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23.10.2008
Brasil & Argentina: Vendas em moeda local são alternativa ao dólar
 

Novo sistema dá mais segurança às empresas quando mercados estão voláteis.
Diante da volatilidade dos mercados financeiros globais, com abruptas oscilações do dólar, o Sistema de Pagamentos em Moedas Locais (SML) pode ser um porto mais seguro para a concretização dos negócios da cadeia calçadista. Isso porque a moeda americana pode ser eliminada das transações comerciais entre Brasil e Argentina - o projeto ainda é piloto, mas poderá ser estendido a outros países integrantes do Mercosul - e as empresas passam a fazer compras e vendas em real ou peso. Bem-vinda a medida é, no entanto, de acordo com empresários do setor, ainda faltam informações mais claras sobre como funcionará na prática.
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), Délcio Schmidt, a tendência é que a medida tenha efeito positivo. "Quando a operação é feita tendo como referência uma moeda mais estável e com a qual o cliente está mais acostumado, facilita. "No entanto, segundo ele, resta saber se os bancos vão cobrar custos adicionais operacionais e se será respeitada uma equivalência entre as moedas.
Milton Cardoso, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), acredita que a utilização de uma moeda local nas negociações entre Brasil e Argentina pode tornar mais simples as operações e eliminar custos de intermediação de câmbio. "Neste sentido, pode ser um fator positivo nas transações dos dois países." É o que pensa também a Calçados Pegada, de Dois Irmãos. A calçadista, que destina cerca de 10% da produção voltada à exportação para a Argentina, apóia a medida.

PADRÃO - "As mudanças repentinas do dólar, muitas vezes, acabam atrapalhando os negócios. Essa alteração trará confiabilidade pelo fato de que se terá um padrão único", explicou o encarregado de custos, Fernando Koch. A empresa ainda aguarda orientações sobre os procedimentos que deverão ser adotados daqui para frente. À espera de definições também está a Mold Steel, Indústria de Moldes de Novo Hamburgo, que exporta 30% da produção para a Argentina. "A medida ainda é prematura. Não falamos com os bancos para ver como isto será tratado e nem os clientes se manifestaram", explicou o gerente de Comércio Exterior, Remi Smaniotto.

Veículo: Jornal NH
Seção: Empresas & Negócios
Data: 22/10/2008
Estado: RS



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