Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, o volume dos embarques de calçados para o exterior caiu 32,1%, sendo que o faturamento obteve retração de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2011, foram exportados 23,3 milhões de pares, com receita de US$ 248,3 milhões, enquanto em período correspondente de 2010, foram vendidos ao exterior 34,2 milhões de pares, com divisas de US$ 295,2 milhões. Os dados são da Abicalçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Governo Federal.
Segundo Heitor Klein, diretor executivo da Abicalçados, a redução, puxada pelos Estados Unidos, se deve principalmente ao câmbio. "Com o valor do dólar depreciado em relação ao real, o Brasil perdeu muito espaço na exportação, pois não conseguimos mais formar um preço competitivo. Em decorrência disso, os Estados Unidos preferem comprar de outros países produtores, como a China", sustentou. O preço médio do calçado brasileiro vendido a este mercado triplicou. Passou de US$ 6,12 nos dois primeiros meses de 2010 para US$ 18 nos dois primeiros meses deste ano.
Na análise geral das exportações aos principais destinos, o preço médio do par de calçado Made in Brazil apresentou elevação de 23,8%, passando de US$ 8,62 nos dois primeiros meses do ano passado para US$ 10,67 no acumulado deste ano.
Países – Os Estados Unidos, ainda os principais compradores do calçado brasileiro, apresentaram diminuição de 77,9% no volume este ano, com o embarque de 2,5 milhões de pares. Já o faturamento decorrente dos embarques aos EUA caiu 35%, ficando em US$ 45,3 milhões. Entre janeiro e fevereiro de 2010, os EUA haviam adquirido 11,4 milhões de pares, gerando receita de US$ 69,6 milhões.
Segundo melhor comprador em termos de faturamento, a Itália registrou um decréscimo de 16,5% em volume e 27,3% em termos monetários, com o embarque de 1,5 milhão de pares e a geração de US$ 26,3 milhões. Em igual período do ano anterior, os italianos adquiriram 1,9 milhão de pares Made in Brazil, a US$ 36,2 milhões.
Apesar dos atrasos na liberação das licenças de importação por parte da Argentina, o país vizinho figura no terceiro lugar do ranking das exportações brasileiras, e apresentou elevação de 6,9% no volume comprado até fevereiro deste ano, com 1 milhão de pares, e de 13,8% em termos monetários, com US$ 21,8 milhões. Nos dois primeiros meses de 2010, os argentinos compraram 970 mil pares de calçados brasileiros, gerando US$ 19,2 milhões em divisas.
Quarto principal cliente dos fabricantes nacionais, o Reino Unido demonstrou uma queda significativa no período - de 47,2% em volume e 39,2% em receita, com a compra de 893 mil pares, pelos quais foram pagos US$ 19,5 milhões. Nos dois primeiros meses do ano passado, foram vendidos para o Reino Unido 1,7 milhão de pares, gerando US$ 32 milhões em divisas.
Queda em todos os segmentos exportados
De acordo com dados da Abicalçados, todos os produtos do capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), todos os segmentos de sapato exportados até fevereiro deste ano apresentaram redução. Os produtos com cabedal em material sintético (NCM 6402) lideram, uma vez que embarcaram 16,7 milhões de pares entre janeiro e fevereiro, com faturamento de US$ 82,1 milhões. Porém, ante os 25 milhões de pares exportados no ano passado, com divisas de US$ 85,9 milhões, houve retração de 33,2% em volume e 4,4% em valores.
Já os calçados com cabedal em couro (NCM 6403) exportaram 5,6 milhões de pares, com receita de US$ 152,4 milhões, o que representa 31,7% a menos em quantidade vendida e 21,2% menos em termos monetários em comparação ao ano passado – quando foram enviados ao exterior 8,3 milhões de pares a US$ 193,5 milhões.
Os calçados em material têxtil (NCM 6404), por sua vez, diminuíram em 7,6% o volume de embarques e em 15,3% no faturamento até fevereiro, quando embarcaram 745,5 mil pares a US$ 11,3 milhões. Em igual período do ano anterior, este grupo embarcou 807 mil pares, equivalentes a US$ 13,3 milhões.
Os injetados (NCM 6401) despencaram 58,5% em volumes este ano e 23,6% em valores, com o envio ao exterior de 34,6 mil pares, equivalentes a US$ 383,3 mil. No ano passado, foram exportados 83,4 mil pares, que geraram US$ 501,6 mil em faturamento.
Calçados classificados como outros (NCM 6405) exportaram 163,1 mil pares (US$ 2 milhões) contra 129,4 mil pares no ano passado, que resultaram em US$ 2 milhões. Neste caso, houve alta de 26,1% em quantidade embarcada e 5,2 em finanças.
Minas Gerais retoma embarques
E m fevereiro observou-se o retorno de Minas Gerais ao grupo dos principais Estados exportadores, ocupando o sexto lugar, que era ocupado por Sergipe. Já os Estados do Norte e Nordeste do País demonstram quedas significativas, principalmente em volume.
Minas Gerais apresentou alta de 34,8% em volume e 35,8% em valores. Este ano, os mineiros embarcaram 232,6 mil pares a US$ 3,4 milhões, enquanto até fevereiro de 2010 haviam embarcado 172,6 mil, a US$ 2,5 milhões.
O Rio Grande do Sul, líder em faturamento, exportou 5,1 milhões de pares com divisas de US$ 124,7 milhões, o que significa uma decréscimo de 28,6% em volume e 20,4% em faturamento, em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos dois primeiros meses de 2010, os gaúchos exportaram 7,1 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 156,8 milhões.
No Ceará a retração foi ainda maior: de 44,2% em quantidade embarcada e de 21,2% em valores. Foram embarcados 10,3 milhões de pares este ano, com receita de US$ 64,9 milhões, contra 18,4 milhões de pares no ano passado, equivalentes a US$ 82,4 milhões.
São Paulo apresentou alta de 2%, em volume, e 5% de elevação em termos monetários. Este ano, foram embarcados 875,2 mil pares provenientes das indústrias paulistas, gerando faturamento de US$ 18 milhões. No período correspondente de 2010, foram registrados 858,3 mil pares embarcados, o que gerou faturamento de US$ 17,2 milhões.
Com bons índices de crescimento de 2010, a Paraíba agora faz o caminho inverso, com retração de 14,5% em volume, em função do embarque de 4,5 milhões de pares, contra 5,3 milhões exportados nos dois primeiros meses do ano passado. Por outro lado, houve alta de 10,9% em faturamento, com o registro de US$ 15,6 milhões este ano, ante os US$ 14 milhões obtidos no ano passado.
O mesmo ritmo de negócios é seguido pela Bahia, que até fevereiro registrou 21,1% de diminuição nas exportações e 12,3% de retração no faturamento. Este ano os baianos embarcaram 1,2 milhão de pares, que geraram US$ 13,8 milhões, enquanto no ano passado foram enviados ao exterior 1,6 milhão de pares, com divisas de US$ 15,8 milhões.
Os demais Estados da Federação somaram volume de 1,1 milhão de pares, gerando faturamento de US$ 7,8 milhões. Isso significa elevação de 25,5 % em quantidade embarcada e 19,2% em receita em comparação ao ano passado, quando foram vendidos ao exterior 842,3 mil pares, com US$ 6,5 milhões de faturamento.
Importações seguem em elevação
De acordo com o monitoramento de importações de calçados e suas partes, realizado mensalmente pela Abicalçados, a soma da compra de calçados (NCM 6401 a 6405), cabedais (NCM 64061000) e outras partes (NCM 64062000 a 64069990) - denominada quantum - cresceu 12% em volume entre janeiro e fevereiro, comparativamente ao mesmo período do ano passado, e os valores pagos por estas quantidades apresentou elevação de 64%. Este ano, o quantum total foi de 8.632.952, sendo que o valor foi de US$ 85 milhões. No ano passado, o quantum foi de 7.703.995 pelos quais foram pagos US$ 51,9 milhões.
Balança comercial negativa em 31,9%
No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o saldo da balança comercial foi de US$ 172 milhões, ficando negativo em 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações somaram US$ 248,3 milhões, o que gerou uma redução de 15,9%. As importações, por sua vez, ficaram em US$ 76,3 milhões, resultando em alta de 78,4%. Essa movimentação gerou uma corrente de comércio de US$ 324,6 milhões – uma queda de 3,9% em relação a igual período do ano passado.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear