Se o valor das importações assusta, na mão contrária, as exportações também apresentaram desempenho aquém do esperado no primeiro mês do ano. Em janeiro, foram embarcados 12,2 milhões de pares, o que representa uma queda de 30,3% em relação a igual período do ano passado, quando foram exportados 17,5 milhões de pares. Em termos monetários, o déficit foi de 15,5%, com faturamento de US$ 120,7 milhões contra os US$ 142,8 milhões atingidos no ano passado.
Países – Analisando as vendas para os principais compradores do Brasil, os números surpreendem. Os Estados Unidos, que estão no topo do ranking, despencaram 80,5% nas compras, adquirindo 1,3 milhão de pares este ano, contra 6,8 milhões de pares em janeiro do ano passado. Em faturamento, a queda foi de 38,9% em relação a este mercado, com a arrecadação de US$ 22,1 milhões este ano contra US$ 36,1 milhões em 2010.
O Reino Unido, terceiro principal comprador em termos de faturamento, reduziu em 30,5% os valores – ficando em US$ 11,4 milhões este ano contra US$ 16,3 milhões no ano passado – enquanto em pares a retração foi de 28,2%. Este ano, os ingleses compraram 580 mil pares, enquanto em janeiro de 2010 haviam comprado 808 mil pares.
A vizinha Argentina, quarta maior compradora em geração de divisas, teve retração de 23,7% em termos monetários (gerou faturamento de US$ 6,6 milhões este ano contra US$ 8,7 milhões ano passado) e de 16,1% em volume (os argentinos adquiriram 348 mil pares este ano enquanto no ano passado haviam comprado 415 mil).
Segundo mercado mais importante em faturamento, a Itália sofreu retração de 23,7% em divisas. As vendas para aquele país somaram US$ 13,3 milhões no primeiro mês de 2011, enquanto em igual período de 2010 foram de US$ 17,5 milhões. Em volume, porém, foi o único país que apresentou alta, da ordem de 9,8%. Este ano, os lojistas italianos compraram 815 mil pares nacionais, enquanto ano passado haviam comprado 742 mil pares.
Estados do Nordeste sofrem maiores quedas
Contrariando toda a movimentação que ocorreu ao longo do ano passado, os Estados do Nordeste foram responsáveis pelos maiores índices de queda nos embarques de janeiro. A Bahia sofreu o maior impacto, com 57,9% a menos em volume vendido e 39,8% a menos em receita. As fábricas baianas enviaram ao exterior 301,3 mil pares este ano, enquanto em igual período do ano passado haviam enviado 716,4 mil. O faturamento desde ano ficou em US$ 3,9 milhões – quase um terço do ano passado, quando registrou US$ 6,4 milhões.
O segundo Estado a registrar as maiores perdas foi o Ceará, que no ano passado liderou os embarques. Houve diminuição de 41,6% em volume e 19,3% em divisas. Em janeiro de 2011, cruzaram as fronteiras da Bahia 5,9 milhões em comparação a igual período do ano anterior, quando foram embarcados 10,2 milhões de pares. O faturamento ficou em US$ 35,8 milhões este ano, contra US$ 44,4 milhões ano passado.
E nem só a região Nordeste teve movimentação negativa. O Rio Grande do Sul caiu 23,8% em volume e 18,3% em valores. O RS exportou 2,5 milhões de pares no primeiro mês deste ano, enquanto em igual período do ano passado foram 3,3 milhões de pares. Já a receita ficou em US$ 60,4 milhões este ano contra os US$ 73,9 milhões em 2010.
A Paraíba apresentou retração somente em volume, da ordem de 5,6%, embarcando 2,5 milhões de pares. Ano passado, os paraibanos haviam exportado 2,7 milhões de pares. O faturamento, porém, aumento em 24,1%, atingindo US$ 8,9 milhões, enquanto em 2010 foi de US$ 7,2 milhões.
O Estado de Sergipe, que recentemente entrou para alista dos principais exportadores, teve leve retração em volume, da ordem de 2%, embarcando 128,9 mil pares no período atual contra 131,5 mil pares no período anterior. O faturamento, por outro lado, cresceu em 31%, chegando a US$ 1,5 milhão este ano, enquanto no ano passado foi de US$ 1,2 milhão.
São Paulo, porém, que no ano passado teve diversas perdas, começou 2011 com variações positivas: 8,2% em volume e 2,8% em faturamento. Foram 362,2 mil pares embarcados pelos paulistas este ano, contra 334,7 vendidos ao exterior em janeiro passado. A receita ficou em US$ 7,1 milhões em 2011 contra US$ 7 milhões em 2010.
Os outros Estados restantes embarcaram 454 mil pares, com faturamento de US$ 3 milhões este ano, enquanto no mesmo período do ano anterior haviam embarcado 200,3 mil pares, com divisas de US$ 2,8 milhões.
Somente segmento têxtil tem embarques com variação positiva
De acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que compreende a NCM 6401 até NCM 6405, calçados com cabedal (parte de cima) em material têxtil (NCM 6404) foram os únicos a apresentar um índice positivo: 2,7% a mais nos embarques – passando de 398,9 mil de pares no ano passado para 409,8 mil pares este ano. O faturamento, porém, caiu 12,4%, passando de US$ 6,6 milhões em janeiro de 2010 para US$ 5,8 milhões em janeiro de 2011. Os demais segmentos que possuem classificação específica registraram variação negativa.
Os calçados de cabedal injetado (NCM 6401) foram responsáveis pelas maiores quedas – de 85,4% em volume físico e 47,1% em finanças. Este ano, foram exportados 7,1 mil pares de injetados, enquanto no ano passado foram 48,7 mil. Já o faturamento ficou em US$ 178,3 mil este ano, enquanto no ano passado foi de US$ 336,8 mil.
Para os produtos em material sintético (NCM 6402) houve déficit de 30,7% em pares e 1,4% em termos financeiros. Foram 9 milhões de pares embarcados em 2011 contra 12,9 milhões de pares em 2010. Já o faturamento ficou em US$ 40,5 milhões este ano, enquanto no ano passado atingiu US$ 41 milhões.
As exportações de produtos em couro (NCM 6403) também atingiram quedas com percentuais de dois dígitos. Foram 32,6% a menos em pares e 21,8% de retração em termos monetários. No início de 2011, o setor embarcou 2,7 milhões de pares, equivalentes a US$ 73,4 milhões, enquanto em 2010 foram enviados ao exterior 4 milhões de pares, com divisas de US$ 93,8 milhões.
O segmento classificado como outros (NCM 6405), que engloba diversos tipos de calçados, cresceu 18,8% em quantidade embarcada e reduziu 10,2% em valores. Em janeiro último, foram embarcados 75,1 mil pares desta nomenclatura, enquanto em igual período do ano anterior foram 62,3 mil pares. Já o faturamento foi de US$ 885,3 mil contra US$ 985,4 mil no ano passado.
Balança Comercial fica negativa em 31,1%
Apresentando um saldo de US$ 83,3 milhões, a balança comercial ficou negativa em 31,1% em janeiro deste ano, comparativamente ao mesmo período de 2010. O valor das exportações somou US$ 120,7 milhões, gerando um déficit de 15,5% nas vendas, enquanto a importação foi responsável por US$ 37,4 milhões, o que significa uma alta de 70,4%. Estes movimentos geraram uma corrente de comércio de US$ 158 milhões, com queda de 4%.