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Brazilian Footwear
 

Catálogo do Exportador


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18.08.2008
Em julho, faturamento das exportações calçadistas caiu 14,86% em reais
 

Colocando na ponta do lápis todos os custos de produção que os empresários têm para produzir, somados à valorização do real frente ao dólar, o resultado das exportações de calçados nos últimos meses tem sido negativo, ao contrário do que apontam os dados calculados em dólar. Na avaliação do vice-presidente da Abicalçados, Ricardo Wirth, se o faturamento obtido com os embarques, que sempre é computado em dólares – for convertido em reais (moeda que entra na conta dos exportadores), pode-se ver que os cenários são muito diferentes. De janeiro a julho deste ano, o setor registrou divisas na ordem de US$ 1,144 bilhão. Convertido para a moeda brasileira, este montante ficou em R$ 1,92 bilhão. Para este resultado, foi utilizada a taxa média do dólar de R$ 1,68. No mesmo período do ano passado, as exportações somaram US$ 1,117 bilhão, equivalendo a R$ 2,25 bilhões. A taxa média do dólar de janeiro a julho de 2007 havia sido de R$ 2,20. “Ao transferirmos para reais, percebemos que o faturamento das exportações nestes sete meses caiu 14,86%”, aponta o dirigente. Utilizando a moeda norte-americana, o faturamento foi de 2,4% positivo.

“Com o dólar tão depreciado frente ao real, não podemos oferecer um preço competitivo para os importadores. Os empresários brasileiros já não têm lucro, pois não conseguem repassar o aumento dos insumos para o valor final. Na hora de converter seus valores para a moeda americana, sempre há perda, pois quanto menor o valor do dólar, mais caro ficará o calçado”, explicou Wirth. O preço médio do sapato aumentou três por cento, sendo vendido a US$ 11,08. Segundo ele, a única maneira de melhorar a situação dos exportadores seria um dólar estável e condições competitivas de produção, como uma carga tributária menor.

Em pares, a queda foi de 0,6%. Foram embarcados ao longo deste ano 103,2 milhões de calçados contra 103,9 milhões de pares remetidos ao exterior de janeiro a julho de 2007. Os dados são da Abicalçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Governo Federal.

Redução – O maior comprador dos sapatos made in Brazil, os Estados Unidos, continuam apresentando queda nas compras, mesmo com a redução do preço médio nos sete meses de 2008. De janeiro a julho de 2007, os americanos compraram 32,8 milhões de pares, com faturamento de US$ 446,5 milhões e em 2008, neste mesmo período, os embarques caíram para 26,7 milhões de pares (-18,5%) com faturamento de US$ 301,3 milhões (-32,5%). O preço médio, que foi de US$ 13,59 em 2007, diminuiu para US$ 11,26 em 2008. A queda nos embarques não é observada somente no continente americano. Entre os compradores europeus mais expressivos, a Espanha reduziu as compras de 3,6 milhões de pares no ano passado (que geraram faturamento de US$ 35,5 milhões) para 3,1 milhões de pares esse ano (US$ 39,9 milhões). O preço médio, porém, foi de US$ 9,73 para US$ 12,66.

Aumento - No comparativo com os sete primeiros meses do ano passado, outros países tiveram acréscimo nos pedidos, porém com números menos expressivos que os norte-americanos. Neste período, a vizinha Argentina passou de 6,1 milhões de pares (equivalentes a US$ 81,2 milhões em divisas) para 7,1 milhões de pares este ano (US$ 101,3 milhões), mesmo com a alta no preço médio, que foi de US$ 13,15 para US$ 14,22. A Itália, por sua vez, passou dos 4,2 milhões de pares adquiridos no ano passado (equivalentes a US$ 58,9 milhões) para 5,1 milhões de pares este ano (US$ 96,1 milhões), sendo que o preço médio saltou de US$ 13,89 para US$ 18,65. A Venezuela também aumentou a demanda, passando de 5 milhões de pares (com divisas de US$ 32,8 milhões) para 5,4 milhões de pares (US$ 40,6 milhões), e alta do preço médio, que foi de US$ 6,50 para US$ 7,49.

São Paulo foi o maior prejudicado até agora

Analisando os percentuais, o Estado de São Paulo, tradicional exportador, foi o que mais perdeu embarques de janeiro a julho deste ano, tanto em volume físico quanto em receita. Em 2008, os paulistas comercializaram 6,7 milhões de pares no exterior contra 9,5 milhões de pares que cruzaram as fronteiras em 2007 (-28,7%). Em relação às divisas, este ano foi computada a entrada de US$ 111,6 milhões contra US$ 116,6 milhões no ano passado (-4,3%).

Logo após figura o Rio Grande do Sul, que nestes sete meses enviou 33,5 milhões pares para o exterior, enquanto no ano passado foram 43,6 milhões (-23%). Em termos monetários, o decréscimo foi de 3,7%, passando seu faturamento de US$ 724,8 milhões para US$ 698,1 milhões. Minas Gerais também está contabilizando perdas. De um milhão de pares exportados de janeiro a julho do ano passado, regrediu para 812,1 mil pares (-22,3%) em igual período deste ano. As cifras dos mineiros caíram 7,8%, de US$ 11,2 milhões em 2007 para US$ 10,3 milhões em 2008.

Por outro lado, os Estados do Nordeste brasileiro continuam em movimento ascendente. Entre os mais expressivos, a Bahia mostrou maior índice de crescimento esse ano, passando de 3,5 milhões de pares exportados em 2007 para 4,8 milhões de pares esse ano (38,2%), enquanto o faturamento saltou 15,5%, passando de US$ 43,7 milhões para US$ 50,5 milhões este ano. O Ceará teve índices menores de alta, mas segue no topo do ranking dos Estados brasileiros no que se refere a volume. Neste quesito, foram 12,4% de alta, passando de 31,4 milhões embarcados em 2007 para 35,3 milhões vendidos em 2008. Já as finanças cresceram na ordem de 12,9% - foram US$ 171,8 milhões no ano passado e US$ 193,9 milhões este ano.

Importações preocupam setor

De janeiro a julho de 2008, o crescimento das importações, em número de pares, é da ordem de 58,1%, enquanto em termos de valores pagos pelo Brasil, o aumento foi de 59,6%. Dos 15,1 milhões de pares importados pelo Brasil nos primeiros sete meses de 2007, pelos quais foram pagos US$ 110,2 milhões, o volume subiu para 23,9 milhões de pares no acumulado deste ano, equivalente a US$ 175,9 milhões.  O preço médio passou de US$ 7,27 para US$ 7,34 este ano.

A Abicalçados está preocupada com a situação, visto que a recessão nas economias centrais, principalmente nos Estados Unidos e Europa, reduziram o crescimento do consumo de calçados naqueles mercados. A produção asiática, porém, segue em seu compasso acelerado, com suas fábricas funcionando a pleno, o que gera um excedente de calçados que devem entrar em diversos mercados, inclusive no Brasil.

Até agora, os principais vendedores seguem os mesmos: China e Vietnã. Da China vieram 20,8 milhões de pares ao longo deste ano (US$ 127,2 milhões) e do Vietnã foram comprados 1,7 milhão de pares a US$ 26,6 milhões. O restante do volume adquirido pelo Brasil está dividido entre quase 50 países, porém em pequenas proporções.

Assessoria de Comunicação Abicalçados/Brazilian Footwear
Elizabeth Renz (imprensa@abicalcados.com.br)
Caren Souza (caren@abicalcados.com.br)



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