados, com faturamento de US$ 51,7 milhões no acumulado deste ano – acréscimo de 23,4% em pares e 32% em cifras em relação ao ano passado, quando embarcaram 5,3 milhões de pares a US$ 39,1 milhões.


Injetados têm a maior queda

De acordo com o Capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), os calçados de cabedal em material sintético (NCM 6402) são os únicos que seguem com variações positivas no acumulado de  janeiro a novembro – 23,7% em volume e 28% em faturamento. Este ano, foram exportados 91,6 milhões de pares (equivalentes a  US$ 417,1 milhões) contra 74,1 milhões de pares (US$ 326 milhões) no ano passado.

Já os calçados com cabedal em couro (NCM 6403), demonstraram volume embarcado negativo em 7,1% nos onze meses do ano, com leve alta de 3,4% em termos monetários. Ao longo de 2010, foram embarcados 32,3 milhões de pares deste segmento (US$ 854,6 milhões), contra 34,7 milhões de pares embarcados em igual período do ano anterior (US$ 826,1 milhões).

Os demais segmentos apresentaram redução em ambos os aspectos. Os produtos em material têxtil (NCM 6404) registraram retração de 6% em quantidade embarcada e 1,4% em faturamento. No acumulado de 2010, foram embarcados 4,4 milhões de pares de calçados neste material (US$ 66,4 milhões), enquanto em período correspondente no ano passado haviam sido embarcados 4,6 milhões de pares (US$ 67,4 milhões).

Produtos em material injetado (NCM 6401) registraram as maiores perdas, que foram de 44,3% em pares exportados e 36,9% em valores. Este ano, foram vendidos ao exterior 337,7 mil pares injetados, correspondentes a US$ 2,5 milhões, enquanto no ano passado foram 606,4 milhões de pares embarcados, com receita de 3,9 milhões. Outros tipos de calçado (NCM 6405) embarcaram este ano 922,9 mil pares (US$ 11,8 milhões) - alta de 11,3% em quantidade e 32,8% em divisas. Em 2009, este segmento foi responsável pelo envio de 829 mil pares ao exterior (US$ 8,9 milhões).


Importações crescem 26% até novembro

Nos onze meses do ano, as importações totais – somando calçados, cabedais (ambos medidos em pares) e outras partes de calçados, contabilizadas por peso – apresentaram crescimento de 26%, conforme monitoramento realizado pela Abicalçados.

Em calçados (NCM 6401 a 6405), foi importado um total de 27,5 milhões de pares, o que representa retração de 3% em relação a igual período do ano passado, quando foram importados 28,2 milhões de pares. Somente da China, Indonésia, Malásia e Vietnã foram comprados 24,9 milhões de pares este ano, até novembro.

Em termos de cabedais (NCM 64061000), o país importou 13,8 milhões de pares de janeiro a novembro deste ano, contra 5,9 milhões de pares em igual período do ano anterior – o que representa um acréscimo de 133%. Somente a China e Paraguai foram responsáveis pela venda de 11,9 milhões de pares ao Brasil, enquanto no ano passado esses dois países enviaram 5,6 milhões de pares de cabedais às fábricas brasileiras.
 
Também está sendo monitorada a importação de outras partes de calçados (NCM 64062000 a 64069990), contabilizadas em quilogramas, sendo que de janeiro a novembro deste ano entraram no Brasil 3 mil toneladas destas partes, resultando em uma variação opositiva de 178%. O somatório de toda a importação (calçados, cabedais e outras partes) resulta em um total de 44.304.082, o que representa uma variação de 26% a mais em relação a 2009, quando foi importado um total de 35.258.988.

ASCom Abicalçados



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