“O Brasil é um dos melhores produtores de calçado feminino em couro do mundo. A estratégia agora é investir em valor agregado.” A frase é do norte-americano Peter Mangione, profundo conhecedor da rede varejista americana, e que durante muitos anos foi presidente da Federação dos Distribuidores e Varejistas de Calçados (FDRA). Ele foi o terceiro painelista da 13ª edição do Seminário Nacional da Indústria de Calçados (SNIC) e III Foro Latino-Americano da Indústria de Calçados, realizados hoje (13) no Novotel, em São Paulo (SP). Mangione acredita que, em meio à crise econômica mundial, é impossível para o Brasil ser competitivo no preço, porém há oportunidades na agregação de valor e construção de marcas, uma vez que a indústria brasileira possui tecnologia para produzir com conforto e qualidade.
O painelista fez uma explanação sobre a atual situação econômica dos Estados Unidos, e acredita que ainda deve demorar para que haja estabilidade financeira. “Os valores dos produtos dobraram, triplicaram e, em alguns casos, quadruplicaram. E o preço baixo é o maior interesse dos compradores norte-americanos”, sustentou.
Comparando os índices de produção, consumo, exportações e outros dados, Mangione apontou que a China, embora seja um grande produtor e exportador, não é um grande consumidor, e que esta é a oportunidade para que outros países desbravem este mercado, sobretudo o Brasil.
Embora os Estados Unidos continuem na liderança de compras do setor, ele observou que cada vez mais as compras devem reduzir. “Desde o início da recessão, já temos sete milhões de desempregados. O trabalho semanal com carga horário de 33 horas, que está vigente agora, é o mais baixo que já vi”, justificou. Dados apresentados por ele dão conta de que, somente no mês de maio, foram perdidos 462 mil empregos naquele país.
Parceria entre setores para estimular a competitividade regional
Para Sérgio Miranda da Cruz, diretor da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), um fator essencial para o crescimento da competitividade na América Latina é a união entre os setores público, privado, em parceria com as câmaras e associações. “É preciso estabelecer as políticas apropriadas e fazer os investimentos corretos para estimular um crescimento contínuo da produção”, avaliou.
Miranda da Cruz apresentou o Programa Regional de Melhoria da Competitividade Global da Indústria Latino-Americana do Couro e do Calçado durante o 13º SNIC, que tem objetivo de gerar empregos e crescimento da indústria através do suporte para cooperação das comunidades industriais e da melhoria do potencial de mercado, produtividade, qualidade e serviços. Na região, segundo dados da UNIDO, são 10 mil indústrias formais e 60 mil informais, que geram 260 mil empregos formais e 1,35 milhão de postos de trabalho informais. “Somente com medidas para diminuição de encargos poderemos ter prestações de contas mais transparentes e, consequentemente, maior índice de empregos.” O orçamento estimado é de US$ 15,8 milhões.
China - Ele apontou que a indústria de manufaturas dos países em desenvolvimento está sendo muito afetada, porém não de forma homogênea. Os dados apresentados pelo palestrante reafirmaram as observações de Peter Mangione, de que entre os índices de produção, exportação, importação e consumo, a China surge como um excelente mercado a ser trabalhado, principalmente por países como Brasil e México. “É necessário pensar a agir estrategicamente e com rapidez neste estágio da economia”, sentenciou o especialista.
Analisando o setor de couro e calçados, a China detém 68% da produção e 29% do faturamento em relação aos demais produtores. Menos de 20 países dominam este setor no mundo em produção e consumo, sendo que dois deles estão na América Latina: Brasil e México.
Miranda da Cruz apontou que, além do consumo - a China consumiu em 2007 3,7 bilhões de pares, o que representa 38% de sua produção - alguns fatores relativos à indústria estão mudando na China. A legislação trabalhista mudou, dando maior poder aos empregados. Outro fator importante é a alta do salário mínimo, indicando mudanças futuras. “Perante estas condições, a América Latina é uma das regiões mais capacitadas a investir neste mercado”, sustentou o palestrante.
ASCom Abicalçados/Brazilian Footwear
Elizabeth Renz – imprensa@abicalcados.com.br
Caren Souza – caren@abicalcados.com.br
13/07/2009