A especialista em segurança de máquinas Filipa Lima, que atua no Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metal-Mecânica, da cidade do Porto, em Portugal, iniciou nesta segunda-feira (9), em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, trabalho para tratar da adequação à normatização de segurança os 75 tipos de máquinas para a indústria calçadista produzidos no Brasil. A perita portuguesa chegou ao País através de uma iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para Couros e Calçados – Abrameq – e Associação Brasileira das Indústrias de Calçados – Abicalçados, com o apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI.
O diretor-executivo da Abrameq, Marcelo Adriano, relata que desde 2004 a Delegacria Regional do Trabalho/RS tem dialogado com os fabricantes de máquinas e calçados na busca de ações para reduzir os acidentes de trabalho na indústria calçadista. A partir daí, a Abicalçados e a Abrameq criaram um grupo de trabalho que tem atuado com este objetivo. Este grupo realizou um mapeamento das máquinas, onde foi possível elencar as prioridades e as especificidades de cada tipo. A partir daí, está sendo elaborada uma proposta de adequação da legislação, fazendo com que o texto da Norma Regulamentadora nº 12, que trata da segurança de máquinas, contemple as exigências de segurança, mas que a aplicação das normas seja viável economicamente. A elaboração está sendo realizada pensando nos modelos novos de máquinas, entretanto a segunda etapa do projeto deve contemplar a adequação dos equipamentos que já estão em atividades nos parques fabris. As entidades irão estudar uma forma de viabilizar este processo de forma a não onerar muito as empresas.
Conforme o diretor-executivo, uma padronização das normas de segurança com referências nos moldes europeus não só irá qualificar as máquinas brasileiras como também reforçará a fiscalização dos equipamentos importados, em sua maioria oriundos da Ásia. “Além disso, o estabelecimento de normas específicas contribuirá para a exportação de máquinas”, sublinhou.
Os fabricantes brasileiros de máquinas sofrem com a concorrência de competidores de países onde inexistem grandes exigências em termos de segurança. Os calçadistas têm dificuldades ainda maiores disputando mercado com fabricantes, principalmente da Ásia, que produzem livres de exigências nesta área.
Mesmo assim, a Abrameq e a Abicalçados estão trabalhando em conjunto para a implementação de regras que garantam a segurança na indústria calçadista. A perita européia, que durante dez dias verificará de perto a realidade brasileira, já afirma que,”pelo que pude ver a legislação brasileira é adequada e próxima da européia”. E ela vê isto como positivo, “porque não devemos pensar apenas no custo da máquina, mas também no custo para toda a sociedade dos acidentes gerados por máquinas sem os adequados dispositivos de segurança”.
As regras européias são muito boas, afirma Filipa Lima. Acrescenta que foram atualizadas em 2006, com novo texto, cujo cumprimento será exigido a partir de 29 de dezembro de 2009. Porém, destaca que não estão anexadas novas regras, mas apenas tornadas mais claras as normas já existentes. Mesmo assim, a especialista reconhece que há informações de que entram na comunidade européia máquinas que não atendem a esta exigência. Aliás, este é um problema que preocupa bastante os fabricantes brasileiros de máquinas, porque não existe um sistema seguro para garantir que máquinas entrem no Brasil sem atender as exigências da legislação do País.
IMPLANTAÇÃO - Além da existência de dispositivos de segurança nas máquinas, Filipa Lima destaca a importância do treinamento dos trabalhadores. Neste sentido, ela observa que existe uma metodologia para a implantação de processos de segurança, dividida em três etapas. A primeira é a criação da segurança intrínseca da máquina. A segunda etapa é das proteções fixas ou móveis. Finalmente, vem a informação do trabalhador. Eduardo Michelon, perito brasileiro em segurança, contratado pela Abrameq, destaca que este caminho está previsto no Brasil através da ABNT. Até meados de abril de 2009, a proposta de anexo para a NR12 deve estar estruturada.
Estes conceitos estão sendo repassados aos clientes através do Projeto Abrameq Tecnologia, com apoio do Sebrae, em que os fabricantes de máquinas têm contato direto com os compradores nos principais pólos calçadistas do Brasil. Um dos conteúdos mais importantes destes eventos é a segurança em máquinas.
Nestes dez dias no Brasil, a consultora européia visitará fabricantes de máquinas, comparando os cuidados com segurança aplicados no produto daqui com as normas da Europa. Também conhecerá fábricas de calçados, para verificar como isto funciona na prática. No final, ela fará um relatório sobre o que precisa mudar e o que já está de acordo com as diretivas da Comunidade Européia. Estão previstas visitas às fábricas calçadistas Piccadilly, Azaléia, Paquetá e Conforto, assim como as fabricantes de máquinas Erps, Mecsul, Master e Maeli.
Assessoria de Comunicação Abicalçados
Caren Souza
Assessoria de Comunicação Abrameq
Adroaldo Diesel Filho