Faltando um mês para o final de 2009, o saldo da balança comercial de janeiro a novembro ficou negativo em 33,4%, se comparado ao mesmo período do ano passado, resultando em US$ 1 bilhão. De acordo com os dados fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a movimentação de calçados e suas partes também apresentou índices negativos na exportação, que ficou em -28% (US$ 1,3 bilhão); assim como na importação, que teve saldo de -2,5% (equivalente a US$ 297,2 milhões) e na corrente de comércio, que reduziu em 24,7% (US$ 1,6 bilhão).
Exportações – Segundo índice elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), analisando apenas a exportação de calçados acabados (não inclui partes de calçados NCM 6406), nos 11 meses do ano foram exportados 114,9 milhões de pares, que geraram faturamento de US$ 1,2 bilhão, sendo que o preço médio ficou em US$ 10,73. Comparando-se a igual período do ano passado, houve queda de 23,8% em pares e de 28,9% em divisas. Em 2008, foram exportados 150,8 milhões de pares, equivalentes a US$ 1,7 bilhão. A variação do preço médio também ficou negativa, em 6,7%.
Principais compradores – Em volume físico, os Estados Unidos continuam sendo os principais compradores do calçado brasileiro, tendo adquirido 25 milhões de pares de janeiro a novembro. Eles também lideram em divisas, sendo responsáveis por US$ 320,8 milhões. Ainda assim, os norte-americanos apresentaram queda de 25,4% no volume adquirido, e de 28,4% em participação na receita, na comparação com mesmo período do ano passado, quando compraram 33,6 milhões de pares, a US$ 448,3 milhões.
Em quantidade, o segundo lugar fica com a Argentina, que adquiriu 12,4 milhões de pares em 2009. A receita é de US$ 134,3 milhões, porém neste quesito está em terceiro lugar. Em comparação a 2008, quando os argentinos compraram 17,2 milhões de pares a US$ 185,3 milhões, foi verificada queda de 27,5%, tanto em volume quanto em cifras.
O Reino Unido figurou em terceiro lugar na quantidade adquirida este ano, que foi de 6,5 milhões de pares, porém sobe para segundo lugar em faturamento, pois des¬pen¬deu US$ 163 milhões com os calçados verde-amarelos. Em 2008 havia adquirido 9,5 milhões de pares a US$ 237,6 milhões, o que configura queda de 31,5% em volume e 31,4% em divisas.
Já a Itália ficou em quarto lugar nos dois quesitos. Foi a responsável pela compra de 3,9 milhões de pares, equivalentes a US$ 80,1 milhões em 2009. Os índices, porém, caíram na ordem de 40% em relação a igual período do ano ¬anterior, quando os italianos adquiriram 6,6 milhões de pares a US$ 133,5 milhões.
Importações têm redução de 23,7%
As importações de calçados por parte do Brasil caíram 23,7% em pares, o que a-carretou diminuição de 4,9% no valor despen¬dido. De janeiro a novembro, o Brasil importou 28,3 milhões de pares, pelos quais pagou US$ 273,4 milhões. No mesmo período do ano passado, entraram no País 37 milhões de pares, que custaram 287,5 milhões.
Deste total, a maior quantidade é procedente da China, de onde as compras já apresentam queda de 10 milhões de pares. Ao longo do ano, o Brasil importou da China 21,5 milhões de pa¬res, pelos quais pagou US$ 173 milhões. No ano passado, foram importados 31,7 milhões de pares, a US$ 205,7 milhões. A queda foi de 32% em pares e 15,9% em fi¬nanças.
Ceará foi o Estado que mais exportou
Embora todos os principais estados exportadores tenham acumulado perdas ao longo do ano, tanto em volume físico quanto em faturamento, o Ceará foi o Estado que lide-rou os embarques. Nos 11 meses do ano, expor¬tou 44,6 milhões de pares, porém é o segundo em faturamento com US$ 265 milhões. Em com¬paração a igual período do ano passa¬do, houve redução de 12,6% em pares e 16% em receita, quando havia embarcado 51 milhões de pares, que resultaram em US$ 315,5 milhões.
O Rio Grande do Sul segue o mesmo desempenho desde o início do ano, ocupando o segundo lugar nos embarques, mas ¬mantendo a primazia no faturamento. Até agora, os gaúchos enviaram ao exterior 32,2 milhões de pares, que resultou em divisas de US$ 691,7 milhões. Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve perda de 32,3% em pa¬¬res e 32,7 em faturamento, quando foram ven¬didos ao exterior 47,6 milhões de pares a US$ 1 bilhão.
O terceiro lugar, observando os resultados do acumulado do ano em pares, ficou com a Paraíba que contabilizou o envio de 18,6 milhões de pa¬res para fora do país, obtendo receita de US$ 56,7 milhões. Este resultado, se comprado aos 11 meses do ano passado, con¬figura a perda de 19,8% em volume e 19% em termos monetários. De janeiro a novembro de 2008, a Paraíba embarcou 23,2 milhões de pares a US$ 70 milhões.
São Paulo está em quarto lugar no montante de pares e terceiro em faturamento. Ao longo do ano, foram 6,7 milhões de pares embarcados e US$ 107,8 milhões de faturamento. Se observado o período de janeiro a novembro de 2008, quando vendeu 10,2 milhões de pares a US$ 174,6 milhões, a retração foi de 34% em volume físico e 38,2% em cifras.
O quinto lugar é ocupado pela Bahia, que embarcou 6,6 milhões de pares para fora do País, com faturamento de US$ 64,7 milhões. Comparativamente ao ano passado, os números representam perda de 11,5% em volume físico e 16,7% em finanças, quando embarcou 7,4 milhões de pares, com resultados financeiros de US$ 77,7 milhões.
Sintéticos são maioria nos embarques
Se observarmos a exportação de calçados por segmento, de acordo com o ca¬pítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mer¬co¬sul (NCM), os calçados sintéticos (NCM grupo 6402) tiveram 74 milhões de pares embarcados este ano a US$ 325,9 milhões, de janeiro a novembro, o que representa 64,4% de volume físico de um total de 114,9 milhões de pares. Ainda assim, foi registrada a variação negativa de 17,5% em volume e 22,1% em faturamento. No mesmo período do ano passado, foram exportados 89,8 milhões de pares sintéticos a US$ 418,6 milhões.
O segmento de couro (NCM grupo 6403) fica em segundo lugar em volume, com os embarques de 34,7 milhões de pares, e primeiro lugar em di¬visas, com US$ 826,1 milhões. De janeiro a novembro do ano passado, foram exportados 50,2 milhões de pares em couro, que ¬geraram 1,2 bilhão em receita. Estes dados demonstram recuo de 30,9% em pares de 31,1% em finanças.
Em terceiro lugar aparecem os calçados de material têxtil (NCM grupo 6404), tanto em volume quanto em faturamento. Este ano, o segmento embar¬cou 4,6 milhões de pares a US$ 67,4 milhões, contra 7,8 milhões de pares e US$ 95 milhões no ano passado. Assim, a perda foi de 40,5% no montante embarcado e 29,1% em receita.
Os calçados injetados (NCM grupo 6401) o¬cupam o quarto lugar, com a venda de 606,4 mil pares a US$ 3,9 milhões contra 2,1 milhões de pares a US$ 10,9 milhões de janeiro a novembro do ano passado. A variação negativa, neste ca¬so, foi muito maior que a média: de 71,3% em volume físico e 64,4% em termos monetários.
América do Sul lidera as compras
Observando as vendas de calçado brasileiro por continentes, a América do Sul é a grande compradora, pois adquiriu 42,7 milhões de pares no acumulado de janeiro a no-vembro. O resultado financeiro no período foi de US$ 311 milhões e o preço médio foi de US$ 7,27.
Em segundo lugar está a América do Norte, com a aquisição de 29,3 milhões de pares brasileiros nos 11 meses do ano, que resultou em fa¬turamento de US$ 350,5 milhões e preço médio de US$ 11,99.
Em terceiro lugar aparece a Europa, que com¬prou 24 milhões de pares, a um preço médio de US$ 18,00. A aquisição resultado em divisas de US$ 433,4 milhões.
A Ásia ocupa o quarto lugar no ranking dos compradores de calçados brasileiros. De janeiro a novembro deste ano, os asiáticos adquiriram 5,5 milhões de pares nacionais a um valor médio de US$ 7,80. As vendas geraram US$ 42,6 milhões em receita.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
Elizabeth Renz
imprensa@abicalcados.com.br
Caren Souza
caren@abicalcados.com.br
15 de dezembro de 2009