Um encontro realizado na sede da Abicalçados, no dia 12 de abril, a diretoria da entidade e representantes dos sindicatos das indústrias calçadistas debateram temas que preocupam os dirigentes. Dentre eles, os estudos sobre a Ergonomia no setor calçadista, cuja maior discussão está na alternância postural – se o ideal é o trabalhar atuar em pé ou sentado. Rogério Dreyer, diretor executivo da Abicalçados, lembrou os avanços acontecidos desde a criação do Grupo de Trabalho, em 2008. Desde então, uma série de estudos foi executada e gerou um documento que foi submetido aos sindicatos das indústrias de calçados. Estas informações servirão de base para as discussões da comissão tripartite – formada por empresários, trabalhadores e Governo – para revisão da Norma Regulamentadora 17. A especialista Jacinta Sidegum Renner assinalou que as empresas que estão investindo na adoção de políticas ergonômicas, além do ganho no bem estar do colaborador, também passaram a ganhar causas trabalhistas. “Peritos e juízes já estão utilizando as conclusões levantadas pelo Grupo para avaliar os processos judiciais”. O próximo passo é a instalação de uma comissão tripartite para redigir um documento final que servirá como normativo para a fiscalização do Ministério do Trabalho.
Trabalho infantil – Heitor Klein, diretor executivo da Abicalçados, informou aos representantes dos sindicatos o estudo realizado pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, apontando que diversos países estão utilizando mão-de-obra infantil na fabricação de diversos produtos. O Brasil foi apontado como empregador de menores nas indústrias de calçados (veja texto na página 2). A entidade elaborou um documento de defesa e que foi apresentado ao Ministério do Trabalho no início de abril. “Temos que estar atentos, pois os Estados Unidos estão reagindo contra a decisão do Brasil e boicotar produtos norte-americanos devido ao subsídio no algodão”, comenta.
Desvio de comércio – O presidente da entidade, Milton Cardoso, também apontou que a entidade está atenta à movimentação de produtos importados de países da Ásia, desde que foi implementada a tarifa antidumping, em março passado. “Houve redução das importações da China, mas há crescimento na Malásia, Tailândia e Vietnã. Vamos monitorar para que não aconteça desvio de comércio”, destacou.
Participaram da reunião representantes dos sindicatos das cidades gaúchas de Sapiranga, Parobé, Dois Irmãos, Estância Velha, Igrejinha e Ivoti. Do Estado de São Paulo estiveram dirigentes dos sindicatos de Jaú, Birigui e Franca.