Wolfgang Goerlich, presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB) falou na reunião-almoço da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul) realizada nesta quarta-feira (14), sobre o novo cenário para a indústria brasileira do couro, chamando a atenção para as dificuldades do setor em relação à rentabilidade da empresas. Sublinhou que o Brasil hoje é bem mais respeitado como um gigante na produção de carne e couro. Neste sentido, destacou que o CICB está focando suas ações no conceito do couro como um produto nobre, sofisticado, desejo de consumo de todos, no mundo inteiro. Porém, lamentou que os curtumes estejam diante de dois grandes desafios. De um lado, há um processo forte de concentração da matéria-prima e, na outra ponta, uma dificuldade com o preço de venda.
Nas projeções do presidente executivo do CICB, as vendas externas de wet blue terão crescimento de um milhão de couros neste ano, na comparação com o ano passado. Enquanto isto, no crust, haverá uma compensação, com queda de um milhão de unidades. Porém, a perda mais significativa acontecerá com os couros acabados, de maior valor agregado. Goerlich lamenta este quadro, mas explica pelo baixo preço do produto no mercado mundial, em um cenário onde a matéria-prima mais do que dobrou de preço em pouco tempo e no qual o dólar está perdendo valor. Neste novo cenário, prevê a predominância de dois tipos de curtumes no Brasil: os grandes produzindo commodities e pequenos com produtos diferenciados, conquistando novos mercados. Neste campo, vê as empresas gaúchas como as com melhor preparo para o novo momento.
Adroaldo Diesel Filho
Comunicação da AICSul
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