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20.08.2010
Big Mac mostra diferenças entre Brasil e China
 

Não há novidade em dizer que o dólar é problema para os exportadores brasileiros de calçados. Porém, com tantas especulações sobre a cotação ideal para a moeda norte-americana, o índice Big Mac 2010, que está sendo divulgado na edição atual da The Economist, ajuda a entender um pouco melhor a defasagem cambial. O indicador, criado em 1986, é calculado pela revista britânica e compara o preço do Big Mac em mais de cem países, tendo como referência o valor do sanduíche os Estados Unidos. Considerando que o preço deveria ser equivalente em todos os países, a publicação apresenta um cálculo da valorização ou desvalorização das moedas em relação ao dólar americano.

No índice de 2010, o Big Mac custa, no Brasil, US$ 4,91, o que fica em torno de R$ 8,71, enquanto nos Estados Unidos ele custa US$ 3,73, ou seja, cerca de R$ 6,57. Com estas referências, a pesquisa conclui que o real está 31% sobrevalorizado em relação ao dólar. Levando-se em conta esta análise, a cotação ideal para o dólar no Brasil seria R$ 2,33.

A The Economist menciona que o real é uma das poucas moedas de mercados emergentes que são negociadas bem acima do ponto de referência do índice Big Mac. “Com os juros altos, o país tem atraído a atenção de investidores famintos por lucros”, diz a revista.

Por outro lado, a China, maior exportadora de calçados do mundo, acumula uma das maiores desvalorizações. O yuan, moeda local, está desvalorizado em 48% em relação ao dólar americano uma vez que, em solo chinês, é possível comprar um Big Mac por US$ 1,95 – apesar da “flexibilização” prometida pelo governo local.
Sobrepondo a valorização de 31% do Brasil à desvalorização de 48% da China, verifica-se uma diferença de 79% entre as duas economias.

A revista The Economist adverte que o índice Big Mac não é uma ferramenta precisa para analisar o câmbio, e que outros fatores como o preço de aluguéis e salários influenciam o preço do sanduíche.

ASCom Abicalçados



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