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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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10.10.2008
Câmbio ainda não traz vantagens a calçadistas
 

A crise internacional está sendo acompanhada com apreensão pelo setor coureiro-calçadista. Embora a alta do dólar seja inicialmente uma boa notícia para o setor, a instabilidade dos mercados internacionais não está favorecendo os negócios. Segundo Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados, os exportadores estão aguardando novos fatos antes de ter uma definição do quadro futuro. "A princípio essa situação seria interessante, o dólar mais valorizado aumenta a competitividade do produto exportado mas, como o processo está ocorrendo de forma violenta, ele traz confusão ao mercado, gerando uma paralisação dos negócios", afirma.
Um exemplo dos problemas criados pela crise é a tentativa de clientes internacionais de obter descontos em negócios já realizados. "Já temos exemplos de empresas que pediram isso, imaginando que a posição nova do real em relação ao dólar traz a oportunidade de redução de preço de negócios já contratados", informa Klein.
A baixa cotação do dólar é considerada a principal razão da perda de mercado que as empresas brasileiras sofreram no último ano, devido à  necessidade de reajustar preços. Segundo dados da Abicalçados, o Brasil exportou 113,8 milhões de pares até o mês de agosto, o que representa uma queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso levou a uma queda na receita das empresas da ordem de 16,5%, passando de R$ 2,609 bilhões para R$ 2,178 bilhões arrecadados. "Esta redução já era esperada, devido à s previsões de diminuição de consumo nos Estados Unidos, Europa e Canadá", informa Klein. Só os norte-americanos compraram 21% menos do Brasil nos oito primeiros meses de 2008, totalizando 28,3 milhões de pares. A redução também ocorreu no Reino Unido, segundo maior comprador internacional de calçados brasileiros. Os britânicos importaram 7,4 milhões de pares até agosto, o que representa uma queda de 14,4%.
A queda de consumo nos países ricos também deve ter reflexos no mercado nacional, à  medida em que gera um excedente de produção, principalmente dos produtores asiáticos. "Eles vão procurar desovar este excesso em outros mercados, entre os quais o Brasil, prejudicando ainda mais a indústria nacional", explica Heitor Klein. Os reflexos nas importações já estão sendo sentidos. De janeiro a agosto, a compra de calçados produzidos no exterior cresceu 56,4% em relação ao mesmo período de 2007, totalizando 27,2 milhões de pares. A maior parte deles provém da China, com 71,6% do total.

Veículo: Jornal do Comércio - RS

Seção: Notícias / Marcelo Beledeli
Data: 10/10/2008
Estado: RS



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