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A Abicalçados publica em seu site as notícias setoriais mais relevantes. As informações são produzidas pela Assessoria de Comunicação da entidade ou clipadas de fontes diversas.
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23.07.2009
Calçados têm saldo negativo na balança comercial
 

No primeiro semestre de 2009 a balança comercial do setor calçadista acumulou saldo negativo. De janeiro a junho deste ano, o faturamento das exportações apresentou queda de 28,5%, enquanto o das importações subiu 11% em relação ao mesmo período do ano passado. A corrente de comércio – soma das exportações e importações – sofreu redução de 23,2%. Com esta movimentação, o saldo da balança comercial foi de 35,8% negativos.  Os dados são da Abicalçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao MDIC. “A queda nos embarques de janeiro a junho, somada às crescentes importações, é fruto de algo que estamos falando há tempos: o Brasil virou uma valeta de desova de calçados chineses”, avaliou Milton Cardoso, presidente da entidade.

Principais mercados têm redução

Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil enviou para o exterior 65,8 milhões de pares (caiu 26,5%), equivalentes a um faturamento de US$ 679,6 milhões, contra 89,5 milhões de pares embarcados no ano passado, que geraram divisas de US$ 951,1 milhões. Naquele período, os quatro principais compradores do calçado brasileiro durante o primeiro semestre – Estados Unidos, Reino Unido, Argentina e Itália – apresentaram quedas ao redor de 30%, tanto em quantidade de pares quanto em divisas.

O principal comprador no período foi os Estados Unidos, com uma fatia de 25,8% do volume de calçados. Os norte-americanos compraram 16,9 17,0 milhões de pares no semestre contra 24,6 milhões no mesmo período do ano passado, apresentando queda de 31%. Eles lideraram o ranking também em termos financeiros, sendo responsáveis por 26% do faturamento. No semestre, as compras americanas geraram divisas de US$ 176,4 milhões contra US$ 258,7 milhões em 2008. A queda financeira foi de 31,8%.

Na segunda posição foi ocupada pelo Reino Unido, que abocanhou uma fatia de 5,8% do volume. De janeiro a junho, o Brasil embarcou para aquele país 3,8 milhões de pares contra 5,8 milhões de pares no ano passado, o que reduziu em 33,4% o volume. O faturamento foi de US$ 85,9 milhões contra US$ 120,3 milhões no ano passado, ou seja, 28,6% a menos em divisas.
Em terceiro lugar figurou a Argentina, com uma participação de 5,4% no total das exportações em pares. O país vizinho importou 3,6 milhões de pares brasileiros no primeiro semestre contra 5,2 milhões de pares em 2008 – a diminuição foi de 31%. O faturamento ficou em US$ 54 milhões contra US$ 82,4 milhões no ano passado, reduzindo 34,4%.

O quarto lugar ficou com a Itália, que absorveu 4,3% das remessas brasileiras. Nesse semestre os italianos adquiriram 2,8 milhões de pares contra 4,6 milhões de pares nos primeiros seis meses de 2008, o que configurou queda de 38,7%. As compras foram equivalentes a US$ 48,3 milhões, contra US$ 79,0 milhões do ano passado, gerando uma diferença negativa de 38,8%.

Todos os Estados apresentaram queda

No primeiro semestre deste ano, todos os principais Estados exportadores acumularam queda nos embarques ao exterior, tanto em volume físico quanto em faturamento. Em ambos os aspectos, São Paulo foi o mais prejudicado. As fábricas paulistas enviaram ao exterior 3,6 milhões de pares nos seis primeiros meses deste ano contra 5,8 milhões no mesmo período do ano passado, registrando déficit de 38,6%. O faturamento em 2009 foi de US$ 57,2 milhões, enquanto no primeiro semestre de 2008 foi de US$ 93,8 milhões (queda de 39,1%).

As exportações do Rio Grande do Sul também estão em trajetória descendente. Na primeira metade do ano, os produtores do extremo sul embarcaram 18,6 milhões de pares em comparação a 29 milhões de pares em igual período do ano passado. A variação negativa foi de 35,9%. O faturamento gaúcho foi de US$ 381,9 milhões em 2009 contra US$ 577,5 milhões em 2008, o que representou movimentação negativa de 33,9%.

Até mesmo as regiões que vinham apresentando bom desempenho nos embarques começaram a despencar. Foi o caso da Bahia, que chegou quase aos 20% de queda em finanças e volume de pares. As empresas baianas exportaram 3,4 milhões de pares de janeiro a junho deste ano contra 4,2 no mesmo período do ano passado (-19,8%). O faturamento foi de US$ 34,2 milhões este ano, contra US$ 42,5 milhões no ano passado (-19,7)%.

O Ceará, que vinha apresentando bom desempenho no mercado externo desde o ano passado, já soma perdas de 15,8% em pares e 10,7% em valores. Este ano, os cearenses embarcaram 26,8 milhões de pares contra 31,8 milhões de pares no ano passado. Eles computam divisas da ordem de US$ 145,7 milhões em 2009 contra US$ 163,2 milhões em 2008.

Injetados tiveram o maior déficit

Se analisados por segmento, os calçados injetados (NCM Grupo 6401) tiveram a maior queda do semestre – 72,8% negativos, passando de 1,4 milhão de pares no primeiro semestre do ano passado para 378,8 mil neste ano. O faturamento caiu 60,7%, passando de US$ 6,9 milhões para US$ 2,7 milhões.
Já os sintéticos (NCM Grupo 6402) registraram redução de 18,7% em pares (de 51,9 milhões para 42,2 milhões atualmente) e 17,2% em faturamento, que passou de US$ 221,7 milhões para US$ 183,5 milhões.

Os calçados de couro (NCM Grupo 6403) diminuíram de 33,8% em pares e 30,9% em valores. Seus embarques caíram de 30,8 milhões de pares no ano passado para 20,4 milhões de pares este ano. Já o faturamento reduziu de US$ 662,2 milhões para US$ 457,3 milhões de um ano para outro.

Os produtos de material têxtil (NCM Grupo 6404), por sua vez, desceram 52,8% em volume e 42,3% em termos monetários. Foram 4,9 milhões de pares embarcados no ano passado e 2,3 milhões de pares este ano. O faturamento oriundo dos têxteis passou de US$ 54,3 milhões para US$ 31,3 milhões atualmente.

Preço médio dos importados aumenta

O preço médio do calçados importados subiu 15,6% no acumulado do ano, passando de US$ 7,19 em 2008 para os atuais US$ 8,31. O volume vindo do exterior apresentou leve queda, de 3,9% no semestre. “O Brasil está importando calçados de melhor qualidade, principalmente esportivos, com preços um pouco mais elevados”, sustentou Milton Cardoso.

O Brasil adquiriu, este ano, 19,8 milhões de pares do exterior contra 20,6 milhões de pares no ano passado. Já os valores pagos cresceram 11%, comparando iguais períodos – de US$ 148,0 milhões em 2008 para US$ 164,3 milhões em 2009.

ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
Elizabeth Renz - imprensa@abicalcados.com.br
Caren Souza - caren@abicalcados.com.br
Fone: (51) 3594-7011

23/07/2009

 



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