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24.10.2008
Crise é vista com cautela por calçadistas
 

Conforme publicado na Agência Brasil, do governo federal, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse na última quarta-feira (15 de outubro) que "o dólar a R$ 2 é um bom para as empresas exportadoras brasileiras''. O ministro declarou ainda esse era o desejo das empresas durante o período em que o dólar estava desvalorizado. Por outro lado, o ministro ressaltou que a atual situação do câmbio, em que o valor do dólar varia a cada instante, acaba atrapalhando as negociações internacionais.
"Você tem um comportamento da moeda muito errático. O dólar vai para R$ 2,40, para R$ 2,10, para R$ 2,20. Ninguém faz negócio numa situação como essa. Todo mundo pára e espera para ver o que vai acontecer'', afirmou. Jorge disse ainda que o comércio exterior brasileiro ainda não sentiu os efeitos da crise, porque os produtos que estão sendo vendidos neste momento são fruto de negociações anteriores.
O gerente de exportações da Schutz (Campo Bom/RS) concorda com o ministro quanto a questão do 'dólar ideal', porém acredita que ele poderia ficar cotado ainda a uma média menor, R$ 1,80 a R$ 2. Diante da crise norte-americana e do conseqüentemente desaquecimento do consumo de calçados, executivo revela que a indústria tem tomado atitudes cautelosas. "Mediante essa crise estamos evitando dar crédito, estamos arriscando menos quanto aos negócios internacionais'', afirma. A nova estratégia comercial da empresa, que exporta cerca de 25% de sua produção de cerca de 2 milhões de pares anuais, é cobrar uma espécie de caução do importador.
"Cobramos 30% da venda adiantado para não arriscar um prejuízo que pode ser muito maior'', explica Cassel. Para o executivo, a crise ainda é muito recente para notar uma baixa nos volumes embarcados, porém já se revelam alguns comportamentos de retração nos clientes internacionais. "Estão apreensivos com a situação e vindo com mais cautela'', analisa. Para evitar perdas ainda maiores, a Schutz recorreu ao travamento da cotação para a próxima coleção, que ficou em R$ 1,80.
"Com essa súbita elevação do dólar tivemos prejuízos, mas que poderiam ter sido piores'', afirma Cassel, revelando que a empresa pouco tinha se utilizado desse recurso. A crise, segundo ele, deve afetar profundamente o mercado brasileiro, particularmente o exportador, até o segundo semestre do próximo ano. A estratégia da indústria, no entanto, não muda: continuar apostando no mercado externo, porém com mais cautela.
Além disso, outra mudança na rotina empresarial deve ser a diminuição das importações de insumos e, principalmente, de couro liso vindo da Argentina. "Vai ficar muito caro importar. Então a tendência é de uma redução brusca nesse comércio até que o mercado fique mais favorável'', projeta. Atualmente os principais compradores internacionais da Schutz estão no Canadá, África, Hong Kong, Austrália, Portugal - onde mantém distribuidor, Itália, Grécia e Turquia.

Otimismo - A Freeway (Franca/SP) também ainda não pode sentir os efeitos do câmbio flutuante, porém vê com certo otimismo as movimentações da valorização da moeda norte-americana. "Ainda não sentimos de perto os efeitos dessa crise. Os próprios ministros estão dizendo para esperarmos e ver no que vai dar'', ressalta o gerente de exportação Cléber de Oliveira. A 'turbulência forte' pela qual passa a economia mundial deve passar com o ano que já terminou para a empresa. A indústria calçadista, assim como muitas que procuram proteger suas receitas as oscilações cambiais recorre a travagem do dólar.
"Se o dólar tiver a R$ 2,20, usamos R$ 2, sempre para ter uma margem. Mas com essas oscilações tão constantes nem mexemos em preços'', afirma Oliveira. Para o gerente o dólar valorizado é benéfico para a empresa que exporta e utiliza insumos e couros do mercado interno. "A única matéria que importamos, e é muito pouco em volume, é o TR para solados. Logo, somos muito mais beneficiados do que atingidos por essas altas do dólar'', explica. Segundo ele, o efeito da crise tem sido maior no setor automobilístico e de eletro-domésticos pois esses, tradicionalmente, importam mais. Oliveira salienta que o dólar poderia subir mais, chegando a uma cotação que julga ideal de R$ 2,30 a R$ 2,40.
"Temos todos os produtos aqui, um parque industrial muito avançado para produção de insumos e couros. Não tem por que importar e, se não importamos e exportamos, o dólar alto só torna nosso produto mais competitivo'', avalia o gerente, ressaltando que, se a valorização da moeda norte-americana se mantiver, a tendência é de que a fatia exportada pela empresa - hoje de 15% - aumente ainda mais.

Veículo: Exclusivo On Line
Seção: Economia
Data: 23/10/2008
Estado: RS
Diego Rosinha/Jornal Exclusivo



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