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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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04.01.2011
Dólar baixo e aumento das importações preocupam indústria
 

O resultado da balança comercial divulgado nesta segunda-feira, mostrando o pior resultado em oito anos, veio a confirmar as preocupações da indústria nacional em relação à valorização do real e ao crescimento das importações. Representantes da indústria de manufaturados relativizam o volume recorde de exportações e reclamam da dificuldade de formar preços competitivos no mercado internacional. Em 2010, o superávit recuou 19,8%, para US$ 20,27 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
“As nossas exportações não subiram no mesmo ritmo das importações e isso desestrutura a indústria", afirma Maurício Groke, presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre). "O Brasil está muito forte nas commodities, mas está importando muitos bens de consumo, muito produto acabado e embalado”, diz. Ele dá como exemplo o café torrado e moído importado da Suíça e da China. “A gente poderia estar beneficiando esses produtos aqui, mas sofremos com o real valorizado”.
Outro setor que não comemora o resultado das exportações é o de calçados, que registrou em 2010 uma alta de cerca de 10% nas vendas para outros países. “Tivemos uma recuperação, mas não a ponto de igualar a performance de 2008”, afirma Heitor Klein, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Segundo ele, a preocupação só não é maior devido ao aquecimento do mercado interno. “O sapato brasileiro é bem aceito, é vendido para mais de 150 países, mas o câmbio, a alta carga tributária e a taxa de juros impedem a nossa capacidade de formar preços mais competitivos”.
A concorrência com produtos importados, sobretudo chineses, ocorre também dentro do país. Segundo Klein, as empresas chinesas têm conseguido driblar a tarifa antidumping fixada pelo governo brasileiro sobre as importações de calçados oriundos da China. “Temos indícios de que muitos dos calçados importados da Malásia, Tailândia e Indonésia são, na verdade, importações triangulares de calçados fabricados na China e vendidos desmontados para esses países”, diz. A Abicalçados defende que a aplicação do direito antidumping seja estendida a outros países asiáticos.
Mesmo os setores com menor penetração no mercado internacional se dizem afetados pelo real valorizado. “Com o dólar baixo, as empresas do setor de móveis estão se voltando mais para o mercado interno”, diz José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel).
Analistas veem risco de balança comercial negativa em 2011
Para analistas ouvidos pelo G1, o resultado da balança comercial em 2010 deve ser visto como sinal de alerta. “O resultado é preocupante pela tendência de expansão maior das importações e de real valorizado”, diz Rogério Sobreira, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE/FGV).
O economista Rafael Bistafa, da Rosenberg & Associados, destaca que o recorde nas exportações se deve mais ao efeito preço do que ao efeito quantidade. “A valorização dos preços das commodites nos últimos quatro meses foi o que salvou. O que preocupa é o quão dependente a balança comercial vai ficar da exportação destes produtos”, afirma .
Para os analistas, os números da balança comercial apontam uma tendência a primarização da pauta de exportações. Ou seja, uma maior expansão do peso dos produtos básicos e o encolhimento da parcela representada por bens industrializados, que possuem maior valor agregado. Com a demanda chinesa em alta e os juros altos atraindo o capital estrangeiro, a tendência para 2011 é de um superávit ainda menor.
Otto Nogami, do Insper (Instituto de Pesquisa e Ensino), vê um aspecto positivo do real desvalorizado e do crescimento das importações: “Muitas empresas aproveitaram o momento para importar maquinário e o resultado disso poderá ser visto daqui uns três anos”, diz. Ele destaca, porém, que para alguns setores, devido ao câmbio, passou a ser mais interessante fabricar o produto no exterior e trazê-lo de volta como importado.
Nogami defende investimentos que permitam agregar valor aos itens do cardápio de exportações brasileiras, sobretudo no setor de bens de consumo não-duráveis, de processamento de commodities. “O salto qualitativo está atrelado ao setor agrícola, que é a nossa vocação”, diz. “Se não podemos desenvolver tecnologia para competir com os Estados Unidos e Japão, podemos nos especializar nos setores de comida e bebida. Em vez de exportar só soja, podemos exportar também óleo e farelo”.
Darlan Alvarenga, do G1, em São Paulo



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