Passados sete meses do ano, os números relativos ao comércio exterior continuam negativos para o setor de calçados. A balança comercial de janeiro a julho ficou em -34% comparando com o mesmo período do ano passado. As exportações apresentaram queda de 28,7% enquanto as importações registraram alta de 1%. Esta movimentação resultou em valor negativo também para a corrente de comércio, que fechou em -24,8% (valores que consideram os calçados e suas partes). Os dados são da Abicalçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Analisando os embarques somente de calçados (sem suas partes), as exportações de janeiro a julho, as exportações mantiveram trajetória descendente. Foram -25,2% em pares e -28,7% em faturamento, em comparação com igual período do ano passado. Nos sete meses de 2009, os calçadistas embarcaram 77,3 milhões de pares, gerando divisas de US$ 815,8 milhões. Já em 2008, foram 103,3 milhões de pares enviados ao exterior, equivalentes a US$ 1,2 milhão.
Julho – Se avaliado isoladamente, o mês de julho também registrou quedas bruscas. O volume caiu 16,8% e o faturamento, 29,5%. Somente no sétimo mês, cruzaram as fronteiras do País 11,4 milhões de pares, contra os 13,7 milhões no mesmo período do ano passado, gerando divisas de US$ 136,2 milhões, contra US$ 193 milhões em julho passado.
Principais destinos reduzem compras
Os quatro principais mercados para o calçado made in Brazil apresentaram redução em suas compras, tanto em número de pares quanto em faturamento. Os Estados Unidos continuam sendo os principais compradores do calçado brasileiro, com a aquisição de 18,4 milhões de pares no acumulado do ano. Eles são ocupam uma fatia de 23,8% do total, que gerou divisas da ordem de US$ 207 milhões no período. Estes volumes representaram queda de 31,3%, tanto em volume físico quanto em faturamento.
A Argentina ocupou a segunda posição, com a compra de 6,4 milhões de pares, equivalente a US$ 69,5 milhões (8,2% do volume). Esses valores representaram movimentação negativa de 10,9% em termos físicos e 31,5% em finanças.
Já o Reino Unido apareceu em terceiro lugar, com a compra de 4,6 milhões de pares (5,9% do total), o que gerou US$ 107,4 milhões ao Brasil. Isso significou 30,8% a menos em pares e 31,5% a menos em divisas.
O quarto lugar ficou com a Itália, que absorveu 4,1% do total embarcado. Os italianos adquiriram 3,2 milhões de pares, que geraram US$ 58,6 milhões. Os italianos reduziram em 38,7% seu volume de compras e 39,2% os valores despendidos.
São Paulo é o mais prejudicado
Entre os principais Estados exportadores, São Paulo continua liderando a queda nas exportações de janeiro a julho deste ano. O Estado acumula perdas de 35,3% em pares e de 33,6% em cifras. Foram 4,3 milhões de pares embarcados ao longo de 2009, com divisas da ordem de US$ 68,5 milhões, contra 6,8 milhões de pares vendidos no mesmo período de 2008, com faturamento de US$ 111,7 milhões.
O Rio Grande do Sul ocupou o segundo lugar no ranking, com trajetória descendente de 37,4% em volume físico e 38,7% em divisas. Este ano, as fábricas gaúchas enviaram ao exterior 21,8 milhões de pares a US$ 463,6 milhões, enquanto no ano passado haviam embarcado, no mesmo período, 33,6 milhões de pares, equivalentes a US$ 698,2 milhões.
A Bahia ficou na terceira posição, caindo 18,5% em pares e 19,4% em faturamento. As fábricas baianas exportaram este ano quatro milhões de pares, que geraram faturamento de US$ 40,7 milhões. De janeiro a julho passado, porém, haviam exportado 4,9 milhões de pares, equivalentes a US$ 50,5 milhões.
Mesmo alguns Estados que não possuem tradição exportadora, mas que vinham se destacando no mapa das exportações, já começam a cair. É o caso do Sergipe, que teve índice negativo de 54,1% em volume e 55,1% em divisas. Os calçadistas sergipanos embarcaram no acumulado do ano 464,5 mil pares, que geraram US$ 3,9 milhões, enquanto no ano passado haviam embarcado um milhão de pares, a US$ 8,6 milhões.
Outro exemplo é o Espírito Santo, que este ano vendeu 75,2 mil pares ao exterior, com faturamento de US$ 662,3 mil. No ano passado, o envio foi de 1750 mil de pares, com receita de US$ 1,5 milhão.
Queda é registrada em todos os segmentos
De acordo com o capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul, todas as classificações de calçados registraram queda nos embarques do acumulado do ano. Os calçados injetados (NCM 6401) registraram a redução mais significativa: 75,3% a menos em pares e 60,9% em receita. Este ano, foram embarcados 392,6 mil pares, com divisas de US$ 2,9 milhões, enquanto no ano passado foi 1,5 milhão de pares a US$ 7,4 milhões.
Já os calçados em couro (NCM 6402) reduziram 17,2% em volume físico e 19% em termos monetários. Neste ano, as exportações deste segmento somaram 49,5 milhões de pares, com faturamento de US$ 210,5 milhões. Já no ano passado, em igual período, foram 59,8 milhões de pares a US$ 790,3 milhões.
Os sintéticos (NCM 6403) apresentaram variação negativa de 32,7% em volume e de 30,7% em finanças. Foram 24,1 milhões de pares embarcados este ano, equivalentes a US$ 559,1 milhões, contra 35,8 milhões de pares no ano passado, que resultaram em US$ 806,5 milhões.
Os têxteis (NCM 6404), por sua vez, apresentaram queda de 20,6% em volume e de 40,2% em cifras. De janeiro a julho foram enviados ao exterior 2,8 milhões de pares e calçados com cabedal em material têxtil, que geraram US$ 37,8 milhões em faturamento. No mesmo período de 2008, foram embarcados 5,6 milhões de pares, equivalentes a US$ 63,2 milhões.
Importações – De janeiro a julho deste ano, as importações apresentaram leve alta, de 0,2%, em faturamento, se comparadas ao mesmo período do ano passado. Este ano o Brasil pagou US$ 176,3 milhões por 21,2 milhões de pares, enquanto no passado foram gastos US$ 175,9 milhões por 23,9 milhões de pares. Em volume físico, houve redução de 11,6%, sendo que o preço médio subiu 13,4%, passando de US$ 7,34 para US$ 8,32.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
Caren Souza
caren@abicalcados.com.br
14 de agosto de 2009