Atingida pela crise financeira e pela invasão chinesa, a indústria calçadista do Rio Grande do Sul enfrenta uma das mais graves situações: o número de vagas diminui e a expectativa de recuperação deverá ocorrer só a partir de abril.
O começo de ano nas exportações é um sintoma. As exportações gaúchas em janeiro foram as piores para o mês desde 1999 – em volume e em dólares recebidos. No mês passado, os calçadistas conseguiram vender apenas 4,12 milhões de pares e obter US$ 87,15 milhões.
Depois da demissão de mais de 8 mil trabalhadores no último trimestre, o segmento deposita as esperanças na retomada das exportações e na possível imposição de uma taxa sobre as importações chinesas, que pode chegar no segundo semestre.
– Creio num retorno do crescimento. Mas é difícil saber quando e a que velocidade – avalia Heitor Klein, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), ao projetar a melhoria do cenário a partir de abril, com uma eventual retomada das encomendas do Exterior.
Até março, a expectativa do dirigente é de manutenção da diminuição nos embarques, que vem provocando demissões. Segundo Klein, as rescisões refletiram a combinação do cenário externo desfavorável com a natural redução na atividade em dezembro e a crescente concorrência chinesa no mercado interno.
– Infelizmente, estamos atravessando essa situação difícil. É bem mais forte do que imaginávamos – conta.
Esse cenário não é exclusividade do Rio Grande do Sul. Em outros polos calçadistas no país, é até pior. Em França (SP), por exemplo, era comum fazer dispensas em dezembro para recontratar em fevereiro. Neste ano, no entanto, as linhas de produção estão praticamente vazias.
Veículo: Canal Rural / jornal Zero Hora
Seção: Notícias
JOÃO GUEDES
Data: 13/02/2009
Estado: RS