Milão/Itália - Sempre muito disputado pelas marcas internacionais de alta moda, o espaço Visitors, instalado no Pavilhão 2 da Micam ShoeEvent, conta nesta edição com oito empresas brasileiras. Um crescimento expressivo se comparado com a feira de setembro do ano passado, que contou com apenas três. O maior objetivo deste local é apresentar um design diferenciado e conceitual de grifes de criadores de diversas origens. Neste quesito, o Brasil chama a atenção pela diversidade das coleções e dos materiais apresentados, como couro de peixe, saltos em marchetaria, pedrarias e muita cor. Esta diferenciação tem chamado a atenção principalmente dos japoneses, sempre ávidos por encontrar produtos exclusivos. A Cavage (Novo Hamburgo/RS), atendeu no primeiro dia cerca de dez compradores nipônicos e fechou dois importantes pedidos, abrindo aquele mercado. “Observamos que o mercado está começando a reagir”, comenta Vicente Hoffmann, designer da marca. Rosa Barcelos, do setor de exportação da Luiza Barcelos (Belo Horizonte/MG), além de ter negociado com um cliente que tem rede varejista no Japão, comemorou o contato feito com uma compradora da Galeria Lafayette, de Paris, referência mundial em moda. Ela adquiriu um mix de toda a coleção, que estará na loja de departamentos mais importante da França na próxima estação.
Aposta - Tanto a Cavage como a Luiza Barcelos participam do Visitors pela terceira vez consecutiva e agora passam a ter a companhia de outras seis novas marcas. Débora Germani, fabricada pela Indústria São Manoel (Belo Horizonte/MG) é uma delas. Althéa Agrello, diretora da empresa, salientou que expor neste espaço é uma aposta para abrir em definitivo as exportações. Dos contatos que realizou com compradores da Austrália e do Japão, fechou uma grade de pedido com este ultimo. “Temos ciência de que temos que estar em uma feira importante como esta e persistir no objetivo”, declarou. Sua meta é atender lojistas de modo direto, sem a influência de um distribuidor. A produção da fábrica, de 250 pares por dia, é feita de modo artesanal, o que torna o preço médio muito alto. “Com a crise global e a queda do valor do dólar, temos que evitar os custos que um distribuidor tem para uma empresa como a nossa”, justifica.
A Capodarte (Sapiranga/RS) é outra grife brasileira que estreia de modo efetivo no mercado internacional através do espaço Visitors. Fernanda Biz, gerente de vendas, recebeu visitantes da Grécia, Libano, Dubai, dentre outros países. “Nosso foco é consolidar a marca com o mesmo conceito que tem no Brasil, de atender a um público feminino culto e sofisticado, pertencente a classe AB”, diz. Para isto, a escolha dos canais de distribuição é a principal estratégia. Os artigos da Capodarte – que envolvem desde sapatos, bolsas, carteiras e cintos – serão colocados em butiques de sapatos ou que também vendem roupas, localizadas na Europa e nos Estados Unidos. A coleção apresentada na Micam reflete o objetivo da marca. Com o tema principal baseado na feminilidade, seus calçados têm saltos em forma de pétalas, de esculturas e outras formas que valorizam a consumidora que quer ficar bem vestida, chamando a atenção pelo detalhe inusitado.
No espaço Visitors também expõem as grifes nacionais Corso Como e Alexandre Birman (Campo Bom/RS), Lele Pyp (Novo Hamburgo/RS) e Confraria (Brasilia/DF). A presença dos expositores brasileiros é organizada pelo Brazilian Footwear – Programa de Promoção às Exportaçoes promovido pela Abicalçados com o apoio da Apex-Brasil. No pavilhão 4 da FieraMilano, estão abrigadas 16 empresas. Biondini, Cappelli Rossi, Carrano, Dilly, Malu Super Comfort, Miucha, Monacci/Cláudia Mourão, Stéphanie, Werner, Wolpco, Satryani, Pararaio, Andacco, Século XXX, Maria Beatriz e Raphaella Booz. Individualmente expõem Anatomic Gel, Bettarello, Bibi, Democrata, Rider, Pampilli, Radames, Dagatinha, Ferrucci, Sapatoterapia, Via Uno, Studio Tmls, Pyramidis, Villione, Miezko, Cristófoli, Dumond, Tanara, Kildare e West Coast.
Elizabeth Renz
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
17 de setembro de 2009