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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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17.01.2011
Couromoda 2011: Setor reforça preocupação com a triangulação
 

No discurso de abertura do 38ª Couromoda, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso, voltou a reforçar a inquietação pela qual passa o setor em função do aumento das importações procedentes de terceiros países. A elevação em 23% do quantum das importações registradas em 2010 mantém o sinal de alerta do setor calçadista brasileiro neste início de ano. Este percentual (soma a entrada de pares calçados e  cabedais e a quantidade em quilos de partes de calçados) indica que, além do aumento de compras em países não tradicionais fornecedores,  o importador também está recebendo do exterior cabedais (parte superior do calçado) e solados separados. São completados com uma operação de colagem quando chegam ao Brasil. Esta é uma forma de burlar a tarifa antidumping de US$ 13,83, imposta sobre os calçados procedentes da China.
Os dados da entidade, obtidos do MDIC/SECEX, sinalizam números “curiosos”. Se por um lado o quantum da China caiu 22%, o volume de cabedal procedente daquele país aumentou em 194% e outras partes 318%. Já o Vietnam elevou 81%, a Malásia 1.356%, Indonésia 93%, Taiwan 428% e República Dominicana 726.100%. O Paraguai, por sua vez incrementou suas vendas para o Brasil em 43%. Este país não é tradicional exportador de calçados e nem de partes. Na avaliação somente de pares de calçados, os índices também surpreendem. Novamente a China apresentou queda no volume, de 58,3%, porém, Vietnam vendeu 80,4% a mais e a Indonésia 100%. Da Malásia, entraram 1.355,1% mais calçados em relação a 2009 e de Taiwan outros 514%. No total, o Brasil importou 28,7 milhoes de pares, representando uma redução de 5,5%.
“Mais uma vez estamos enfrentando o ataque inescrupuloso de importações com práticas desleais de comércio, seja pela triangulação das importações por terceiros países, seja pela importação de calçados desmontados, que aqui recebem, quando muito, apenas uma operação de colagem”, destacou Cardoso. Segundo o dirigente, esse ataque, que “zomba” dos princípios que o governo brasileiro criteriosamente seguiu na condução da investigação contra as importações chinesas requer, agora, uma nova resposta, com a aplicação da sobretaxa original também nas importações destes países e destes produtos desmontados.
Já no mercado internacional, o Brasil, que ainda é o quinto maior exportador, enfrenta severas dificuldades de formar preços competitivos, por conta principalmente e quase que exclusivamente da valorização da moeda nacional. Apenas nos dois últimos anos, houve uma perda de quase um bilhão de dólares nos embarques ao exterior, mas a expectativa de Cardoso é que as exportações se fortaleçam de 1% a 2% em 2011 caso a política cambial contribua. Ele lembrou ainda do trabalho do programa Brazilian Footwear, que conta com o apoio da Apex-Brasil: há cinco anos, o Brasil exportava para 80 países, número que saltou para 165 mercados.
Na sua explanação, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, afirmou que o setor terá um parceiro. “Vamos defender sem nenhum temor a indústria nacional. É dever e compromisso. Sabemos que não podemos competir quando as condições são desleais. Estamos atentos à triangulação.” O ministro, que participou da abertura da Couromoda em nome da presidente Dilma Rousseff, antecipou que as medidas de desoneração do setor produtivo como um todo estão sendo preparadas e em breve serão analisadas pelo Congresso Nacional.
O presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Marconi Leonel Matias dos Santos, afirmou que houve um bom desempenho em 2010. Descontada a inflação, as vendas no mercado doméstico tiveram um incremento real de 6,5% a 7%, enquanto a previsão em janeiro de 2010 era de 5%. Para este ano, a projeção da entidade é de um crescimento real de 5%.
Para o presidente da Couromoda, Francisco Santos, essa é uma das maiores edições da mostra calçadista, consolidando um setor forte e saudável. “A cadeia vem se reiventando e se modernizando. No mercado externo, a indústria tem feito um grande esforço e sabemos que temos campo para trabalhar”, salientou. Santos frisou ainda que fica clara a urgência de uma política econômica com capacidade de competir e exportar.
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, disse ser necessário um pacto econômico, social e financeiro do Estado com São Paulo para que seja mantida a pujança do setor.

ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
17 de janeiro de 2011



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