Em 2009, o setor calçadista brasileiro exportou para exatos 146 países, atingindo nações da África, das três Américas, da Ásia, Europa, Oceania e Oriente Médio. O motivo de uma distribuição tão heterogênea é a diver¬sidade produtiva do parque fabril, que coloca no mercado internacional calçados para todos os nichos de consumo e fabricados nos mais di¬versos materiais. Segundo da¬dos da Abical¬ça¬dos, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no ano passado foram embarcados 126,6 milhões de pares, gerando divisas na ordem de US$ 1.360 bilhão.
Exportações – Computando apenas produtos acabados (não inclui as partes de calçados, NCM 6406), o Brasil enviou ao exterior, de janeiro a dezembro, 126,6 milhões de pares, que geraram divisas de US$ 1,4 bilhão. O preço médio do par ficou em US$ 10,74. Esses números representam retração de 23,7% em volume, 27,7% em faturamento e 5,4% no preço médio em relação a 2008, quando foram exportados 165.8 milhões de pares, a um preço médio de US$ 11,35, atingindo a receita de US$ 1,9 bilhão.
Compradores – Os Estados Unidos figuraram como os maiores compradores do calçado brasileiro em 2009, tanto em volume quanto em valores, quando adquiriram 28 milhões de pares, gerando divisas de US$ 351,4 milhões. Ainda assim, registrou déficit de 25,6% em pares e 27,4% em receita em relação a 2008, quando comprou 37,7 milhões de pares brasileiros, a US$ 483,8 milhões.
O Reino Unido aparece em segundo lugar em divisas, com US$ 179,4 milhões, porém é o quarto em quantidade, com a aquisição de 7,2 milhões de pares. Esses dados dão conta que o país europeu reduziu em 29,7% as encomendas de calçados brasileiros em relação ao ano anterior, e 29,6% nos valores pagos. Em 2008, os ingleses absorveram uma fatia de 10,2 milhões de pares a US$ 254,8 milhões.
A vizinha Argentina ocupou a terceira posição em faturamento em 2009, tendo pago US$ 142,4 pelos 12,9 milhões de pares adquiridos, porém foi a segunda em volume. Em relação a 2008, quando importou do Brasil 18,5 milhões de pares a US$ 192,9 milhões, registrou retração de 30,3% em volume e 26,2% em termos monetários.
O quarto maior comprador, em faturamento, foi a Itália, que ocupou também a sexta posição em volume ano de 2009, quando registrou a entrada de 4,5 milhões de pares nacionais, pelos quais foram pagos US$ 92,2 milhões. Em relação ao ano de 2008, os índices seguiram trajetória descendente, registrando queda de 40,5% em pares e 38,2% em divisas. Naquele ano, a Itália adquiriu 7,5 milhões de pares, pelos quais pagou US$ 149,2 ¬milhões.
Europa compra mais
Se analisados os continentes, a Europa foi a maior compradora do calçado brasileiro em faturamento, porém a terceira em quantidade. Em 2009, adquiriu 26,6 milhões de pares nacionais (US$ 485,7 mi). O preço médio no período foi de US$ 18,28.
A América do Norte ficou em segundo lugar em faturamento e em volume, pois comprou 32,7 milhões de pares (US$ 384,5 mi) com preço médio de US$ 11,77.
A América do Sul foi a terceira em fatura¬mento mas liderou em quantidade, comprando 46,5 milhões de pares (US$ 333,2 mi). O preço médio foi de US$ 7,16.
Balança caiu 32,1%
No ano de 2009, a balança comercial do setor calçadista ficou com saldo negativo de 32,1%, equivalentes a US$ 1,15 bilhão. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), elaborados pela Abicalçados, os embarques de calçados e suas partes também registraram índices negativos em exportação (que ficou em -27,1%, equivalentes a US$ 1,5 bilhão), em importação (-1%, que resultou em US$ 323,2 milhões) e na corrente de comércio (-23,4%, cujo valor foi US$ 1,8 bilhão).
Calçados de couro tiveram maior parte do faturamento
Analisando as exportações de calçados por segmento, de acordo com o capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), verifica-se que os calçados em couro (NCM grupo 6403) ficaram em primeiro lugar na geração de divisas, sendo responsáveis pela maior parte do faturamento oriundo dos embarques. Este segmento representou uma fatia de US$ 919,6 milhões de janeiro a dezembro de 2009, embora esteja em segundo lugar quando se trata de volume, com o envio de 38,7 milhões de pares no período. Ainda assim, teve retração de 29% em volume e 29,3% em finanças.
Já os sintéticos (NCM 6402) atingiram o segundo posto em faturamento, ainda que tenham conquistado o primeiro em quantidade. Em 2009, cruzaram as fronteiras do país 81,3 milhões de pares, que geraram receita de US$ 353,6 milhões. Estes dados puxaram uma variação negativa de 18,6% em pares e 22,4% em renda em relação aos resultados de 2008.
O terceiro lugar, em ambos os aspectos, foi do segmento têxtil (NCM 6404), que embarcou 5 milhões de pares, chegando a cifras de US$ 73,2 milhões. Este tipo de calçado reduziu 38,3% sua quantidade embarcada e em 26,9% seu faturamento em relação ao período anterior.
Já o segmento injetado (NCM 6401), além de ter ficado na quarta posição tanto em volume quanto em termos monetários, despencou no ano de 2009, em relação a 2008. De janeiro a dezembro do ano passado, foram embarcados 658,9 mil pares de injetados, que geraram US$ 4,2 milhões. Estes dados apontam que este tipo de calçado despencou 71,7% em volume e 65,8% em faturamento.
Rio Grande do Sul gerou mais divisas
Os Estados do Rio Grande do Sul, Ceará e São Paulo, respectivamente, lideraram o faturamento das exportações brasileiras no ano de 2009. O Rio Grande do Sul ficou em primeiro lugar, atingindo receita de US$ 765,8 milhões, proveniente do envio de 35,5 milhões de pares ao exterior. Ainda assim, as fábricas gaúchas registraram déficit de 30,9% em volume e 31,5% em finanças em relação a 2008.
O Ceará aparece em segundo lugar, com o faturamento de US$ 294,3 milhões, mas é o primeiro quando se fala em volume exportado, pois ao longo de 2009 embarcou 49,8 milhões de pares. Estes números representam queda de 13,2% em pares e 15% em finanças em relação ao ano anterior.
Na sequencia, São Paulo aparece como o terceiro em receita, com US$ 118,9 milhões, e quarto lugar em volume, com 7,3 milhões de pares. A redução foi de 32,3% em quantidade e 35,9% em valores, sem comparado ao desempenho de 2008.
O quarto lugar é da Bahia, que faturou US$ 69,9 milhões e que, em volume físico, ocupa o quinto lugar com o embarque de 7,2 milhões de pares. Comparando aos resultados de 2008, nota-se a queda de 10% em volume e 15,4% em receita.
Com US$ 60 milhões gerados em 2009, a Paraíba foi o quinto Estado em faturamento, em decorrência da exportação de 19,9 milhões de pares de calçados – número que lhe rendeu o terceiro lugar em quantidade. O fato acarretou aos exportadores paibanos uma perda estimada em 24% em volume e 22,1% em finanças.
Minas Gerais ficou em sexto lugar em todos os quesitos. No último ano, embarcou 1,2 milhão de pares, que geraram US$ 14 milhões. A retração foi de 13,4% em pares e 13,2% em termos monetários em relação a 2008.
Importações caem
No ano de 2009, o Brasil importou 30,4 milhões de pares de calçados, pelos quais pagou US$ 296,5 milhões. Em relação a 2008, foi registrada perda de 22,8% em volu¬me e 3,6% em valores, quando foram importa¬dos 39,3 milhões de pares a US$ 307,4 milhões. As compras de calçados chineses caíram 32,7% em volume e 16,1% em valores. Foram comprados 22,6 milhões de pa¬res daquele país, a US$ 183,6 milhões. Por outro lado, houve elevação nas encomendas feitas a outros países. Do Vietnã houve alta de alta de 26,9% em pares e 36,9% em valores e da Indonésia, 76,4% de elevação em volume e 67% a mais em divisas.
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15/01/2009