O setor calçadista está aguardando os acontecimentos para se posicionar em relação à crise do sistema financeiro internacional. As consequências ainda não estão claras, mas a valorização do real, já ocorrida, foi bem-vinda pelos produtores de calçados.
Tranquilidade, evitar a tomada de novas decisões e não comprometer o orçamento. Esses são os conselhos de Heitor Klein, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), aos empresários do setor. As vendas de Natal ainda são um mistério, segundo ele. Dependerão do comportamento do consumidor brasileiro.
ASN - Qual é a sua avaliação da crise?
Klein - Esta situação se deve à falta de confiança nas instituições e sistema de crédito do Hemisfério Norte. Não aconteceu aqui. Pode ou não ter impacto na inflação e preços. Pode ser só um abalo. Dependendo do grau de acerto das medidas tomadas no Hemisfério Norte, poderia se imaginar que o Brasil estaria salvo. Mas nada se sabe. O momento é de incerteza e indecisão. Não sabemos no que vai resultar, quando e o que vai ocorrer nos próximos meses.
ASN - O setor calçadista já foi afetado?
Klein - Ainda não temos a dimensão da crise no nosso setor. Estamos vivendo uma situação de impasse por conta das indefinições no mercado. Isso faz com que operadores paralisem novos negócios. Quando a situação vai serenar, também não sabemos. Os negócios estão estagnados. O exportador não sabe que preços vai praticar nas vendas.
ASN - Quais são os impactos possíveis para o setor?
Klein - No médio prazo, poderá representar condição melhor nas vendas do setor, por causa da desvalorização do real. A valorização do real perante o dólar havia comprometido fortemente o nosso desempenho. As importações eram praticamente inexistentes no País no setor calçadista, até a valorização do real.
ASN - Como o empresário deve agir neste momento?
Klein - Neste momento é preciso ter tranqüilidade. Empresários não devem firmar posições novas, enquanto essa situação não se esclarecer. Estamos analisando as informações e tentando verificar as tendências. O quadro é incerto e os empresários devem evitar tomar grandes decisões e fazer grandes compras. Vamos aguardar o que vai acontecer, sem comprometer os orçamentos.
ASN - O mercado interno poderá ser a alternativa para os produtores de calçados?
Klein - Não trabalhamos com a hipótese de um mercado substituir o outro. Trabalhamos os dois paralelamente. Não se transfere o esforço de um para o outro. São mercados totalmente diferentes.
ASN - Essa crise acontece num momento especial para o setor calçadista?
Klein - Sim. Esse é o prejuízo maior, pois nos pega no auge da temporada de negócios, entre setembro e outubro. Os compradores do Hemisfério Norte fazem as encomendas para primavera/verão entre 15 de agosto e 15 de outubro. Exatamente nesse período são realizadas as principais feiras por lá. Vamos sentir as conseqüências entre janeiro e março, quando deverá haver queda nas exportações brasileiras de calçados.
ASN - As vendas para o Natal foram atingidas?
Klein - O comportamento do mercado interno vai depender do ânimo do consumidor. Por enquanto, é o que parece. As vendas de Natal são uma incógnita.
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Vanessa Brito
Seção: Notícias
Data: 23/10/2008
Estado: DF