Em faturamento, queda foi de 28,6% no período
Passados os cinco primeiros meses do ano, as exportações seguem em compasso de queda, acumulando variação negativa de 27,3% na quantidade de pares embarcados e de 28,6% a menos em faturamento. De janeiro a maio, o País embarcou 57,1 milhões de pares, com divisas de US$ 560,1 milhões, enquanto no mesmo período do ano passado o volume físico registrado foi de 78,6 milhões de pares, que geraram US$ 784,3 milhões. Os dados são Abicalçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O diretor executivo da entidade calçadista, Heitor Klein, sustentou que o embarque de calçados brasileiros deve seguir em trajetória negativa, uma vez que a situação global leva a este caminho. “Além da recessão mundial, que abala o consumo das principais economias do planeta, o protecionismo da indústria de alguns países está influenciando as negociações. Argentina, Equador e Venezuela já tomaram medidas deste teor e a indústria brasileira já sente os reflexos”, apontou.
Países – O principal comprador do calçados made in Brazil continua sendo os Estados Unidos, que apresentam déficit considerável no acumulado. De janeiro a maio, os norte-americanos compraram 15,2 milhões de pares a US$ 143,5 milhões. A queda foi de 33% em pares e 34,8% em receita, se comparado ao mesmo período de 2008, quando adquiriram 22,7 milhões de pares, pelos quais pagaram US$ 220,2 milhões.
O Reino Unido figurou em segundo lugar no ranking, com a compra de 3,1 milhões de pares no período, equivalentes a US$ 68,9 milhões. Esses valores representaram variação negativa de 35,5% em pares e 28,8% em finanças em relação a 2008, quando a região comprou 4,9 milhões de pares, por US$ 96,4 milhões.
A vizinha Argentina é foi a terceira principal parceria comercial da indústria de calçados, com a aquisição de 2,5 milhões de pares, equivalentes a US$ 46,6 milhões. Os percentuais de queda no comparativo com igual período de 2008 estão maiores do que os outros países: 41,7% em volume físico e 35,9% em faturamento. No ano passado, a Argentina comprou 4,3 milhões de pares a US$ 68 milhões.
Queda – De uma lista de 25 países que constituem os principais compradores do calçado verde-amarelo, apenas três apresentaram índices positivos no comparativo com os cinco primeiros de meses de 2008. A Bolívia comprou 2,1 milhões de pares a US$ 11 milhões, registrando crescimento de 9,3% em volume físico e 3,7% em valores. Já Angola cresceu 76,6% em pares e 69,3% em faturamento, ao adquirir 1,4 milhão de pares a US$ 5,9 milhões, enquanto Cuba teve alta de 10,2% em volume e 22,2% em termos monetários – de janeiro a maio, comprou 704 mil pares, equivalentes a 5,4 milhões. Todos os demais apresentaram índices negativos, à exceção da França, que cresceu apenas em valores despendidos (5,7%), que foi de US$ 18,8 milhões em 2009. Porém, em quantidade embarcada, houve déficit de 27,3%.
Estados – O Ceará continua liderando o ranking dos Estados nas exportações em volume, com embarques de 23,8 milhões de pares de janeiro a maio, correspondentes a US$ 122,1 milhões. O CE, porém, amargou queda de 17,8% em volume físico e 12,1% em termos monetários. O Rio Grande do Sul figurou na segunda posição nos embarques, porém com o maior faturamento. As fábricas gaúchas embarcaram 15,8 milhões de pares no acumulado do ano, com receita de US$ 308,5 milhões. Houve baixa de 36,4% em pares e de 34,6 em finanças.
O terceiro maior Estado exportador foi a Paraíba, com 9,2 milhões de pares, que geraram US$ 32,6 milhões – com desempenho negativo de 17,4% em pares e 11,1% em valores, em comparação com os cinco primeiros meses do ano passado. São Paulo apareceu em quarto lugar, com 2,9 milhões de pares embarcados e US$ 32,6 milhões. As exportações paulistas registraram queda de 34,5% em pares e 36,3% em faturamento.
Recuo em todos os tipos de calçados
Os dados da Abicalçados apontam que todos os tipos de calçados exportados, verificados através da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) registraram queda nos últimos cinco meses. Os calçados injetados (NCM 6401) sofreram o maior percentual tanto no volume quanto no faturamento. Foram embarcados 343,9 mil pares, contra 1,2 milhão do mesmo período de 2008, o que significou um declínio de 72,9%. As divisas caíram em quase 60%.
Calçados em material sintético (NCM 6402) tiveram recuo de 19,5% no volume. Foram enviados ao exterior 37,3 milhões de pares. O faturamento acompanhou a tendência de queda e fechou o período com US$ 161,1 milhões, representando redução de 15,6%.
Os produtos em couro (NCM 6403), que representam maior valor agregado, apontaram um declínio de 35,1% no volume, com o embarque de 16,9 milhões de pares. O faturamento caiu em 31,8% e os exportadores deste produto receberam um total de US$ 365,7 milhões.
A NCM 6404(têxtil) também encerrou o período em baixo, computando uma queda de 53,2% no volume, ao exportar dois milhões de pares. As divisas, de US$ 26,5 milhões, caíram 42,7%.
Importações seguem crescendo
As importações, nos primeiros cinco meses do ano, registraram alta de 4,5% em pares, com a compra de 17,9 milhões de pares contra 17,1 milhões de pares em igual período de 2008. A variação também foi positiva nos valores gastos, que cresceram 21,1% - foram US$ 148 milhões este ano contra US$ 122,2 milhões no ano passado.
Do total, 14,9 milhões de pares são oriundos da China. O segundo maior vendedor de calçados para o Brasil é o Vietnã, com 1,4 milhão de pares de janeiro a maio deste ano. O restante está dividido entre outros países. Até agora, o Brasil já importou 42% do total adquirido do exterior no ano passado.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
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19/06/2009