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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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06.05.2009
Exportação fraca desanima calçadistas e têxteis
 

O forte peso das exportações e as incertezas com relação ao mercado mundial ainda não deixam os setores calçadistas e têxteis registrar recuperação nos indicadores de produção. Em março, de acordo com o IBGE, a indústria têxtil produziu 0,6% menos que em fevereiro, quando já havia reduzido a produção em 2,5% sobre janeiro. Em calçados, março teve queda de 3,2%, o que anulou a alta de 2,5% de fevereiro. Para driblar a perda no exterior (amplificada pelas barreiras argentinas), as empresas miram o mercado interno. Em abril, contudo, os resultados dessa opção foram pouco animadores.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso, acha que o setor ainda não chegou ao fundo do poço, mesmo depois de abril registrar o menor nível de exportações desde abril de 2000. "Os indicadores não param de piorar", disse, acrescentando à lista de preocupações o desempenho das importações e as vendas no varejo.
Conforme Cardoso, os dados preliminares de abril indicam que a retração econômica nos países importadores reduziu os embarques brasileiros para US$ 84 milhões, 34% a menos do que no mesmo período de 2008 e 20% abaixo do mês anterior. Esse também foi o primeiro mês em que as exportações mensais do setor caíram abaixo de US$ 100 milhões.
No mercado interno, a incerteza aumentou depois que a Associação Comercial de São Paulo divulgou, nesta semana, uma queda de 19,1% das vendas a prazo e de 10% nas vendas à vista em abril na comparação com o mesmo mês de 2008. Segundo o empresário, o grau de utilização da capacidade instalada da indústria calçadista no país está abaixo de 70%, enquanto o normal para esta época do ano é de 80%. A ociosidade é agravada pelo crescimento das importações, que até março avançaram 45,3% sobre 2008.
O diretor comercial da Piccadilly, com sede em Igrejinha (RS), Marlon Martins, disse que as vendas no mercado interno caíram na segunda quinzena de abril e o mês fechou entre 6% e 7% abaixo da meta traçada para o período. Para ele, os fatores que influenciaram o desempenho foram a demora para a chegada do frio, que trava a venda da coleção de inverno, e também os efeitos das notícias da crise econômica sobre os consumidores.
As vendas de abril ainda empataram com as do mesmo mês de 2008, mas o desempenho inferior ao esperado fez o crescimento do quadrimestre recuar para 18%, depois da alta de 30% acumulada no primeiro trimestre, explicou Martins. Com isso, as projeções para expansão da produção no acumulado de 2009 estão agora no piso do intervalo de 15% a 18% estabelecido no início do ano sobre os 8,5 milhões de pares fabricados em 2008. Já o faturamento é previsto em R$ 245 milhões, ente R$ 220 milhões no ano passado.
Conforme Martins, as exportações (30% das vendas totais) seguem estáveis e devem permanecer assim em todo o primeiro semestre. Os principais entraves no mercado externo, de acordo com ele, são o regime de licenças não-automáticas imposto pela Argentina e a sobretaxa de US$ 10 por par cobrada pelo Equador. Os dois países, juntos, absorvem quase 50% das exportações da empresa.
A indústria de roupa infantil Kyly, de Pomerode (SC), fechou abril com volume de encomendas similar ao de março e também estável em relação a abril do ano passado, mas registrou, no quadrimestre, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2008, conta o presidente Salésio Martins. Ele afirma que o desempenho reflete principalmente a demanda do mercado doméstico e estratégias adotadas, como desenvolvimento de uma coleção outono-inverno mais afinada com a tendência do mercado, e antecipação da comercialização.
O crescimento de 10% veio um pouco aquém da meta de 20% de aumento, mas Martins considerou que foi um "bom desempenho dentro das circunstâncias". No ano passado, em volume físico, as exportações representaram 10% da produção da Kyly.
Marcello Stewers, diretor de exportação da Teka, diz que em abril "a empresa sentiu uma resposta (do mercado) um pouco menor do que em março. Não foi ruim, mas houve uma pequena queda, puxada, sobretudo, pelo recuo das exportações". Ele não revela números, mas diz que o motivo principal foi a retração das vendas à Argentina, mercado que responde por cerca de 30% das exportações da Teka. O país adotou barreiras comerciais aos produtos têxteis brasileiros e desde o fim de março a empresa não está conseguindo embarcar.
"Tivemos em abril o pior mês das exportações nos últimos dois anos", revela Stewers, que diz que a retração chegou a 45% no último mês em relação a março. "Alguns clientes mais antigos na Argentina continuam comprando, mas aguardando licença prévia de importação para o embarque", explica. Em parte, esse recuo nas exportações foi compensado no mês pela demanda interna, mais aquecida em abril que em março.
Stewers mostra-se menos otimista para o ano nas vendas externas, mas diz que a Teka ainda crescerá no ano mesmo diante deste cenário, principalmente pelo mercado doméstico.

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas Citadas
Data: 06/05/2009
Estado: SP



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