Novo sistema dá mais segurança às empresas quando mercados estão voláteis.
Diante da volatilidade dos mercados financeiros globais, com abruptas oscilações do dólar, o Sistema de Pagamentos em Moedas Locais (SML) pode ser um porto mais seguro para a concretização dos negócios da cadeia calçadista. Isso porque a moeda americana pode ser eliminada das transações comerciais entre Brasil e Argentina - o projeto ainda é piloto, mas poderá ser estendido a outros países integrantes do Mercosul - e as empresas passam a fazer compras e vendas em real ou peso. Bem-vinda a medida é, no entanto, de acordo com empresários do setor, ainda faltam informações mais claras sobre como funcionará na prática.
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), Délcio Schmidt, a tendência é que a medida tenha efeito positivo. "Quando a operação é feita tendo como referência uma moeda mais estável e com a qual o cliente está mais acostumado, facilita. "No entanto, segundo ele, resta saber se os bancos vão cobrar custos adicionais operacionais e se será respeitada uma equivalência entre as moedas.
Milton Cardoso, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), acredita que a utilização de uma moeda local nas negociações entre Brasil e Argentina pode tornar mais simples as operações e eliminar custos de intermediação de câmbio. "Neste sentido, pode ser um fator positivo nas transações dos dois países." É o que pensa também a Calçados Pegada, de Dois Irmãos. A calçadista, que destina cerca de 10% da produção voltada à exportação para a Argentina, apóia a medida.
PADRÃO - "As mudanças repentinas do dólar, muitas vezes, acabam atrapalhando os negócios. Essa alteração trará confiabilidade pelo fato de que se terá um padrão único", explicou o encarregado de custos, Fernando Koch. A empresa ainda aguarda orientações sobre os procedimentos que deverão ser adotados daqui para frente. À espera de definições também está a Mold Steel, Indústria de Moldes de Novo Hamburgo, que exporta 30% da produção para a Argentina. "A medida ainda é prematura. Não falamos com os bancos para ver como isto será tratado e nem os clientes se manifestaram", explicou o gerente de Comércio Exterior, Remi Smaniotto.
Veículo: Jornal NH
Seção: Empresas & Negócios
Data: 22/10/2008
Estado: RS